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No lugar de Bolsonaro, Mourão evitou polêmicas, mas rebateu Carlos

O presidente em exercício, Hamilton Mourão, participa da Conferência Anual do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), no Hotel Renaissance, em São Paulo - Leco Viana/TheNews2/Estadão Conteúdo
O presidente em exercício, Hamilton Mourão, participa da Conferência Anual do Conselho Empresarial Brasil-China (CEBC), no Hotel Renaissance, em São Paulo Imagem: Leco Viana/TheNews2/Estadão Conteúdo
do UOL

Luciana Amaral

Do UOL, em Brasília

17/09/2019 20h44

Presidente da República em exercício até ontem, o vice Antônio Hamilton Mourão (PRTB) evitou polêmicas durante a interinidade decorrente da cirurgia do presidente Jair Bolsonaro (PSL) -- a quarta após o atentado de que foi vítima ano passado.

No primeiro semestre, Mourão chegou a ser alvo de pedido de impeachment sob o argumento de que "conspirava" contra o presidente.

A passagem do vice, agora, foi marcada pela discrição, mas por um contraponto do vice-presidente ao vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ), filho do presidente.

Na terça-feira passada (10), Carlos Bolsonaro publicou em sua conta no Twitter que o Brasil não teria transformação rápida por "vias democráticas". Perguntado sobre a frase, Mourão afirmou que a democracia é fundamental e pediu paciência para que medidas do governo sejam aprovadas.

"Fundamental [a democracia]. São pilares da civilização ocidental. Vou repetir para você: pacto de gerações, democracia, capitalismo e sociedade civil forte. Sem isso a civilização ocidental não existe", disse.

Questionado sobre Carlos, especificamente, falou que é "problema dele" e o filho do presidente é quem tem de responder pela fala.

No dia seguinte, ao comentar um novo imposto sobre transações financeiras em entrevista à imprensa na saída do Palácio do Planalto, disse que qualquer assunto tem de ser discutido, pois "vivemos no período da democracia".

Sem assinaturas

Além da "cutucada" em Carlos Bolsonaro, a agenda de Mourão enquanto presidente em exercício transcorreu sem destaques.

No gabinete, recebeu empresários, ministros e deu entrevista a um jornal. Numa manhã, foi a evento de aposentadoria do porta-voz da Presidência, general Otávio Rêgo Barros, sem discursar.

O vice-presidente não assinou projetos de lei nem editou medidas provisórias de grande importância. Esse papel coube hoje a Jair Bolsonaro, no primeiro dia de volta ao trabalho no Palácio da Alvorada.

Mourão também realizou três viagens já previstas antes de assumir o comando do Planalto. Não houve contratempos nem declarações tidas como polêmicas nas ocasiões, se atendo a assuntos de interesse nacional.

Na segunda (9), deu palestra em conferência do Conselho Empresarial Brasil-China e visitou Bolsonaro no hospital, em São Paulo. Na quinta (12), participou de almoço da Câmara de Comércio Brasil-Alemanha, em Porto Alegre.

Ontem, em Natal, tomou café com a governadora do Rio Grande do Norte, Fátima Bezerra (PT) e foi apresentado ao programa de segurança do estado. Questionado se o encontro poderia causar algum desconforto com Bolsonaro pelo fato de Fátima ser do PT, Mourão negou e justificou que "a gente governa para o país como um todo".

Na capital potiguar, ele ainda se reuniu com industriais da Alemanha, visitou um laboratório de tecnologia da Universidade Federal do Rio Grande do Norte e foi ao monumento e à capela dos mártires de Cunhaú e Uruaçu.

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