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Trump pronto a agir por decreto diante de falta de acordo no Congresso sobre plano de ajuda

08/08/2020 00h04

Washington, 8 Ago 2020 (AFP) - Donald Trump afirmou nesta sexta-feira à noite estar pronto para firmar decretos "antes do fim de semana" para ajudar milhões de americanos ameaçados com despejos e afetados pelo desemprego devido à pandemia, diante da falta de um acordo no Congresso.

A Casa Branca e os opositores democratas no Congresso negociaram durante duas semanas para tentar finalizar um novo e gigantesco plano de apoio à economia, fortemente atingida pela pandemia.

A menos de três meses para as eleições presidenciais, as negociações não deram frutos. Contudo, é necessário um acordo coma oposição, já que os democratas controlam a Câmara de Representantes, enquanto os republicanos têm a maioria no Senado.

"Se os democratas continuarem mantendo como refém este apoio crucial, atuarei através de minha autoridade como presidente para dar aos americanos o apoio que precisam", disse Trump em coletiva de imprensa convocada às pressas na noite desta sexta-feira.

Durante as negociações, os democratas propuseram um pacote de US$ 3 trilhões, em comparação ao US$ 1 trilhão proposto pela Casa Branca.

Após nova reunião infrutífera nesta sexta-feira, Trump garantiu que a assinatura do decreto "poderia acontecer no fim de semana, os advogados estão redigindo o texto agora mesmo". "Minha administração continua trabalhando de boa fé para chegar a um acordo com os democratas no Congresso".

- "Fracas e insuficientes" -Nancy Pelosi, a líder democrata na Câmara, disse em entrevista coletiva nesta sexta-feira que propôs o valor de US$ 2 trilhões, que o governo Trump rejeitou. "Se pudéssemos fazer isso, poderíamos atender às necessidades do povo americano", afirmou.

As negociações ficaram mais difíceis porque os republicanos, que são maioria no Senado, estão divididos.

Os decretos propostos estão relacionados a quatro pontos: cortes nos custos salariais; prestações por desemprego prolongadas; extensão da moratória sobre o despejo de inquilinos; e suspensão do reembolso dos empréstimos estudantis.

Essas ordens executivas "fracas e insuficientes", segundo Chuck Schumer, líder dos democratas do Senado, "não seriam eficazes para as pessoas que todos queremos ajudar".

- "Perder impulso" -"Na ausência de apoio orçamentário suplementar, a economia como um todo corre o risco de perder impulso", explicaram em nota analistas da Oxford Economics. Desde março, bilhões de dólares de auxílio permitiram que as empresas continuassem pagando salários e impediram que empresas fechassem as portas.

O gigantesco pacote de ajuda de US$ 2,2 trilhões aprovado no final de março incluiu uma moratória para evitar demissões, e US$ 600 por semana em ajuda aos desempregados.

Estas medidas terminaram no final de julho e os desempregados, agora, estão aflitos. Nos Estados Unidos, o seguro-desemprego é pago de três a seis meses no máximo, dependendo do estado, e varia de US$ 235 a US$ 823 por semana.

- Desemprego em baixa -A taxa de desemprego nos Estados Unidos continuou a diminuir em julho, apesar de menos empregos terem sido criados do que em junho, devido ao ressurgimento de casos da COVID-19.

A taxa de desemprego passou de 11,1% em junho para 10,2% em julho. Já está longe dos 14,7% em abril, mas ainda bem acima dos 3,5% em fevereiro, a menor dos últimos 50 anos.

As demissões em março e abril foram tão maciças que os empregos criados desde maio não foram suficientes para trazer dezenas de milhões de americanos de volta ao mercado de trabalho. "Não deveria ter sido tão ruim, mas Donald Trump falhou. Ele é que deveria perder o emprego", argumentou Joe Biden, seu rival democrata na disputa eleitoral, no Twitter.

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