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Consumo segue firme nos EUA apesar de demissões e avanço do coronavírus

16/07/2020 19h16

Washington, 16 Jul 2020 (AFP) - Os números das vendas no varejo em junho mostraram que os americanos continuam comprando, mas os dados semanais do emprego mostram que as demissões continuam no país, e o aumento nos casos de coronavírus levanta questões sobre o futuro da maior economia do mundo.

Faltando menos de quatro meses para a eleição presidencial, os novos pedidos de auxílio-desemprego totalizaram 1,3 milhão na semana passada nos Estados Unidos. As demissões continuam e a economia enfrenta um grande surto de coronavírus no sul e oeste.

Os Estados Unidos, o país com mais mortes por coronavírus, com quase 137.000 óbitos, registraram um recorde de 67.000 infecções nas últimas 24 horas.

Os números do seguro-desemprego desta quinta-feira mostram uma pequena queda de 10.000 em relação ao nível da semana passada, de acordo com o relatório publicado pelo Departamento do Trabalho, que revelou que a taxa de desemprego caiu 0,3 pontos, para 11,9%.

Esses números estão um pouco acima das expectativas dos analistas, em um momento-chave, uma vez que o fim da ajuda aos autônomos sem trabalho se aproxima, em 31 de julho.

O Partido Democrata, que tenta impedir a reeleição de Donald Trump em novembro, criticou. "Esta é a décima sétima semana consecutiva em que os pedidos de subsídio de desemprego excedem um milhão".

O mapa do desemprego mostra uma correlação com o avanço da pandemia e o número de pedidos de seguro-desemprego. Na Flórida - atualmente um dos principais focos da doença nos EUA -, o número de solicitações dobrou em relação à semana passada, passando de 66.941 para 129.408.

A economista-chefe da consultoria HFE, Rubeela Farooqi, enfatizou que as novas solicitações de ajuda continuam altas e que o ritmo de queda em relação aos níveis observados no pior momento da crise, em março, é baixo.

"Esse ritmo pode desacelerar ainda mais nas próximas semanas em resposta a um aumento de casos", alertou a economista, que acredita que as condições no mercado de trabalho americano permanecem "fracas".

O confinamento para tentar conter o avanço do vírus fez com que a taxa de desemprego passasse de 3,5% em fevereiro para 14,7% em abril e depois caiu em maio e junho para 13,3% e 11,1% respectivamente.

Em entrevista ao Yahoo Finance, o presidente do Federal Reserve de Nova York, John Williams, admitiu que a economia está "em um buraco muito profundo", mas expressou esperança de que "continue havendo sinais de uma recuperação gradual na segunda metade deste ano e no próximo".

"Agora estamos em um momento de virada", disse o chefe do Fed de Nova York, que argumentou que o pacote de ajuda de US$ 2,2 trilhões aprovado pelo Congresso foi um impulso "crítico" para a economia.

- Uma realidade mais sóbria -Os dados de consumo foram encorajadores, com um aumento de 7,5% nas vendas no varejo, uma desaceleração em relação a maio, mas acima das expectativas dos especialistas.

Para a consultoria Oxford Economics "este relatório mostra a ilusão de um consumidor que gasta sem restrições, mas a realidade é mais sóbria e os consumidores têm cada vez mais medo de novos surtos de COVID-19".

A atividade manufatureira na região da Filadélfia, que é um sinal de vital importância para a economia industrial dos EUA, desacelerou em julho, segundo dados do Fed.

O indicador caiu três pontos em julho, ficando em +24,1, mostrando uma desaceleração no crescimento da atividade na região.

Esses dados são baseados em uma pesquisa do Fed realizada entre 6 e 13 de julho, quando o surto da pandemia de coronavírus começou no sul e oeste dos Estados Unidos.

an/mr/cc

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