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Mortes confirmadas e suspeitas na zona leste de SP superam as de Pernambuco

19.mai.2020 - Coronavírus: registro de um velório no Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo-SP - Mauro Borges/Futura Press/Estadão Conteúdo
19.mai.2020 - Coronavírus: registro de um velório no Cemitério da Vila Formosa, na Zona Leste de São Paulo-SP Imagem: Mauro Borges/Futura Press/Estadão Conteúdo
do UOL

Arthur Sandes

Do UOL, em São Paulo

26/05/2020 04h00

Resumo da notícia

  • Zona leste é a região com mais vítimas fatais por covid-19 na cidade de São Paulo, em números absolutos: 2.468
  • Se a zona leste fosse um estado do Brasil, seria o quarto mais atingido pela pandemia, à frente de Pernambuco
  • Zona sul é a que apresenta maior taxa de mortalidade neste momento da pandemia: são 77 óbitos por cem mil habitantes
  • O distrito paulistano com mais mortes é Brasilândia, que contabiliza 185 óbitos
  • O critério de contabilização na capital paulista considera mortes confirmadas e suspeitas por covid-19

A prefeitura de São Paulo atualizou ontem o número de óbitos por covid-19 em cada distrito da cidade. Os dados mostram que a zona leste é a região com mais vítimas fatais, em números absolutos: 2.468.

Se a zona leste da capital paulista fosse um estado do Brasil, seria o quarto mais atingido pela pandemia, à frente de Pernambuco (2.248 mortes confirmadas) e atrás apenas de São Paulo (6.220), Rio de Janeiro (4.105) e Ceará (2.493) — de acordo com boletim divulgado ontem pelo Ministério da Saúde.

Os dados divulgados pela prefeitura de São Paulo detalham 6.458 das mais de 7 mil mortes registradas desde o início da pandemia, na soma de óbitos confirmados e suspeitos. Pernambuco contabiliza apenas mortes confirmadas em decorrência do coronavírus.

Essas 2.468 mortes por covid-19 na zona leste de São Paulo equivalem a 38% do total dos óbitos detalhados pela Prefeitura. Nesta região da cidade, os números são puxados pelos bairros de Sapopemba (179 mortes), Itaquera (124), Cidade Tiradentes (118) e Itaim Paulista (105).

Já a zona sul da cidade de São Paulo contabiliza 1.735 mortes pela doença causada pelo coronavírus. Em seguida aparecem as zonas norte (1.448) e oeste (516) e então a região central (291).

Mortalidade é maior na zona sul

A zona sul da cidade de São Paulo é a que apresenta maior mortalidade neste momento da pandemia: são 77 óbitos por cem mil habitantes. Em seguida estão a região central (taxa de 67,5 por cem mil pessoas), a zona norte (66,1), a oeste (59,1) e a leste (53,4).

Na zona sul há três distritos fronteiriços com mais de cem mortes registradas: Capão Redondo (141), Jardim São Luís (140) e Jardim Ângela (130), além do bairro com mais óbitos, o Grajaú (149), que é o mais populoso da capital paulista (444 mil pessoas, segundo projeção da Fundação Seade, em 2010).

Distritos com mais mortes

O distrito paulistano com mais mortes é Brasilândia, que contabiliza 185 óbitos por covid-19. Grajaú (149), Capão Redondo (141) e Jardim São Luís (140) aparecem na sequência.

Todos os bairros com mais de 100 mortes estão nas periferias da capital, enquanto as áreas centrais em geral têm números menores.

Entre os distritos com menos óbitos estão Marsilac, no extremo Sul (cinco); Jaguaré, na divisa com Osasco (nove), e Barra Funda (12). Entre os bairros considerados mais nobres da capital, da região que vai de Moema a Alto de Pinheiros, quem mais registra mortes é o Itaim Bibi (53).

Menor IDH x Maior IDH

Os dez distritos da cidade com maior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) — com base no último Atlas Municipal — somam 472 mortes por covid-19. Por outro lado, os dez distritos com IDH mais baixo contabilizam 918 óbitos.

O Ministério da Saúde registrou até ontem 23.473 mortes em decorrência do novo coronavírus — 807 delas computadas entre domingo e segunda-feira. O boletim diário da pasta aponta um total de 374.898 infectados pela doença no país.

Mortes confirmadas e suspeitas

O critério de contabilização da cidade de São Paulo considera mortes confirmadas e suspeitas por covid-19. Foge, assim, do padrão aplicado por estados, pelo Ministério da Saúde e pela OMS (Organização Mundial da Saúde), que só incluem mortes nas estatísticas depois da confirmação de que a causa foi o coronavírus.

Este modelo adotado por estados, ministério e pela OMS, no entanto, culmina em grande atraso para a atualização dos óbitos.

Em entrevista ao UOL, em abril, o secretário municipal de saúde de São Paulo, Edson Aparecido, explicou a opção de somar mortes suspeitas com confirmadas. "Na estratégia [de combate à pandemia], não dá para desconsiderar esta pessoa que morreu com todas as características clínicas que era de covid-19, que foi testada, mas eu não tenho resultado", justificou na ocasião

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