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OCDE reduz otimismo sobre crescimento em 2021 diante de panorama incerto

01/12/2020 12h48

Paris, 1 dez 2020 (AFP) - A perspectiva de uma saída da crise se aproxima, graças à futura vacina contra o coronavírus, mas no curto prazo o panorama é incerto - afirmou a OCDE, nesta terça-feira (1), reduzindo sua previsão de crescimento mundial para 2021: 4,2%, contra 5% na estimativa anterior.

"Pela primeira vez, desde o início da pandemia, se observa esperança em um futuro promissor", afirmou a Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE) em seu relatório semestral.

A OCDE também corrigiu seu cálculo para 2020, mas, desta vez, com revisão de alta: o Produto Interno Bruto (PIB) mundial retrocederá 4,2%, contra 4,5% da previsão anterior, publicada em setembro.

A pandemia provocou pelo menos 1,4 milhão de mortes e mais de 62,7 milhões de contágios no planeta.

No Brasil, por exemplo, um dos países mais afetados pela doença, com mais de 172.000 mortes, o PIB deve recuar 6% este ano e registrar alta de 2,6% em 2021.

"A forte resposta da política fiscal e monetária conseguiu evitar uma contração econômica mais aguda no Brasil", elogia a OCDE em seu relatório.

No México, a economia deve crescer 3,6% em 2021, após uma contração de 9,2% este ano, aponta a organização, que alerta para o desafio de conter novos focos de covid-19.

O mundo deve recuperar o crescimento prévio à crise de saúde no fim de 2021, quando, em geral, todos os países sairão do vermelho: +3,2%, nos Estados Unidos; +3,6%, na Eurozona; +7,9%, na Índia; e +8%, na China, o único país que não encerrará 2020 com resultado negativo e que deve registrar crescimento 1,8%.

Para 2022, a OCDE prevê um crescimento de 3,7%.

- Pedido de prudência -A futura vacina injeta otimismo nos analistas.

Na segunda-feira, o laboratório americano Moderna solicitou autorização para sua vacina nos Estados Unidos, depois que os resultados completos dos testes confirmaram uma eficácia de 94,1%.

Nesta terça, a Pfizer/BioNTech fez o mesmo pedido às autoridades europeias e espera que sua vacina possa ser distribuída o mais rápido possível.

"A perspectiva de uma saída da crise melhorou, graças aos progressos alcançados no desenvolvimento de uma vacina eficaz, mas as perspectivas no curto prazo continuam sendo incertas, e a retomada das atividades acontece a um ritmo hesitante", afirma a OCDE.

"Há esperança", afirmou o secretário-geral da OCDE, Ángel Gurría, advertindo que os "desafios logísticos" para distribuir a vacina em grande escala são enormes.

O ressurgimento da pandemia, com uma segunda onda que colocou muitos países em dificuldades, e "as medidas de contenção decretadas frearam o ritmo da recuperação econômica mundial, depois que a produção desabou no primeiro semestre de 2020", afirma o documento.

E a tendência "persistirá por um certo tempo, diante dos desafios que devem ser superados, em termos de desenvolvimento e de logística, antes da possibilidade de distribuir uma vacina em larga escala em todo mundo", alerta a organização, que tem sede em Paris.

A OCDE se preocupa, especialmente, com as pessoas sem qualificação profissional, com os jovens e com as pequenas empresas, nas palavras da economista-chefe da instituição, Laurence Boone.

Segundo a especialista, os governos "não fazem o suficiente" para lutar contra o desemprego, que afeta, sobretudo, os trabalhadores com menos recursos. Nos Estados Unidos, por exemplo, em novembro, o índice de emprego daqueles que têm os salários mais altos voltou ao nível de janeiro. Já no caso daquelas pessoas que ganham menos continua sendo 20% inferior ao registrado no início do ano.

Na zona do euro, o desemprego na faixa da população entre 15 e 24 anos é muito elevado e, na Espanha, passa de 30%.

A OCDE também lamenta que a fatura mais alta desta crise seja paga pelas pequenas e médias empresas, porque são "as que mais emprego geram". Também são as que mais risco correm de quebrar neste momento, devido às dívidas acumuladas.

Nesse cenário, a OCDE reforça seu pedido de que ninguém tenha ilusões: "Viver ainda com o vírus por mais seis ou nove meses vai ser complicado".

Ao comentar a resposta econômica, a OCDE está alinhada com o Fundo Monetário Internacional (FMI): as políticas monetárias e orçamentárias atuais, expansionistas, devem continuar. Não é o momento de apertar os parafusos.

"Garantir que a dívida seja uma carga suportável será uma prioridade apenas quando a recuperação estiver encaminhada", alerta.

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