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Coronavírus: médicos alertam Macron que cenário da Itália se repetirá na França

27.fev.2020 - O presidente francês, Emmanuel Macron, visita o hospital Pitié-Salpetrière, em Paris, onde faleceu a primeira vítima francesa pelo coronavírus Covid-19. O chefe de Estado foi advertido pelos médicos sobre a repetição do surto na França que vive a Itália - Martin Bureau/Reuters
27.fev.2020 - O presidente francês, Emmanuel Macron, visita o hospital Pitié-Salpetrière, em Paris, onde faleceu a primeira vítima francesa pelo coronavírus Covid-19. O chefe de Estado foi advertido pelos médicos sobre a repetição do surto na França que vive a Itália Imagem: Martin Bureau/Reuters

27/02/2020 08h34

O presidente francês, Emmanuel Macron, visitou na manhã desta quinta-feira (27) o hospital Pitié-Salpetrière, em Paris, onde faleceu a primeira vítima francesa pelo coronavírus Covid-19, na véspera. O chefe de Estado foi advertido pelos médicos sobre a chance de repetição do surto na França que vive a Itália.

"A França vai ter uma situação como a da Itália", explicou Eric Caumes, chefe do Serviço de Doenças Infecciosas e Tropicais do hospital Pitié-Salpetrière ao presidente. "Os casos franceses, especialmente o do paciente que faleceu ontem, não têm ligação com a China, o que quer dizer que o vírus já circula entre nós", reiterou o especialista.

Em um clima tenso, Macron foi recebido por um grupo de médicos e enfermeiros, que não esconderam sua insatisfação devido à crise que vivem há meses os hospitais públicos da França. O presidente, no entanto, tentou focar a visita na questão do coronavírus.

"Temos diante de nós uma epidemia que está chegando e devemos enfrentar da melhor forma possível", afirmou. "Vocês tiveram um morto ontem e eu sei que isso comoveu suas equipes. Quis vir aqui dar meu apoio a vocês todas e todos", completou o presidente francês.

Ao trocar apertos de mão com as pessoas presentes, Macron foi abordado por um médico. "Nós estamos em nosso limite. Realmente não aguentamos mais. Por favor, presidente, dê meios a seu ministro da Saúde, ao chefe dos hospitais públicos Martin Hirsch, que está hoje aqui atrás de você. Nos dê meios de tratar de nossos pacientes", afirmou o médico.

"É urgente o refinanciamento dos hospitais públicos. É extremamente importante. Não podemos nos contentar apenas com anúncios", insistiu o médico. Macron prometeu voltar a se reunir com os profissionais do hospital Pitié-Salpêtrière para discutir a questão.

Corrida contra o relógio

As autoridades sanitárias da França tentam retraçar o mais rápido possível o percurso realizado pela primeira vítima francesa do coronavírus Covid-19. O objetivo é encontrar e isolar possíveis novos contaminados para evitar a propagação da doença. O professor de 61 anos, originário do norte do país, faleceu na madrugada de quarta-feira (26), após ter sido hospitalizado em estado grave em Paris horas antes.

O que mais intriga as autoridades é que o homem não viajou para nenhuma região de risco. Também não há pistas até o momento de quem pode tê-lo contaminado. Desde o dia 12 de fevereiro, ele estava doente e sob atestado médico, mas só foi internado na noite de terça-feira (25), quando a contaminação pelo coronavírus foi confirmada no Hospital Pitié-Salpêtrière.

Funcionários e pais de alunos da escola onde a vítima trabalhava, na região de Oise, no norte da França, se procupam com o risco de exposição a que estariam submetidos. Desde o dia 12 de fevereiro o professor não frequentava o estabelecimento. A colégio entrou em férias no dia 14 de fevereiro e as aulas serão retomadas na próxima segunda-feira (2).

Em uma coletiva de imprensa na quarta-feira, Etienne Champion, responsável da Agência Regional de Saúde da região de Hauts-de-France, tentou acalmar os ânimos.

"Sabendo que o período de incubação e de manifestação da doença é de 14 dias, no máximo, apenas os colegas, alunos e pais de alunos com quem o professor teve contato serão convidados a se apresentar às autoridades. Passamos o período de incubação, então uma pessoa que hoje não está doente não corre mais o risco de ter sido contagiada porque o professor tinha parado de trabalhar, sob atestado médico, há mais de 14 dias", indica.

Com a morte do professor, a França contabiliza duas vítimas fatais do coronavírus. No dia 14 de fevereiro, um turista chinês, da província de Hubei - epicentro da epidemia - faleceu em Paris. No total, 17 pessoas foram contaminadas pela doença na França. Quatro delas permanecem hospitalizadas.

Coronavírus pelo mundo

O país mais afetado pelo coronavírus é a China, que registrou 2.744 vítimas e 78 mil contaminados até o momento. Na Coreia do Sul, onde há 1.706 infectados, uma 13a vítima foi anunciada nesta manhã.

No Irã, país mais afetado pelo coronavírus no Oriente Médio, mais três pessoas morreram, totalizando em 22 o número de vítimas fatais. Outras 141 estão contaminadas no país.

No Iraque, as autoridades anunciaram o fechamento de escolas, universidades, cinemas e cafés até o dia 7 de março depois que um primeiro caso de coronavírus foi registrado em Bagdá, a segunda capital mais populosa do mundo árabe.

Embora não tenha registrado nenhum caso da doença, a Arábia Saudita anunciou nesta quinta-feira a suspensão da entrada em seu território de estrangeiros peregrinos para a visita de Meca e Medina. Já o Paquistão indicou que há dois contaminados pelo coronavírus no país.

Na Europa, a Itália é o país que mais sofre com a propagação da doença. Doze pessoas já morreram e cerca de 400 estão infectados.

A Dinamarca anunciou nesta quinta-feira o primeiro caso de contaminação de um homem que retornou da Lombardia, região mais atingida pela doença na Itália. Áustria, Suíça, Noruega, Romênia, Croácia, Macedônia do Norte e Grécia também registraram casos do Covid-19.

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