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Governadores à distância e "abraço hétero": bastidores de Bolsonaro no NE

MARLON COSTA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
24.mai.2019 - O governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB), e o presidente Jair Bolsonaro (PSL), durante reunião do conselho da Sudene Imagem: MARLON COSTA/FUTURA PRESS/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
do UOL

Carlos Madeiro

Colaboração para o UOL, em Maceió

2019-05-25T04:00:00

25/05/2019 04h00

A primeira visita do presidente Jair Bolsonaro (PSL) ao Nordeste ontem foi marcada por uma superestrutura de segurança --que o afastou inclusive dos governadores--, mas também por momentos de descontração, crítica a uma jornalista e até o folclórico "abraço hétero" dado no anfitrião: o governador de Pernambuco, Paulo Câmara (PSB).

No Recife, na manhã de ontem, Bolsonaro participou da reunião do conselho deliberativo da Sudene (Superintendência de Desenvolvimento do Nordeste), que aprovou o PRDNE (Plano Regional de Desenvolvimento do Nordeste). À tarde, em Petrolina, ele inaugurou imóveis do programa federal Minha Casa, Minha Vida.

O governador do Maranhão, Flávio Dino (PCdoB), contou detalhes do encontro no Recife. Primeiramente, sobre a reunião, disse foi "rápida e protocolar". "Ele não cumprimentou nenhum de nós, e ninguém teve contato. Fizeram um negócio meio militarista. Foi uma coisa que chama a atenção, meio atípica. Acredito que eles têm uma psicose de segurança, não sei o que é. Tinha militar que parecia achar que haveria uma invasão estrangeira", brincou.

Dino conta que a forma como a reunião foi organizada foi bem diferente de encontros com os últimos presidentes, onde havia maior liberdade de contato e participação dos convidados.

"Nós chegamos e ficamos confinados numa sala. Aí, daqui a pouco, nos chamaram ao local da reunião. Ele chegou, teve reunião, ele levantou e foi embora", disse, ressaltando que os governadores nem sequer foram chamados para a visita ao Instituto Ricardo Brennand ou para a apresentação de uma orquestra. "Teve essa visita e a apresentação, e só o Paulo Câmara foi convidado. Eles estabelecem uma distância estranha, eu diria", afirmou.

Dino diz que todos os governadores que pediram a palavra puderam falar. "Não houve qualquer animosidade, foi um clima tranquilo."

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Atrito e brincadeira com a imprensa

No Recife, o presidente se irritou com uma pergunta de uma repórter sobre o que ele achava da baixa aprovação popular na região. "Vamos fazer uma pergunta inteligente, por favor", respondeu, rispidamente.

O distanciamento do presidente também foi uma crítica da imprensa que cobria o evento na capital pernambucana. "Nos deixaram bem distante, atrás da plateia. Houve muita reclamação, sobretudo dos fotógrafos e cinegrafistas, porque a plateia levantava e ficava na frente de quem estava fazendo as imagens", contou um jornalista, que não quis se identificar.

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Jair Bolsonaro com seguranças durante visita ao Instituto Ricardo Brennand, no Recife Imagem: MARLON COSTA/FUTURA PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO

Em Petrolina, a entrevista foi mais descontraída. Questionado sobre como foi o clima da reunião, Bolsonaro afirmou que havia sido bom e, para "provar", chamou o governador Paulo Câmara. "Vem cá, Paulo Câmara, me dá um abraço hétero aqui", disse, arrancando risada do anfitrião. "Não tem animosidade; até com o Flávio Dino, que é do PCdoB, tive uma boa conversa", afirmou. Bolsonaro também demonstrou satisfação em visitar a região e prometeu voltar.

Toda primeira vez é muito bom, estou muito feliz.
Jair Bolsonaro, presidente

Governadores satisfeitos

Fora os detalhes de bastidores, os governadores saíram satisfeitos do encontro no que se refere a recursos para financiamento do plano apresentado. "O ponto positivo foi a apresentação pelos governadores da proposta de que 30% do FNE seja usado em obras do plano. Porque questionamos: e o dinheiro para o plano? Precisava de uma coisa concreta. A sinalização do governo foi simpática", afirmou Dino.

Chico Peixoto/LeiaJá Imagens/Estadão Conteúdo
Bolsonaro participa de reunião do conselho da Sudene, no Recife Imagem: Chico Peixoto/LeiaJá Imagens/Estadão Conteúdo

O FNE é o Fundo Constitucional de Financiamento do Nordeste, que neste ano prevê um orçamento de R$ 27,7 bilhões --aumento anunciado ontem de R$ 4 bilhões a mais do que o que havia sido aprovado na lei orçamentária. Com isso, os governadores esperam ter em torno de R$ 8 bilhões ainda neste ano para executar obras do plano apresentado.

"O presidente, ao nosso entender, por uma medida provisória, pode resolver isso e dar legalidade ao fato de o Estado executar esses valores", completou o governador da Bahia, Rui Costa (PT).

O governador piauiense, Wellington Dias (PT), classificou a reunião como "muito importante". "Além da aprovação do plano, tivemos essa garantia de 30% dos recursos do FNE para ser investido direto em infraestrutura", disse.

Já o governador de Sergipe, Belivaldo Chagas (PSD), elogiou o plano de desenvolvimento regional. "Acredito que dessa vez temos um plano factível, o que é extremamente importante para o Nordeste."

O PRDNE reúne em torno de 880 propostas apresentadas pelos nove estados do Nordeste, além de Minas Gerais e Espírito Santo (que também são da área da Sudene). "Ele será um instrumento orientador do planejamento que se propõe a conduzir e a monitorar a política de desenvolvimento regional no horizonte dos próximos 12 anos", disse Mário Gordilho, superintendente da Sudene.

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