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1 mês

Para guia supremo iraniano, Israel é 'base terrorista' a ser 'combatida'

07/05/2021 11h33

Teerã, 7 Mai 2021 (AFP) - O Estado de "Israel não é um país, mas uma base terrorista" a ser combatida - declarou o guia supremo iraniano, Ali Khamenei, nesta sexta-feira (7).

O aiatolá Khamenei fez esses comentários em um momento de grande tensão entre a República Islâmica e Israel e de temores israelenses sobre a presença iraniana na Síria e sobre o programa nuclear de Teerã. O Irã acusa os serviços israelenses de terem sabotado sua central de enriquecimento de urânio em Natanz, no centro do país, em abril.

"Israel não é um país, mas uma base terrorista contra a nação palestina e outras nações muçulmanas. Combater esse regime despótico é lutar contra a opressão e o terrorismo e é dever de todos", disse o aiatolá Khamenei por ocasião do "Dia de Jerusalém", celebrado pela República Islâmica na quarta sexta-feira do mês do Ramadã.

A autoridade iraniana discursou após os confrontos em um bairro de Jerusalém Oriental (parte da Cidade Santa ocupada e anexada por Israel) no âmbito de uma batalha judicial sobre o destino de famílias palestinas ameaçadas de despejo a favor de colonos israelenses.

Em Genebra, nesta sexta-feira, o Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos instou Israel a acabar com todas as expulsões forçadas de palestinos em Jerusalém Oriental, alertando que tais ações podem constituir "crimes de guerra".

E, sinal da persistência do conflito israelense-palestino, a polícia de fronteira israelense anunciou nesta sexta que havia matado dois palestinos e ferido um terceiro durante uma suposta tentativa de ataque no norte da Cisjordânia, ocupada por Israel desde 1967.

Em seu discurso, Khamenei atacou o "plano de paz" para o Oriente Médio do ex-presidente americano Donald Trump, abraçado pelo primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, mas rejeitado abertamente pelos palestinos.

Também reiterou sua condenação à recente normalização das relações entre Israel e vários países árabes.

- "Tumor" -"O fracassado 'acordo do século' e as tentativas de normalizar as relações entre o regime de ocupação (Israel) e alguns governos árabes fracos são ações covardes (por parte daqueles que participam) para escapar do pesadelo (que é para eles) a unidade dos muçulmanos", disse Khamenei.

"Digo com veemência: esses esforços não levarão a lugar nenhum. O declínio e o movimento do regime sionista em direção à sua queda começou e não vai parar", afirmou.

A República Islâmica estabelecida no Irã em 1979 não reconhece o Estado de Israel proclamado em maio de 1948, após votação pela ONU, para dividir a Palestina sob o mandato britânico entre um "Estado árabe" e um "Estado judeu".

A hostilidade demonstrada pela República Islâmica em relação a Israel tem sido uma constante na política iraniana desde a Revolução de 1979.

Teerã apoia abertamente grupos armados palestinos como o Hamas e a Jihad Islâmica, bem como o Hezbollah libanês, inimigo de Israel em sua fronteira norte, cujo líder Hassan Nasrallah também deve falar nesta sexta-feira por ocasião de Al-Quds ("A Santa": Jerusalém em árabe, Quds em persa).

Em junho de 2018, Khamenei reafirmou a "posição" de Teerã de que Israel é, para o Oriente Médio, "um tumor cancerígeno maligno que deve ser removido e erradicado".

Enquanto os generais iranianos afirmam regularmente que o Irã destruirá Israel, ou cidades como Tel Aviv e Haifa, se Israel atacar a República Islâmica, a retórica oficial iraniana afirma que Israel deixará de existir (até 2040, de acordo com uma profecia do guia) por causa de sua própria "arrogância", e não por causa de um ataque do Irã.

Em Teerã, as manifestações que haviam sido planejadas para hoje tiveram de ser canceladas, devido à pandemia de covid-19.

Mas uma carreata em apoio à Palestina aconteceu pela manhã, de acordo com um jornalista da AFP, e a televisão estatal exibiu imagens de manifestantes que decidiram deixar suas casas "espontaneamente" para queimar bandeiras israelenses.

amh-mj/bfi/mr/tt

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