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Empresas italianas tentam se organizar diante do coronavírus

26/02/2020 16h14

Milão, 26 Fev 2020 (AFP) - As empresas do norte da Itália, motor econômico do país, tentam se adaptar à epidemia do novo coronavírus, desenvolvendo o trabalho remoto para aqueles que podem, mesmo que o impacto possa ser significativo para algumas.

Desde a semana passada, a península viu disparar o número de contaminações, tornando-o o país europeu mais afetado. Nesta quarta-feira, o balanço chegou a 374 casos, incluindo 12 mortos: a grande maioria (271) na Lombardia, região da capital econômica Milão, seguida por Veneto (71).

Apenas essas duas regiões representam cerca de 30% do PIB italiano.

Enquanto o governo adotou medidas drásticas, incluindo a quarentena de 11 cidades do norte, e o medo de contágio é grande, as empresas tiveram de se adaptar rapidamente.

"Elas têm duas preocupações: a saúde de seus funcionários e a evolução de suas atividades, com as dificuldades de locomoção de seus empregados e o medo de uma queda na produção", explicou à AFP Alessia Forte, presidente da consultoria Forte Secur Group.

"Para analisar adequadamente os riscos e garantir sua redução, aconselhamos nossos clientes a montarem mesas-redondas de crise, com todos os principais interlocutores: médico, segurança, RH, produção, logística", apontou.

Muitas empresas optaram por trabalho remoto em áreas afetadas, ou próximas, como o grupo petrolífero Eni, a gigante energética Enel, a empresa de artigos de couro de luxo Tod's, ou UniCredit.

- Deslocamentos suspensos -A sede deste grande banco em Milão, uma grande torre onde normalmente trabalham 4.000 pessoas, está quase vazia.

Mas, sublinha um porta-voz à AFP, "isso não tem impacto na operação do banco. Fazemos 'smartworking' desde 2013, um dia por semana".

"Em nossa empresa e com nossos clientes, a implementação do trabalho remoto foi realizada muito rapidamente e correu muito bem, com funcionários muito disponíveis. Isso graças à transformação digital ocorrida nos últimos dois anos", observa Paul Renda, do grupo de consultores Miller, cuja sede fica perto de Lodi, epicentro da epidemia.

Em algumas fábricas, ou empresas (UniCredit, grupos telefônicos, logística etc.), é realizado um controle de temperatura na entrada. Acima de uma certa temperatura (entre 37,2ºC e 37,5ºC, dependendo do grupo), a pessoa - fornecedor ou funcionário - não pode entrar.

É o caso da fabricante de torneiras Rubinetterie Bresciane (500 funcionários), sediada na Lombardia, que tomou uma série de medidas.

"Fechamos nossa quadra e na cantina as pessoas não podem comer frente à frente. Os deslocamentos de funcionários também estão proibidos, a menos que expressamente autorizados pela gerência. Isso levou ao desenvolvimento da videoconferência", disse seu CEO, Aldo Bonomi, à AFP.

A gigante aeronáutica Leonardo também suspendeu os deslocamentos nacionais e internacionais de seus funcionários, enquanto a Enel e a Unicredit permitem apenas viagens consideradas essenciais.

Entre outras medidas adotadas em algumas empresas, está o uso de máscaras nos controles de segurança, explica Forte.

A Armani, que já havia decidido desfilar sem público durante a Semana de Moda de Milão, fez uma escolha ainda mais radical, fechando suas oficinas de produção no norte durante a semana.

Apesar da reação rápida, algumas empresas continuam preocupadas, porque a epidemia deve levar a uma recessão na Itália no primeiro semestre.

Várias grandes feiras, como o Mido, um evento internacional de óculos, ou a Feira de Móveis e Design, foram adiadas.

Há também o impacto da psicose. "No nível internacional, a questão é vivenciada com muita força. Nas relações com interlocutores estrangeiros, começam a surgir problemas concretos, com menos pedidos, ou reuniões canceladas no exterior", por medo de contágio, diz Renda.

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