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Conectado e ideológico, Miguel Diaz-Canel vira página de Cuba com nova geração comunista no poder

19/04/2021 14h07

Cuba virou a página dos irmãos Castro nesta segunda-feira (19) com a aposentadoria de Raúl Castro, 89, um símbolo forte, mas que não muda a linha política do país, um dos últimos cinco comunistas do mundo. Miguel Diaz-Canel, presidente do Partido Comunista Cubano, encarna a nova geração à frente da ilha que foi um dia de Fidel.

Cuba virou a página dos irmãos Castro nesta segunda-feira (19) com a aposentadoria de Raúl Castro, 89, um símbolo forte, mas que não muda a linha política do país, um dos últimos cinco comunistas do mundo. Miguel Diaz-Canel, presidente do Partido Comunista Cubano, encarna a nova geração à frente da ilha que foi um dia de Fidel.

Durante a Revolução Cubana de 1959, ele não havia ainda nascido: Miguel Diaz-Canel, presidente e agora primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba (PCC), encarna a nova geração no poder, mais conectada, mas não necessariamente mais flexível.

Quando ele chegou à presidência do PCC em abril de 2018, muito se escreveu sobre sua maneira de se locomover de bicicleta quando trabalhava nas províncias, seus jeans, sua paixão pelos Beatles, seu uso de tablets digitais... Um estilo mais moderno do que o dos irmãos Castro.

Os uniformes verde-oliva de seus ilustres predecessores se foram: pela primeira vez em décadas, Cuba seria presidida por um civil. Mas "ele não é um arrogante nem um intruso", alertou Raúl Castro.

Miguel, um homem de 60 anos, cabelos grisalhos, voz rouca e sem grande talento oratório, passou toda a sua carreira no Partido Comunista, seguindo escrupulosamente cada um dos passos para chegar à posição suprema.

Antes pouco conhecido do grande público, Raúl, o irmão mais novo de Fidel foi líder partidário nas províncias, ministro da educação superior e depois vice-presidente em 2013 antes de ser nomeado presidente pelos deputados, eles próprios escolhidos pelo partido único.

A partir de agora, Miguel Diaz-Canel também se torna o primeiro secretário do partido, com a pesada tarefa de fazer valer sua própria legitimidade diante da pior crise econômica de Cuba em 30 anos, sob o efeito da pandemia e das sanções norte-americanas.

"Mão de ferro"

"Já nos falamos muitas vezes", lembra Harold Cardenas, analista político e diretor da mídia online La Joven Cuba. Quando esta última foi ameaçado de fechamento em 2013, "ele veio nos ver, tirou uma foto conosco e nos apoiou publicamente".

Na ocasião, "pudemos conhecer de perto o conciliador Diaz-Canel, que entende de tecnologia".

Primeiro civil a liderar o partido, com a experiência militar de seus três anos de serviço em uma unidade de mísseis antiaéreos, Miguel Diaz-Canel é engenheiro eletrônico por formação.

A mudança de tom aparece desde sua ascensão ao poder: no final de dezembro, ele descreveu a mídia cubana independente no Twitter como "mercenários e mentirosos".

"É difícil ver Diaz-Canel se conciliando com Trump, que por quatro anos liderou provavelmente a política mais agressiva em relação a Cuba em 60 anos", admite Harold Cardenas.

Em geral, "a mudança de geração não dá nenhuma garantia" sobre uma possível abertura, porque "a maneira mais rápida de Cuba de ganhar legitimidade política é mostrar o punho de ferro", lembra.

O novo presidente pautou sua forma de governar em torno de um princípio: a presença constante no campo, seja física, com muitas viagens às províncias, ou virtual, abrindo sua conta no Twitter onde é muito ativo.

Imagem bem cuidada

Ele também cuida de sua imagem, tendo concedido apenas uma entrevista a uma mídia estrangeira, o canal venezuelano Telesur, ou mostrando um rosto mais humano ao lado de sua esposa Lis Cuesta, que ocupa um cargo de primeira-dama sem precedentes desde a revolução.

Pai de dois filhos do primeiro casamento, é descrito como simples e acessível pelos seus apoiadores, que afirmam que ele "sabe ouvir".

No fundo, "ele é um homem radical", corta o professor e ex-diplomata cubano Carlos Alzugaray: "Quase toda a sua carreira foi dentro do partido, e não do governo. Ele atua no nível da luta política, ideológica".

Isso repercute em sua forma de usar a internet, cujo uso explodiu em Cuba desde a chegada do 3G no final de 2018: ele a vê como "um instrumento de propaganda, enquanto eu acho que é mais um instrumento de comunicação ", deplora Alzugaray.

Há algumas semanas, o novo presidente de Cuba defendeu sua tese de doutorado sobre o tema "A gestão do governo com base na ciência e na inovação", despertando a descrença de alguns internautas.

Do outro lado da moeda, a internet funciona como uma caixa de ressonância para as demandas dos cidadãos: protegidos pelo anonimato das redes sociais, os cubanos passaram a chamar, até insultando, o presidente e seus ministros.

Coletivos de artistas ou ativistas dos direitos dos animais se consolidaram desta forma, para defender suas reivindicações e exigir mais liberdades, antes de se manifestar diante de vários ministérios, fato inédito em Cuba.

"Nossos ministérios não são plataformas de mídia", retrucou Diaz-Canel com rispidez via Twitter, mensagem acompanhada do slogan "Viva a revolução".

(Com informações da AFP)

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