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Powell acalma temores de inflação e reitera que taxas do Fed permanecerão baixas

23/02/2021 18h51

Washington, 23 Fev 2021 (AFP) - O presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, Jerome Powell, acalmou as preocupações do mercado sobre o aumento da inflação, reiterando nesta terça-feira (23) que as taxas de juros permanecerão baixas até que o mercado de trabalho se recupere e os preços subam de forma consistente.

A pandemia de coronavírus segue sendo o fator determinante para a recuperação da maior economia do mundo, mas Powell disse que as vacinas trazem esperança de que as coisas possam voltar a alguma normalidade. Enquanto isso, o Fed conta com ferramentas para controlar os aumentos de preços.

Em meio à discussão de um novo megapacote de ajuda econômica de 1,9 trilhão de dólares, Powell também minimizou a urgência de reduzir o atual déficit fiscal de 3 trilhões de dólares.

Em um cenário de crescentes temores nos mercados, Powell procurou tranquilizar os investidores durante o primeiro dia de sua audiência semestral perante o Congresso. O medo é que uma rápida recuperação pós-pandemia, alimentada por mais estímulos oficiais, leve a um aumento nas taxas de juros para conter a inflação e reduza as chances de as empresas se bancarem.

A inflação vai subir e será "volátil" este ano, quando os americanos começarem a gastar mais, explicou. No entanto, ele disse ao Comitê Bancário do Senado que esses aumentos de preços provavelmente não serão generalizados ou persistentes.

"Depois de quedas acentuadas na primavera (2020), os preços ao consumidor subiram parcialmente pelo resto do ano", mas "permanecem baixos" em vários setores particularmente afetados pela pandemia, ressaltou Powell. "Em 12 meses, a inflação continua abaixo da nossa meta de 2%", observou.

A economista-chefe do FMI, Gita Gopinath, afirmou recentemente que as previsões do FMI apontam para uma inflação de 2,25% nos Estados Unidos, em 2020.

"Tivemos menos de 2% de inflação nos últimos 25 anos", lembrou Powell, apontando que mudanças no índice de preços ao consumidor não acontecem da noite para o dia.

O Federal Reserve manterá seus juros baixos enquanto a inflação não ultrapassar 2% e a economia não se aproximar do pleno emprego, afirmou.

Há um "longo caminho" antes de ver um progresso significativo no mercado de trabalho, explicou aos senadores, acrescentando que as vacinas contra o novo coronavírus devem "acelerar" a retomada econômica e oferecer "um vislumbre de esperança para retornar às condições mais normais neste ano".

Em meio à pandemia, o Fed baixou suas taxas básicas de juros a níveis mínimos de 0 a 0,25% em março, o que não tem intenção de aumentar no curto prazo.

Também manterá suas compras de ativos "ao menos no nível atual" até que "progresso substancial" seja visto em relação às metas estabelecidas pela instituição, destacou Powell.

O presidente do banco central dos EUA disse que o nível real de desemprego está próximo de 10%, não 6,3%, como a taxa oficial de janeiro.

- "Temos as ferramentas" -Powell insistiu que o Fed está preparado para diferentes cenários. Portanto, "se ocorrerem pressões inflacionárias indesejadas que sejam persistentes (...) temos as ferramentas para lidar com elas".

Em mais de uma década desde a crise de 2008, a inflação nos Estados Unidos quase não excedeu a meta de 2% da instituição, mesmo quando o desemprego atingiu uma baixa histórica de 3,5% em fevereiro de 2020 e a capacidade de consumo se via fortalecida.

Isso levou o banco central a mudar de perspectiva. Em vez de aumentar as taxas de referência à medida que o desemprego cai para conter a inflação, ele as manterá até que o aumento de preços supere a meta por um período considerável.

A perspectiva de novos estímulos econômicos que possam impulsionar a atividade gera temores de um superaquecimento da economia.

Assim, a taxa de juros dos títulos do Tesouro de 10 anos - chave para antecipar as expectativas de inflação - subiu fortemente nos últimos dias, o que atingiu a bolsa por temores de que o Fed aumentaria suas taxas antes do esperado, embora a economia não tenha se recuperado totalmente.

Powell buscou afastar essas preocupações mostrando que o Federal Reserve continuará atuando na economia.

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