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No G20, Bolsonaro recebe príncipe saudita suspeito por morte de jornalista

AFP
Mohammed bin Salman virou líder da Arábia Saudita no ano passado Imagem: AFP
do UOL

Talita Marchao

Do UOL, em São Paulo

2019-06-24T17:43:53

2019-06-24T17:43:53

24/06/2019 17h43Atualizada em 24/06/2019 17h43

A agenda do presidente Jair Bolsonaro (PSL) durante a Cúpula do G20, que será realizada no Japão no fim desta semana, prevê uma reunião bilateral com o príncipe saudita, Mohammed bin Salman. O herdeiro do trono é suspeito de envolvimento na morte de um jornalista no consulado saudita na Turquia --Jamal Khashoggi foi esquartejado dentro do local.

O encontro entre Bolsonaro e Salman ocorre no sábado, antes do encerramento do encontro das 20 maiores economias do mundo, em Osaka. Um relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), divulgado na semana passada, associa o príncipe herdeiro ao assassinato do jornalista em outubro do ano passado.

Khashoggi era colunista do jornal americano Washington Post e crítico da monarquia saudita e foi morto dentro da missão diplomática em Istambul, onde tratava de trâmites de seu futuro casamento.

Até hoje o corpo do jornalista não foi encontrado. A Turquia afirma que Khashoggi foi estrangulado assim que entrou no consulado e esquartejado --na época, a imprensa turca chegou a afirmar que o corpo do colunista teria sido dissolvido em ácido ou queimado em um forno.

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O jornalista saudita Jamal Khashoggi, assassinado no ano passado no consulado da Arábia Saudita na Turquia Imagem: Getty Images

O relatório da ONU, que será apresentado na íntegra nesta semana, afirma que Khashoggi "foi vítima de uma execução deliberada e premeditada pela qual a Arábia Saudita é responsável sob as leis internacionais em matéria de direitos humanos". O documento cita 15 sauditas, entre eles um médico forense, que foram enviados para Istambul para matar o jornalista --todos com vínculos diretos com o gabinete no príncipe herdeiro.

"Tendo em conta as provas críveis sobre as responsabilidades do príncipe herdeiro no assassinato, estas sanções também deveriam incluir o príncipe herdeiro e seus bens pessoais no exterior", diz o documento. Especialista da ONU em direitos humanos e responsável pelo caso, Angès Callamard teve acesso às gravações efetuadas pelos serviços secretos turcos no consulado saudita no dia do assassinato.

A monarquia saudita afirma que Khashoggi foi morto em uma operação não autorizada pelo governo e que os funcionários envolvidos no caso foram destituídos. A Turquia acusa o governo saudita de envolvimento no crime e pede a extradição dos agentes envolvidos no crime, mas Riad diz que todos serão julgados em solo saudita.

O Itamaraty foi procurado para falar sobre o tema do encontro entre Bolsonaro e Salman e comentar sobre o caso do assassinato do jornalista. Assim que um posicionamento for enviado, este texto será atualizado.

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