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Direitos LGBT na Hungria: Uefa é alvo de protestos após proibir estádio alemão de exibir cores do arco-íris

22/06/2021 14h09

A Hungria está sob uma enxurrada de críticas depois de ter adotado emendas à sua legislação proibindo o que considera "promoção da homossexualidade junto a menores". Em protesto, a prefeitura de Munique tinha a intenção de iluminar com as cores do arco-íris o estádio onde a seleção alemã enfrenta a húngara pela Eurocopa, mas a Uefa barrou a iniciativa. Nesta terça-feira (22), países europeus expressaram sua "profunda preocupação" com o desrespeito dos direitos LGBT pelo governo de Viktor Orbán. 

A Hungria está sob uma enxurrada de críticas depois de ter adotado emendas à sua legislação proibindo o que considera "promoção da homossexualidade junto a menores". Em protesto, a prefeitura de Munique tinha a intenção de iluminar com as cores do arco-íris o estádio onde a seleção alemã enfrenta a húngara pela Eurocopa, mas a Uefa barrou a iniciativa. Nesta terça-feira (22), países europeus expressaram sua "profunda preocupação" com o desrespeito dos direitos LGBT pelo governo de Viktor Orbán. 

Ao proibir a cidade de Munique de iluminar seu estádio com as cores do arco-íris em protesto contra a política da Hungria sobre as minorias sexuais, a Uefa respeitou o que prevê seus estatutos, mas também gerou fortes críticas. 

O que os alemães já chamam de "Rainbow-gate" foi desencadeado pela prefeitura de Munique. Para se opor a emendas a uma lei considerada discriminatória contra pessoas LGBT, votada na semana passada pelo Parlamento de Budapeste, a cidade bávara pediu à Uefa - organizadora da Eurocopa - autorização para iluminar na quarta-feira (23) com as cores do arco-íris o estádio onde a Alemanha enfrentará a Hungria.

A resposta negativa veio nesta terça-feira. A Uefa afirma que compartilha os valores de tolerância promovidos por esta iniciativa, mas como uma "organização política e religiosamente neutra", não pode aceitar veicular uma mensagem especificamente dirigida a um país, ou a um governo.

A iniciativa de Munique surgiu depois que foram aprovadas emendas a várias leis húngaras (sobre proteção da infância, atividade publicitária, veículos de imprensa, proteção da família e educação pública) que vetam "a promoção de uma identidade de gênero diferente da do nascimento, a mudança de sexo, ou a homossexualidade" para menores de 18 anos. 

Dia do Orgulho LGBT

Como alternativa, a Uefa propôs iluminar o estádio de Munique com as cores do arco-íris em 28 de junho, ou no início de julho, para coincidir com os eventos que acontecerão para marcar o dia do Orgulho LGBT na cidade. Por outro lado, a instituição não se pronunciou sobre o fato de o capitão da seleção alemã, Manuel Neuer, usar, desde o início do torneio, uma braçadeira com as cores do arco-íris. 

Diversos países questionaram a decisão da entidade que administra o futebol europeu. O secretário de Estado francês das questões europeias, Clément Beaune, lamentou a recusa, dizendo que a iluminação do estádio com as cores do arco-íris "seria um sinal forte". "Estamos além de uma mensagem política, seria uma profunda mensagem sobre valores", considerou. 

A candidata do partido Verde alemão Annalena Baerbock pediu que todo o país exibisse bandeiras com as cores do arco-íris na quarta-feira. Gary Lineker, ex-extrela do futebol inglês, tuitou: "Faça mesmo assim, Munique. Acenda as luzes para que todo mundo veja". 

"Teria sido um milagre, se a Uefa tivesse autorizado. Mas é bom ver a cidade de Munique e a Federação Alemã apoiarem esta iniciativa", disse Luca Dudits, porta-voz da ONG Hatter, defensora dos direitos LGTB na Hungria. "A Uefa estava numa posição delicada. Há uma grande base homofóbica e tradicionalista entre os torcedores húngaros", explicou.

Já o ministro das Relações Exteriores da Hungria saudou o que considerou "bom senso" por parte da Uefa. Para ele, autorizar a iniciativa seria "uma provocação política contra Budapeste". 

A votação da controversa lei resultou em uma declaração de 13 países europeus, liderados pela Bélgica, que expressa "uma profunda preocupação quanto à adoção, pelo parlamento húngaro, de emendas discriminatórias, contra as pessoas LGBTQI e violando o direito da liberdade de expressão sobre o pretexto de proteger as crianças". O documento foi assinado pela Holanda, Luxemburgo, França, Alemanha, Irlanda, Espanha, Dinamarca, Finlândia, Suécia, Lituânia, Letônia e Estônia. 

"Pedimos à Comissão Europeia, como guardiã dos tratados, que utilize todas as ferramentas à sua disposição para garantir o pleno respeito do direito europeu, inclusive acionando a Corte de Justiça da União Europeia", indicam os signatários. 

Cores do arco-íris invadirão Munique

Apesar da resposta negativa da Uefa, o estádio que pertence ao Bayern de Munique ainda pode ser enfeitado com as cores do arco-íris na quarta-feira. Em colaboração com a Anistia Internacional, os organizadores da marcha do Orgulho LGBT da cidade planejam distribuir 11.000 bandeiras aos espectadores. A prefeitura local também anunciou nesta terça-feira que vai decorar vários edifícios com as cores do arco-íris.

Outras iniciativas de solidariedade continuam a surgir. A televisão privada alemã ProSieben decidiu adornar seu logotipo com as cores do arco-íris. Os times de futebol de Frankfurt e Colônia também anunciaram que vão iluminar seus próprios estádios com as cores. 

"Os acontecimentos na Hungria são terríveis. É importante enviar um sinal", declarou o presidente do FC Colônia, Alexander Wehrle.

"A Uefa não compreendeu os sinais do nosso tempo, e é fácil ver de que lado se posiciona com sua decisão", criticou o porta-voz da Federação Alemã dos LGBT, Markus Ulrich.

Uma porta-voz da Comissão Europeia considerou que era "uma boa ideia expressar o seu apoio à comunidade LGBT na União Europeia, também no âmbito esportivo, cultural, ou outras manifestações". No entanto, reconheceu que os líderes do bloco "não têm o poder" de convencer uma organização esportiva a participar de uma manifestação.

(Com informações da AFP)

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