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França reitera oposição ao acordo entre UE e Mercosul, que acelera desmatamento na Amazônia em 5%

18/09/2020 10h57

A França reiterou sua oposição ao acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul da maneira como foi elaborado e considera o desmatamento na região amazônica um problema "maior" das negociações. A informação foi divulgada pelo governo nesta sexta-feira (18).

A França reiterou sua oposição ao acordo comercial entre a União Europeia (UE) e o Mercosul da maneira como foi elaborado e considera o desmatamento na região amazônica um problema "maior" das negociações. A informação foi divulgada pelo governo nesta sexta-feira (18).

Depois de receber relatório de 184 páginas de um comitê de especialistas independentes, presidido pelo economista Stefan Ambec, alertando para os riscos ambientais que a entrada em vigor desse acordo poderia acarretar, o governo francês apresentou três "exigências" para dar continuidade às negociações.

Entre elas está o respeito ao Acordo de Paris sobre as mudanças climáticas. Em um tuíte publicado nesta sexta-feira, o primeiro-ministro francês, Jean Castex, disse que a decisão é coerente com os compromissos ambientais do país e da Europa. "O desmatamento coloca em perigo a biodiversidade e desregula o clima. O relatório entregue por Stefan Ambec conforta a posição da França de se opor ao projeto UE-Mercosul."

O governo francês exige também que as importações para o bloco provenientes dos países do Mercosul (Argentina, Brasil, Paraguai, Uruguai) respeitem as normas sanitárias e ambientais europeias. "O projeto de acordo não contém nenhum dispositivo que permita disciplinar as práticas dos países do Mercosul no combate ao desmatamento. Isso é o principal ponto que falta neste acordo e o principal motivo pelo qual, no estado atual, as autoridades francesas se opõem ao projeto", declarou o governo francês a uma coletiva de imprensa.

Além disso, Paris rejeita "a falta de ambição" do texto atual em relação às questões ambientais. O relatório foi encomendado pelo governo francês no ano passado para avaliar o impacto desse acordo de livre-comércio assinado em 2019, após cerca de duas décadas de negociações.

O presidente francês, Emmanuel Macron, já havia decidido, no fim de agosto, bloquear o acordo comercial, fechado em 28 de junho de 2019. Ele acusou o presidente brasileiro, Jair Bolsonaro, de mentir e desprezar os motivos de preocupação com os efeitos e consequências sobre as mudanças climáticas, em meio a uma crise diplomática com o brasileiro Jair Bolsonaro, decorrente dos incêndios na Amazônia, que progrediram 28% em um ano.

Expectativas ambientais

 "O acordo representa uma oportunidade desperdiçada para a UE usar seu poder de negociação para obter garantias sólidas que respondam" às "expectativas ambientais, de saúde e sociais dos seus concidadãos", concluiu a comissão de especialistas. Concretamente, avalia-se o risco de desmatamento ao estimular a área adicional de pastagens que seriam necessárias ao Mercosul para suprir o aumento da produção de carne bovina destinada à UE (entre 2% e 4%) e conclui em "uma aceleração anual de 5%".

O relatório, estima também "entre 4,7 e 6,8 milhões de toneladas equivalentes de CO2" o aumento de emissões de gases de efeito estufa gerado pelo acordo e questiona se os "ganhos econômicos" superam "os custos climáticos", com base em um valor de carbono de 250 euros por tonelada. Ao mesmo tempo, o documento lamenta que, embora o texto cite o Acordo de Paris contra a mudança climática, não haja "condições específicas" para ambas as partes enfrentarem "suas responsabilidades com as gerações futuras".

Além da França, diversos países, como Alemanha, Bélgica, Irlanda e Áustria, expressaram recentemente sua relutância em prosseguir com o acordo, principalmente devido ao desmatamento. Para que entre em vigor, todos os parlamentos nacionais da UE têm de ratificá-lo.

(Com informações da RFI e AFP)

 

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