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Turquia e Rússia fecham nova trégua para evacuação de curdos

22/10/2019 16h41

BEIRUT E ISTAMBUL, 22 OUT (ANSA) - O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e seu homólogo turco, Recep Tayyp Erdogan, realizaram uma reunião sobre a ofensiva da Turquia contra a minoria curda no nordeste da Síria, onde expira a trégua nesta terça-feira (22), e fecharam um novo acordo de cessar-fogo.   

Durante o encontro, os dois presidentes concluíram um "acordo histórico". Conforme revelado pelo ministro das Relações Exteriores da Rússia, Sergei Lavrov, as milícias curdas vão deixar a fronteira entre Síria e Turquia em até 150 horas. A minoria precisará se afastar em no mínimo 30 quilômetros. Além disso, Lavrov explicou que a Rússia, principal aliado do presidente sírio, Bashar al Assad, enviará militares para a região na tentativa de patrulhar a área ocupada pelos curdos. "A situação na região é muito tensa. Todos entendemos isso. O nosso encontro de hoje, as nossas conversas, são muito necessárias", disse Putin ao receber Erdogan em Sochi, nesta manhã.   

Na ocasião, o líder russo ressaltou que o alto nível das relações entre as nações desempenharia "o seu papel na regulação de todos os assuntos atuais que afetam a região", além de permitir encontrar uma resposta para todas as perguntas, inclusive as mais difíceis, tanto de interesse da Turquia como da Rússia e de todos os países". Erdogan, por sua vez, disse que "a Turquia e a Rússia combatem o terrorismo e respeitam a integridade territorial e a unidade pública da Síria". Ele garantiu que "quem quiser criar um corredor de terror no norte da Síria não pode" graças à operação militar de Ancara.   

Mais cedo, o presidente turco chegou a ameaçar os curdos, dizendo que retomaria a ofensiva na Síria caso não saíssem da fronteira antes do cessar-fogo terminar.   

Até o momento, 1.300 membros da milícia da Unidade de Proteção Popular (YPG) ainda precisavam recuar antes das 22h (horário local) de hoje, alertou Erdogan. A ofensiva turca teve início no último dia 9 de outubro e está suspensa até esta noite, após um acordo de cessar-fogo negociado entre Washington e Ancara.   

"Se as promessas feitas pelos americanos não forem respeitadas, a operação será retomada com mais força ainda", destacou.   

A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou que mais de 176 mil pessoas, incluindo 80 mil crianças, foram deslocadas nas últimas duas semanas na região, onde vivem cerca de 3 milhões de pessoas. Ao todo, 120 civis foram mortos, juntamente com 259 combatentes curdos, 196 rebeldes sírios e sete soldados turcos, informou o Observatório Sírio para os Direitos Humanos (SOHR). Estados Unidos - O governo norte-americano informou que as milícias curdas na Síria já deixaram a região, o que significaria que a minoria cumpriu o prazo. A interrupção nos combates foi acertada durante visita do vice-presidente dos Estados Unidos, Mike Pence, e do secretário de Estado, Mike Pompeo, à Ancara. O estopim da crise foi a retirada das tropas norte-americanas do nordeste da Síria anunciada pelo presidente dos EUA, Donald Trump, que após a ofensiva turco impôs sanções ao governo de Erdogan. Hoje, inclusive, o Exército do Iraque afirmou que os militares que estão deixando a Síria não poderão ser mantidos no país.   

(ANSA)
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