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França começa a vacinar adolescentes de 12 a 17 anos, sob dúvidas de mães e pais

15/06/2021 04h40

O início da vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos contra a Covid-19 na França é ums dos principais assuntos da imprensa francesa desta terça-feira (15). Para o governo, essa é uma etapa importante da imunização e deve ser realizada antes do início do novo ano escolar, em setembro.

O início da vacinação de adolescentes de 12 a 17 anos contra a Covid-19 na França é ums dos principais assuntos da imprensa francesa desta terça-feira (15). Para o governo, essa é uma etapa importante da imunização e deve ser realizada antes do início do novo ano escolar, em setembro.

O jornal Les Echos destaca que a mensagem é clara: "é preciso vacinar o quanto antes o maior número de adolescentes possível, com o objetivo de proteger a população antes que variantes mais agressivas se propaguem". Outro objetivo do governo é tentar compensar a reticência de muitos adultos se vacinarem.

A matéria afirma que "a mão das autoridades não tremeu" ao bater o martelo sobre a vacinação dos adolescentes, mesmo que, na semana passada o Comitê Consultativo Nacional de Ética tenha sublinhado a raridade de estudos clínicos sobre a imunização da faixa etária de 12 a 17 anos e a necessidade de apostar em outras iniciativas, como vacinar mais adultos, por exemplo. A vacina utilizada para esse grupo será obrigatoriamente a da Pfizer/BioNTech, a única que foi autorizada pela Agência Europeia de Medicamentos para essa faixa etária até o momento.

Poucas restrições foram impostas pelo governo para imunizar esses jovens, como a apresentação da carteira de seguridade social e, claro, o consentimento dos pais, através de um formulário que deve ser preenchido e assinado pelos responsáveis pelo adolescente. Antes da primeira dose também será necessário realizar uma consulta médica. 

O jornal Le Parisien destaca que cinco milhões de jovens de 12 a 17 anos poderão ser imunizados, mas muitos pais e mães ainda estão hesitantes. Em entrevista ao jornal, o médico Pierre-Louis Druais, membro do Conselho Científico da França, afirma que há muitas dúvidas da parte das famílias: quais o riscos, se o capital genético do menor poderá ser modificado, quais provas sobre a eficácia da vacina em adolescentes, entre outras questões. 

O pediatra francês Rémi Salomon, representantes dos médicos dos hospitais públicos de Paris, diz que está explicando a seus pacientes que os Estados Unidos já vacinaram dois milhões de adolescentes, sem grandes problemas ou reações adversas graves. Para ele, não há dúvidas que é necessário vacinar os jovens, com o objetivo de se preparar para uma eventual quarta onda de Covid-19 na França.

Covid longa em adolescentes 

Já o jornal La Croix trata de um assunto pouco abordado durante mais de um ano e meio de pandemia: a Covid longa em jovens. Cansaço, problemas para concentração, tonturas, insônias... muitos adolescentes vêm reclamando de sintomas persistentes, meses depois de terem sido considerados curados da doença. 

A matéria destaca que poucos estudos sobre essa questão foram realizados até o momento. A Organização Mundial da Saúde (OMS) est?á atualmente realizando uma estimativa e colhendo dados junto aos países sobre a Covid longa em jovens. Segundo o jornal, o assunto divide os médicos franceses a um tal ponto que muitos se recusam a falar sobre o assunto. 

E, portanto, casos graves não faltam. O diário entrevistou Alexandra, a mãe de Arthur, um menino de 13 anos que foi hospitalizado deiversas vezes depois de ter oficialmente se curado da Covid-19. Há meses ele não consegue mais frequentar a escola e Alexandra parou de trabalhar para cuidar exclusivamente do filho. 

Em Genebra, na Suíça, o hospital universitário criou um comitê de estudo sobre a Covid longa em adolescentes. Em entrevista ao La Croix, a pediatra Anne Perrin, que faz parte deste grupo afirma que, até o momento, foram identificados e estão sendo analisados vinte casos. Segundo ela, esses problemas não dizem respeito a todos os jovens que foram contaminados pelo coronavírus, mas muitos deles vêm sofrendo com sintomas persistentes da doença que sobretudo prejudicam o desempenho escolar. "Não podemos abandoná-los", diz a médica ao jornal. 

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