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Nacionalistas do PiS vencem eleições europeias na Polônia, diz boca de urna

2019-05-26T20:21:00

26/05/2019 20h21

Nacho Temiño.

Varsóvia, 26 mai (EFE).- O Lei e Justiça (PiS), partido nacionalista-conservador que governa a Polônia, venceu as eleições europeias realizadas neste domingo, segundo pesquisas de boca de urna divulgadas pela imprensa local, o que transforma a legenda em favorita para o pleito legislativo de novembro deste ano.

O PiS obteve 42,4% dos votos, de acordo com as pesquisas, enquanto a Coalizão Europeísta, que reúne partidos de diferentes espectros ideológicos e foi criada para enfrentar os governistas nas eleições europeias, conquistou 39,1% da preferência do eleitorado.

Apesar da união dos opositores e das contínuas críticas feitas pela Comissão Europeia às reformas realizadas na Polônia, o PiS pode ter conseguido o melhor resultado de sua história nas eleições europeias, muito superior os 31,78% do pleito de 2014.

O líder do PiS, Jaroslaw Kaczynski, afirmou neste domingo que o partido enfrentará a "batalha decisiva" pelo futuro do país em novembro, quando serão realizadas as eleições legislativas.

"Os eleitores poloneses apreciaram nestas eleições europeias o fato de o PiS ter cumprido a maioria de suas promessas, o que gera confiança do eleitorado e nos permitiu superar em votos o bloco europeísta, vítima das diferentes ideologias dos partidos que o compõe", disse à Agência Efe o analista político Bartlomie Biskup.

Entre as chaves para a vitória do PiS também estão as ambiciosas medidas sociais implementadas pelo partido: ajuda de 125 euros mensais por filho às famílias até que eles completem 18 anos, privilégios fiscais e econômicos para mães com quatro ou mais filhos, isenção fiscal para jovens de até 26 anos e pagamento extra anual para os aposentados.

Os analistas consideram que as eleições deste domingo são um teste do que pode acontecer no pleito legislativo. Uma vitória do PiS com mais de 40% dos votos é vista como uma confirmação de que a oposição terá muito trabalho para reverter o quadro nacionalmente.

Grzegorz Schetyna, presidente da Plataforma Cidadã, partido que lidera a Coalizão Europeísta, tentou apresentar um cenário otimista e destacou que conseguiu reunir diferentes forças políticas.

"Isso, por si só, já é um êxito e um princípio do caminho para recuperar a normalidade democrática na Polônia", afirmou.

O desejo de encerrar a hegemonia do PiS é o que une esses partidos, uma luta que pode se enfraquecer com os resultados de hoje e levar as legendas a apresentar candidaturas próprias nas eleições legislativas de novembro.

Segundo pesquisa realizada pelo Instituo Ipsos, o terceiro partido mais votado nas eleições europeias na Polônia foi o Primavera, do ativista gay Robert Biedron, com 6,6%. O quarto lugar ficou com o Konfederacja, legenda ultraconservadora e contrária à União Europeia, com 6,1% da preferência do eleitorado europeu.

Se confirmados os resultados, o PiS elegeria 24 eurodeputados, dois a mais que a Coalizão Europeísta. O Primaveria teria três, assim como o Konfederacja.

A ascensão de Biedron, político independente de ideologia progressista e laica, algo pouco comum na Polônia, também é uma grande novidade da eleição. Seu partido, criado neste ano, começa a se colocar como uma força que deve ser levada em consideração nas eleições parlamentares do fim do ano.

Biedron teve o apoio do atual vice-presidente da Comissão Europeia, Franz Timmermans, e defende a legalização do abordo e do casamento gay, a separação radical entre Igreja e Estado, e o fim da dependência energética do carvão até 2025.

Na Eurocâmara, o PiS pode ser convencido a integrar a aliança europeia proposta pelo vice-primeiro-ministro da Itália, Matteo Salvini, que visa reunir em uma única coalizão todos os partidos nacionalistas do continente.

A participação nas eleições europeias na Polônia foi de 43%, bastante superior aos 28% do pleito de 2014.

Os resultados oficiais das eleições no país só serão divulgados amanhã. EFE

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