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EUA e Filipinas reforçam segurança mútua em águas disputadas com a China

16/07/2019 07h34

Manila, 16 jul (EFE).- As Filipinas e os Estados Unidos decidiram nesta terça-feira reforçar sua cooperação para garantir a "segurança mútua" e a "estabilidade regional" enquanto a China continua expandindo suas atividades militares nas águas disputadas do Mar da China Meridional.

"Ambas partes reconheceram a importância de uma forte aliança Filipinas-EUA para melhorar a cooperação em segurança e promover a estabilidade regional e a prosperidade", indicaram em comunicado conjunto os dois países, que fecharam hoje em Manila a oitava edição de seu diálogo estratégico bilateral de dois dias.

"Temos um mecanismo, o conselho sobre defesa mútua, no qual se debate sobre como fortalecer a relação bilateral em relação ao Tratado de Defesa Mútua", afirmou em entrevista coletiva realizada após a reunião o embaixador filipino em Washington, José Manuel Romualdez.

Os dois países são aliados tradicionais e contam com um Tratado de Defesa Mútua que data de 1951, embora no último ano tenham decidido revisá-lo para que não haja dúvidas sobre como proceder em caso de conflito no Mar da China Meridional, onde a China ocupou à força várias ilhotas que pertencem às Filipinas.

As duas partes lembraram o compromisso do secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, na sua visita oficial a Manila em março, quando ressaltou que "qualquer ataque armado contra as forças armadas filipinas, navios ou aeronaves, ativaria o artigo IV do tratado".

Os EUA, que planejam levar 60% da sua frota naval ao Pacífico, vê com estupor como a potência rival expandiu seu domínio nas águas do Mar da China Meridional, inclusive em áreas que são soberania das Filipinas, como o atol Scarborough ou parte das ilhas Spratly, reconhecidas como filipinas em uma sentença da Corte de Arbitragem da Haia.

Outros países da região, como Malásia, Vietnã, Brunei e Taiwan, também têm reivindicações de soberania nesse mar, onde nos últimos meses foram detectados mais de 500 navios chineses que agem como "uma milícia paramilitar com funções coercitivas e de vigilância", segundo o Pentágono.

Em seu diálogo bilateral, Filipinas e EUA decidiram também estreitar a cooperação na luta contra o terrorismo jihadista na ilha filipina de Mindanao, onde no último ano ocorreram três atentados suicidas por conta da chegada ao país de jihadistas estrangeiros mais radicalizados.

"Nos preocupam estas atividades extremistas no sul das Filipinas, por isso o contraterrorismo seguirá sendo uma peça-chave da nossa colaboração em segurança", ressaltou o embaixador dos EUA na Filipinas, Sung Kim, que termina sua missão em Manila no final do verão e foi indicado como embaixador em Jacarta.

A delegação filipina esteve liderada pelo subsecretário das Relações Exteriores, Enrique Manalo, e o subsecretário de Defesa Nacional, Cesar Yano, enquanto a americana foi liderada pelo secretário adjunto de Estado para Ásia-Pacífico, David Stilwell, e o secretário adjunto de Defesa para o Indo-Pacífico, Randy Schriver. EFE

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