Topo

Centenas protestam por fechamento de fronteira entre Venezuela e Colômbia

2019-02-23T10:35:00

23/02/2019 10h35

Ureña (Venezuela), 23 fev (EFE).- Aproximadamente 100 pessoas se concentraram neste sábado na ponte Francisco de Paula Santander, que liga o estado de Táchira, na Venezuela, com o de Norte de Santander, na Colômbia, para protestar contra a barricada montada pela Força Armada Nacional Bolivariana (FANB) que impede o trânsito entre os dois países.

Para dispersar a manifestação, os militares começaram a lançar bombas de gás lacrimogêneo contra os cidadãos que chegavam ao local desde o início da manhã e pretendiam atravessar a ponte para o país vizinho.

A maioria desconhecia a ordem do governo de Nicolás Maduro emitida ontem à noite segundo a qual todas as pontes binacionais de Táchira devem permanecer fechadas até segundo aviso.

O bloqueio das ligações terrestres entra em vigor justo no dia em que a oposição pretende fazer entrar através das fronteiras a ajuda humanitária doada por vários governos e que se acumula em cidades como a colombiana Cúcuta.

No começo do protesto houve momentos em que a tensão aumentou, como quando os manifestantes movimentaram à força as barricadas colocadas pelos militares e avançaram cerca de mais cinco metros rumo à ponte.

Os manifestantes tentaram convencer os efetivos das forças armadas venezuelanas a permitirem a passagem com o argumento de que têm trabalhos e familiares que precisam de atenção do outro lado da ponte.

Diante da insistência de uma manifestante que protestava em frente aos militares, um deles respondeu que não poderia deixá-la passar pois estava cumprindo uma "ordem presidencial".

Os agentes estão vestidos e armados com indumentária antidistúrbio e quase todos têm em suas mãos bombas de gás lacrimogêneo, um armamento não letal comumente utilizado pelas forças da ordem para reprimir os protestos antigovernamentais.

Enquanto isso, na ponte internacional Simón Bolívar, a passagem também amanheceu fechada e a de Las Tienditas segue sem novidades, igualmente bloqueada com obstáculos colocados esta semana pelo exército venezuelano.

A tensão nas fronteiras da Venezuela aumentou depois dos fechamentos ordenados por Maduro. A passagem para o Brasil, onde também estão armazenadas doações, está bloqueada desde a noite de quinta-feira.

Na sexta-feira, informou-se que duas pessoas morreram no estado de Bolívar, que faz fronteira com o Brasil, depois que uma comunidade indígena entrou em confronto com as forças armadas venezuelanas para impedir que estas bloqueassem a passagem entre os dois países por onde deveria entrar a ajuda humanitária solicitada pela Assembleia Nacional (parlamento) da Venezuela e rejeitada por Maduro.

O governo chavista se nega a aceitar a ajuda argumentando que se trata de um show político contra si e que pode dar abertura para uma invasão estrangeira, especialmente depois que parte da comunidade internacional não reconheceu Maduro como presidente e deu apoio ao presidente do parlamento, o opositor Juan Guaidó.

O líder opositor, que se autoproclamou presidente interino da Venezuela após as eleições "fraudulentas" nas quais Maduro foi reeleito, conta com o reconhecimento de cerca de 50 países e estabeleceu como prioridade a ajuda humanitária à Venezuela em meio à escassez de remédios e alimentos. EFE

Mais Notícias