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Zaidan: Flamengo e Grêmio farão um espetáculo pela Libertadores

Everton Ribeiro, durante partida entre Flamengo e Grêmio -  REUTERS/Sergio Moraes
Everton Ribeiro, durante partida entre Flamengo e Grêmio Imagem: REUTERS/Sergio Moraes
do UOL

21/10/2019 04h00

O zero a zero basta para que o Flamengo chegue à decisão da Libertadores. Mas taí um jogo do qual empate sem gols é coisa que não se espera.

E é de gol que o Grêmio precisa, ou será o fim da linha para o tricolor. Se o time do Renato fizer um gol e levar outro, a situação terá de ser resolvida nos pênaltis; se marcar dois ou mais e tomar o mesmo tanto, irá à final. Sim, o zero a zero será suficiente para o Flamengo, mas o Jorge Jesus parece não dar a menor pelota para zero a zero.

Notem, não é que o treinador português nunca tenha considerado esse tipo de vantagem, nem que esse seja seu comportamento desde sua primeira experiência à beira de um gramado. É o Jorge Jesus no Flamengo, com os jogadores que tem à disposição, que parece não acreditar em jogos sem gols; antes, demonstra necessidade categórica de mandar seu time atacar e buscar o gol.

Há os críticos que, na falta de melhor argumento, apontam um desequilíbrio, um ofensivismo exagerado, uma suposta despreocupação com a defesa. Nada a ver com a realidade, nada a ver com os números. Há também os que, na impossibilidade de criticarem os resultados, atribuem as vitórias exclusivamente aos jogadores. Ignoram, assim, os inúmeros exemplos, na história do futebol, de bons elencos que não foram adequadamente aproveitados por seus treinadores; exemplos de times que, embora com bons jogadores, foram derrotados pelas escolhas e decisões ruins de seus técnicos.

A liderança do Flamengo no Brasileiro e sua campanha na Libertadores têm, sim, relação direta com a capacidade de seu técnico. O próprio Jorge Jesus, em uma de suas muitas declarações, disse que a maneira de o Flamengo jogar sob seu comando é apenas o resultado de ele considerar as características de seus jogadores.

O esquema, para Jorge Jesus, não é um dogma a ser imposto a qualquer time, mas, sim, a maneira adequada de aproveitar as qualidades e talentos que tem em seu elenco. Aliás, basta que nos lembremos de outros times treinados por Jorge Jesus. Mesmo no Benfica, onde conquistou os principais títulos de sua carreira, ou no Sporting, o esquema de jogo era diferente do que, hoje, se vê no Flamengo. Nenhum treinador deve acreditar que existe apenas um bom esquema.

O rubro-negro de Jorge Jesus ataca bem, ataca muito, mas só o faz por ter gente capaz de realizar as ideias de seu técnico. Não fosse assim, jogaria, obrigatoriamente, de outra maneira; caso contrário, fracassaria. De resto, seria um erro se o Flamengo, apenas por causa de uma vantagem circunstancial prevista no regulamento da Libertadores, abandonasse a maneira de jogar que o levou à semifinal. O Flamengo vai atacar, provavelmente até mais do que na Arena do Grêmio, e Renato sabe que será assim.

O técnico do Grêmio é inteligente e tem experiência de sobra em futebol. E Renato, que também pelo clube da Gávea jogou muita bola, conhece os efeitos de quando se combinam Maracanã lotado e Flamengo em boa fase. Mas o Grêmio também sabe atacar, principalmente com Everton; também Luan pode ser decisivo, mas sua recuperação não está garantida. O meio-campo do time gaúcho arma bem, sobretudo quando Maicon está em campo. Geromel e Kannemann formam ótima zaga central.

O Flamengo, além de ter um goleiro muito bom e que voltou a jogar bem, leva vantagem nas laterais; aliás, a liberação pelo departamento médico de Filipe Luís encerra parte de um drama para Jorge Jesus, embora reste saber se o lateral esquerdo conseguirá jogar o habitual. Rafinha já foi descartado pelo treinador português.

Arão tem feito bem a sua parte, mas é Gerson o principal responsável pela articulação do time, enquanto Everton Ribeiro tanto cuida dos lançamentos longos quanto se torna um quarto atacante. É claro que Arrascaeta faz muita falta para o Flamengo, mas Gabriel e Bruno Henrique já provaram que, mesmo sem o uruguaio, se viram bem.

No noticiário, que nessas ocasiões fica mais sujeito a especulações, lê-se que Arrascaeta será relacionado e ficará no banco. Renato não está exposto a tantas dúvidas, mas carrega suas interrogações quanto às condições de Jean Pyerre e Luan.

Já vimos várias decisões tecnicamente ruins, inclusive em Copa do Mundo. Mas é grande a chance de a partida entre Flamengo e Grêmio ser espetacular, muito mais pelas qualidades e características dos times do que pela importância do embate.

Boca e River, esta terça, resolvem quem fica com a outra vaga na final. No sábado, ambos usaram muitos reservas no Campeonato Argentino. O River empatou com o Arsenal de Sarandi; o Boca perdeu para o Racing e foi alcançado na pontuação pelo Argentino Juniors, mas ainda lidera a competição.

Na primeira partida da semifinal da Libertadores, no Monumental, o River venceu por 2 a 0 e poderia ter feito mais. O Boca, com a assinatura de Alfaro, jogou excessivamente recuado, abusando dos chutões e da correria. Gallardo continua sendo o principal trunfo do River. Independentemente de quais times irão a Santiago, é certo que haverá um grande clássico na decisão da Libertadores deste ano. É lamentável, no entanto, que a final não tenha dois jogos.

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