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COVID-19 agrava queda das exportações da América Latina, afirma BID

03/06/2020 07h43

Washington, 3 Jun 2020 (AFP) - A pandemia de COVID-19 agravou a tendência de queda das exportações da América Latina que era observada desde o ano passado, e o futuro não parece promissor - afirma um relatório do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID) publicado nesta quarta-feira (3).

A edição mais recente do relatório "Estimativas das Tendências Comerciais da América Latina e Caribe", que analisa o desempenho de 15 países da região, mostra que o valor dos envios registrou contração de 3,2% no primeiro trimestre de 2020 na comparação com o mesmo período do ano anterior, quando a redução foi de 2,2%.

O fator mais importante da contração foi a redução dos fluxos de exportação entre países da América Latina (-8,6%), seguido pela redução dos envios à União Europeia (-7,1%) e Estados Unidos (-1,0%).

Motor para o setor externo do continente nos últimos anos, a China paralisou sua demanda à região (-0,1%), destaca o relatório, que aponta o restante da Ásia como o único fator de expansão para as vendas externas latino-americanas.

De acordo com as estimativas do BID, a contração do valor das exportações da região se aproxima de 30% em ritmo anual em abril, e o cenário deve prosseguir pelo menos até junho.

"Olhando para o futuro, a região enfrenta uma contração das exportações mais profunda do que a do Grande Colapso do Comércio de 2008-2009, quando as vendas externas registraram contração a uma taxa média de 24% durante 13 meses", disse Paolo Giordano, o principal economista do Setor de Integração e Comércio do BID e coordenador do estudo.

A pesquisa mostra que a redução da demanda global afetou a região tanto no volume como nos preços.

O volume de exportações da região registrou queda de 1,2% em ritmo anual no primeiro trimestre de 2020, depois de avançar 0,5% em 2019. E a contração da demanda global provocou a redução dos preços dos principais produtos básicos exportados pela região.

Em janeiro-abril de 2020, o preço do petróleo desabou 32% em ritmo anual, mas também foram registradas quedas nos valores do cobre (-11,9%), soja (-2,2%) e café (-4,4%). O principal produto básico da região que teve aumento no primeiro quadrimestre foi o minério de ferro (+2,9%).

Os efeitos da crise econômica global provocada pela pandemia de COVID-19 sobre o setor externo da região começaram em março, três meses após o registro do primeiro caso da doença na China.

Grande exportador de produtos básicos que tem a China como parceiro central, a América do Sul foi a primeira sub-região a sofrer os efeitos. As exportações caíram 7,6% em ritmo anual, depois de uma queda de 6,2% em média em 2019.

ad/lda/fp/tt

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