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Células cancerosas se tornam canibais para sobreviverem à quimioterapia

17/09/2019 20h18

Washington, 17 set (EFE).- Algumas células cancerosas devoram seus pares tumorais vizinhos para tentarem sobreviver à quimioterapia e retomar o ataque após a conclusão do tratamento, segundo um artigo publicado nesta terça-feira pelo "Journal of Cell Biology".

O estudo determinou que a quimioterapia não mata essas células cancerosas que, em geral, só deixam de proliferar e passam a um estado latente, mas metabolicamente ativo conhecido como senescência.

"É extremamente importante que compreendamos as propriedades destas células cancerosas senescentes que as permite sobreviver depois do tratamento químico", afirmou Crystal Tonnessen-Murray, pesquisadora da Faculdade de Medicina da Universidade Tulane, no estado americano da Louisiana.

Os medicamentos usados na quimioterapia, como a doxorrubicina (ou hidroxildaunorrubicina), são antibióticos que atacam o DNA das células cancerosas, mas aquelas que sobrevivem ao tratamento inicial podem promover novamente o tumor.

Este é um processo, por exemplo, no câncer de mama, que retém uma cópia normal de um gene chamado TP53, explicou a nota.

Aequipe de Tonnessen-Murray descobriu que, após o tratamento com doxorrubicina ou outros medicamentos comuns na quimioterapia do câncer, as células do câncer de mama tornam-se senescentes e envolvem as células próximas.

A publicação inclui uma série de vídeos que mostram este comportamento que surpreendeu os cientistas e que não ocorre apenas em células cancerosas cultivadas no laboratório, mas também em tumores que crescem em ratos.

A pesquisa descobriu que as células de câncer de pulmão e ósseo são capazes de devorar as vizinhas quando se tornam senescentes. O mecanismo pelo qual as senescentes canibais operam inclui a ativação de um grupo de genes que se encontra normalmente nos glóbulos brancos no sangue que concorrem para combater micróbios invasores ou resíduos celulares.

Uma vez que as células cancerosas senescentes comem as vizinhas, as digerem e dissolvem em lisossomos, estruturas celulares ácidas que se mantêm muito ativas nas células senescentes.

Os pesquisadores determinaram que esta voracidade permite que as senescentes sigam vivas e sobrevivam por mais tempo que as células cancerosas senescentes que não comem os pares.

A suposição é que a ingestão das vizinhas dá às células cancerosas senescentes a energia e os materiais que necessitam para sobreviverem ao ataque dos medicamentos e gerem os fatores que levarão à reaparição do tumor. EFE

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