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As principais conclusões de Mueller, segundo o resumo do procurador-geral

2019-03-24T19:45:00

24/03/2019 19h45

Washington, 24 mar (EFE).- O procurador especial encarregado de investigar a chamada "trama russa", Robert Mueller, não encontrou provas de que o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, tenha conspiradi com a Rússia para prejudicar a rival democrata, Hillary Clinton, nas eleições de 2016, segundo o resumo enviado ao Congresso pelo procurador-geral, William Barr.

Estas são as principais conclusões e comentários do resumo elaborado pelo procurador-geral Barr:.

1 - Sobre a suposta conspiração.

"A investigação não comprovou que os membros da campanha de Trump conspiraram ou colaboraram com o governo russo nas suas atividades de interferência eleitoral".

2 - Sobre a obstrução à Justiça.

Embora o relatório de Mueller "não conclua que o presidente cometeu um crime, também não o exime", diz o resumo. Mas o governo teria que provar esse caso "além de uma dúvida razoável".

3 - Sobre a sua divulgação.

Barr lembrou que "as regulações pertinentes contemplam" que o trabalho do procurador especial deve ser um "relatório confidencial ao procurador-geral".

"Devo identificar qualquer informação que possa afetar outros assuntos em curso, inclusive aqueles que o procurador especial remeteu a outros escritórios. Assim que esse processo for concluído, estarei em condições de avançar rapidamente para determinar o que poderá ser divulgado", acrescentou.

Setores democratas e republicanos no Congresso já pediram a divulgação total das investigações. Os democratas ameaçaram inclusive recorrer à Suprema Corte.

4 - Não haverá novos julgamentos pela trama russa.

"O relatório não recomenda nenhum outro processo e o procurador especial não obteve novas acusações 'seladas', que ainda poderiam ser reveladas", garantiu Barr sobre a possibilidade de Trump ser acusado quando sair da presidência.

5 - Interferência russa nas eleições de 2016.

Segundo a carta de Barr, o relatório confirma "dois esforços principais da Rússia para influenciar nas eleições de 2016".

O primeiro se refere às atividades da Agência de Investigação da Internet (IRA) da Rússia, "para realizar operações de desinformação e redes sociais nos Estados Unidos", a fim de "semear a discórdia social e interferir nas eleições", atividades que não tiveram participação dos EUA detectadas.

No segundo, "o governo russo hackeou com sucesso os computadores e obteve e-mails de pessoas filiadas à campanha de Hillary Clinton e às organizações do Partido Democrata, e divulgou esses materiais através de vários intermediários, inclusive WikiLeaks".

Há 26 russos acusados por essa atividade, que provavelmente nunca serão julgados nos EUA porque não há tratados bilaterais de extradição. O relatório, segundo Barr, não encontrou nenhuma colaboração com a campanha de Trump.

6 - Uma investigação profunda.

De acordo com Barr, Mueller "executou cerca de 500 ordens de busca, obteve mais de 230 pedidos de registros de comunicação, obteve quase 50 grampos de comunicações telefônicas, realizou 13 solicitações de evidências a governos estrangeiros e ouviu aproximadamente 500 testemunhas". EFE

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