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Em guerra com facção local, PCC já tem 400 membros em presídios paraguaios

Pichação com o a sigla da facção criminosa Primeiro Comando da Capital - Avener Prado - 28.nov.2017/Folhapress
Pichação com o a sigla da facção criminosa Primeiro Comando da Capital Imagem: Avener Prado - 28.nov.2017/Folhapress

José Maria Tomazela

São Paulo

18/06/2019 13h55

Autoridades paraguaias já estimam haver cerca de 400 membros da facção criminosa (Primeiro Comando da Capital) em presídios do país vizinho. Segundo ele, 90% das cadeias têm detentos ligados ao grupo criminoso.

No Paraguai desde 2010, o PCC ganhou força nos últimos três anos, após a morte de um líder do tráfico local. No domingo, 16, rebelião liderada pela facção na penitenciária da cidade de San Pedro del Ycuamandyyu terminou com dez mortos.

Rebelião deixa detentos mortos no Paraguai

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O PCC começou a se infiltrar no Paraguai em 2010, quando um de seus líderes, Elton Leonel da Silva, o Galã, foi à região na tentativa de eliminar intermediários para trazer drogas daquele país. Galã percebeu que o tráfico local era controlado por Jorge Toumani Rafaat, o "rei da fronteira" e, com o apoio da facção carioca CV (Comando Vermelho), montou um plano para matar o rival.

Rafaat foi morto numa ação cinematográfica, em Pedro Juan Caballero, em junho de 2016. Rapidamente, o PCC começou a ocupar os espaços deixados, entrando em conflito com os interesses do CV.

Carro de Jorge Toumani Rafaat, o "rei da fronteira", assassinado em Pedro Juan Caballero, em junho de 2016 - Reprodução
Carro de Jorge Toumani Rafaat, o "rei da fronteira", assassinado em Pedro Juan Caballero, em junho de 2016
Imagem: Reprodução

A guerra entre as duas facções já produziu mais de uma centena de mortes na região de fronteira. Além da disputa das rotas de tráfico, os grupos passaram a arregimentar mão de obra nas prisões. Para manter seu poder sobre os seguidores, os criminosos cooptam agentes e dirigentes do sistema prisional.

Em resposta à ofensiva das facções, o governo paraguaio passou a expulsar os bandidos. Em 2018, foram extraditados 97 presos brasileiros, 60% mais que no ano anterior. Entre os expulsos, estão líderes do PCC, como Thiago Ximenes, conhecido como Matrix, entregue à polícia brasileira em março, e Jarvis Chimenez Pavão, vinculado ao CV, extraditado em novembro.

Rebelião

A suspeita das autoridades paraguaias é que a rebelião desta semana no presídio San Pedro del Ycuamandyyu ocorreu por uma briga entre o PCC e a facção local, conhecida como Clã Rotela, pelo comando da cadeia. Além dos dez mortos, que foram decapitados, queimados ou baleados, houve 12 feridos.

O que sabíamos é que essa gente do clã Rotela trabalhava antes com o PCC. Não tivemos a informação de que esse tipo de confronto pudesse acontecer

Julio Javier Ríos, ministro da Justiça paraguaio

Segundo as investigações preliminares, o massacre está relacionado ao assassinato de dois detentos na sexta-feira (14) no presídio de Tacumbú, em Assunção.

Na ocasião, membros do PCC mataram dois presos e deixaram outro ferido, durante "batismo de sangue" da facção para admitir novos integrantes. As vítimas seriam do clã Rotela. Dois presos envolvidos nessas mortes foram transferidos para San Pedro e, ao encontrarem o grupo criminoso rival, houve confronto.

O governo anunciou nesta segunda-feira (17) a destituição do diretor do presídio de San Pedro, Wilfrido Quintana, e do diretor de Estabelecimentos Penitenciários do Paraguai, Blaz Martínez. As primeiras apurações indicam que as recentes matanças em unidades prisionais do país podem ter acontecido devido à negligência ou cumplicidade dos agentes penitenciários, com a omissão dos dirigentes.

O ministro Ríos afirmou que os membros do PCC envolvidos nos assassinatos podem ser expulsos do país. Ele admitiu, porém, que alguns membros da facção já têm documentos paraguaios, o que dificulta a extradição.

"Há muitos criminosos poderosos dentro do sistema, não só do clã Rotela como também do PCC, do Comando Vermelho e de outros paraguaios que atuam em negócios sujos", afirmou.

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