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Taxas de juros longas voltam a cair ainda sob influência do Copom e com dados favoráveis nos EUA

15/05/2024 16h47

Por Fabricio de Castro

SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos DIs de longo prazo fecharam a quarta-feira novamente em baixa, repercutindo a queda dos yields dos Treasuries após dados de inflação favoráveis nos EUA e ainda sob influência da ata do Copom, enquanto as taxas curtas sustentaram ganhos, com o mercado precificando chances maiores de a Selic parar de cair em junho.

No fim da tarde a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2025 estava em 10,35%, ante 10,331% do ajuste anterior (alta de 2 pontos-base). Já a taxa do DI para janeiro de 2026 estava em 10,57%, ante 10,562% do ajuste anterior (alta de 1 ponto-base).

Entre os vértices mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,88%, ante 10,903%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 11,15%, ante 11,195%. O contrato para janeiro de 2031 marcava 11,55%, ante 11,607%.

O movimento dos juros futuros nesta quarta-feira foi muito semelhante ao visto na véspera, quando foi publicada a ata do último encontro do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central.

As taxas cederam na ponta longa ainda repercutindo o alívio dos investidores com as explicações trazidas na ata sobre a divisão entre os integrantes do Copom. Além disso, a queda dos prêmios acompanhou o recuo dos rendimentos dos Treasuries, após a divulgação de dados favoráveis de inflação nos EUA.

O Departamento do Trabalho informou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) subiu 0,3% em abril, depois de avançar 0,4% em março e fevereiro. Nos 12 meses até abril, o índice teve alta de 3,4%, ante 3,5% em março. Economistas consultados pela Reuters previam alta de 0,4% no mês e de 3,4% no comparativo anual.

Os números reforçaram apostas de que o Federal Reserve terá espaço para efetuar dois cortes de sua taxa básica ainda em 2024, o que trouxe alívio para a curva de juros norte-americana, com reflexos no Brasil.

“Aqui houve uma acalmada grande no juro longo, que já caiu quase 30 pontos-base após a ata do Copom”, pontuou o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior. “A mediana do CPI também caiu, o que é uma notícia boa. O mercado melhorou.”

O efeito combinado da ata do Copom e do CPI favorável foi percebido entre os vértices mais longos, mas na ponta curta as taxas ainda sustentaram altas, em meio à leitura de que o Copom deve, de fato, parar de cortar a taxa básica Selic já em junho.

Perto do fechamento desta quarta-feira a precificação da curva a termo refletia 68% de chances de a Selic seguir em 10,50% em junho, contra 32% de probabilidade de corte de 25 pontos-base. Durante a tarde, estes percentuais chegaram a 72% e 28%, respectivamente. Na segunda-feira, antes da ata do Copom, a relação era de 47% para manutenção contra 53% para corte.

Para além da precificação, as instituições financeiras também seguem alterando suas projeções na esteira das últimas comunicações do Copom. Nesta quarta-feira, a equipe da Santander Asset Management Brasil alterou de 9,5% para 10,25% a estimativa para a Selic no fim de 2024, citando tom mais cauteloso do Copom.

“A ata reforçou essa leitura, com uma avaliação geral de conjuntura mais cautelosa, considerando o ambiente global mais adverso, a atividade doméstica com maior dinamismo e o cenário prospectivo mais desafiador para a inflação local, com um Copom particularmente atento ao comportamento das expectativas inflacionárias”, afirmou em nota a clientes o chefe de economia e estratégia da Santander Asset, Eduardo Jarra.

Pela manhã, em eventos diferentes, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, e o diretor de Política Monetária da autarquia, Gabriel Galípolo, procuraram enfatizar o compromisso em atingir o centro da meta de inflação, de 3%.

“Cabe aos diretores (do BC) colocar a taxa de juros em um patamar restritivo suficiente e pelo tempo necessário para que a inflação convirja para a meta. Essa é a função do Copom e não há qualquer tipo de tergiversação sobre esse tema", disse Galípolo.

No exterior, os rendimentos dos Treasuries seguiam em baixa firme, com investidores avaliando de forma favorável os dados do CPI.

Às 16h39, o rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 9 pontos-base, a 4,359%.

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