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15 dias

Castillo modera discurso em eleições no Peru, mas quer mudança profunda

18/05/2021 01h05

Lima, 17 mai (EFE).- O candidato à Presidência do Peru Pedro Castillo, de esquerda, se inclinou para o centro em suas propostas para o país e propôs o que definiu como "mudança progressiva, mas profunda" caso ele vença o segundo turno contra Keiko Fujimori, de direita, no próximo dia 6.

É o que pode ser lido no "Plano de Governo Peru ao Bicentenário - Sem Corrupção", a proposta governamental do candidato, amplamente exigida durante semanas pela imprensa e por parte da população peruana. O documento foi publicado nas redes sociais do candidato.

O programa de governo modifica aquele que Castillo registrou perante o Júri Nacional de Eleições (JNE) com a ideologia do partido Peru Livre, liderado pelo médico Vladimir Cerrón, e tem propostas mais moderadas.

"Nós enriquecemos o plano ouvindo aqueles que nunca foram ouvidos antes, reunindo suas demandas, ideias e desejos. Nossa proposta reúne a esperança dos povos de mudança e se firma em um caminho de mudança progressiva, mas profunda. É verdadeiramente democrático, guiado pela busca de direitos e oportunidades para todos, com justiça e paz", afirma o documento.

MUDANÇAS NAS PROPOSTAS.

O partido disse querer implementar uma proposta "marxista-leninista", o que gerou histeria em um amplo setor e apoio à candidatura de Keiko por parte dos partidos de centro e direita, que alegam querer fugir de um "regime comunista".

"Esta não é mais apenas a proposta do Peru Livre, é a proposta das pessoas que querem mudança para o benefício de todas as famílias do Peru", frisou a legenda no novo programa. "Nós nos enriquecemos por todas essas contribuições, com responsabilidade e transparência, mantendo nosso espírito de justiça e mudança social", salienta.

CRISE SANITÁRIA.

O plano propõe medidas urgentes para os primeiros 100 dias do que chama de "Governo do povo", que promete fazer o que for "justo e necessário" para melhorar a vida da população. Isso incluiria um conselho de cientistas e técnicos em saúde pública e pesquisadores para participar do controle da pandemia da Covid-19 e contribuir para os planos de saída e recuperação da crise.

Também será formado um "Comando Nacional Unificado de Combate à Covid", além de projetado e implementado um "Plano de Saúde Preventiva", com monitoramento de casa em casa e alimentação para a população mais vulnerável. Serão fornecidos cuidados em cada cidade e distrito para os pacientes que os necessitarem.

A proposta também inclui o cuidado e a proteção de pacientes com outras doenças, a melhoria da infraestrutura e dos equipamentos dos centros médicos, o desenvolvimento da telemedicina e a distribuição periódica e descentralizada de material de proteção, como máscaras, álcool e oxímetros.

PRIORIDADE A EMPRESAS PRIVADAS.

O programa de governo anuncia que será dada prioridade à produção de oxigênio hospitalar em empresas do setor privado, mas garantindo o fornecimento e "evitando o oligopólio e a usura", enquanto o Estado adquirirá 100 fábricas e 200 tanques criogênicos para garantir que não haja escassez do item.

O plano de Castillo alerta que não haverá leitos nas unidades de terapia intensiva nem pessoal especializado suficientes se o contágio pelo coronavírus não for controlado. Lembrou também que haverá 1 mil novos leitos de UTIs e 4 mil cânulas de alto fluxo, além de outros 5 mil leitos hospitalares.

"Garantiremos acesso universal e livre às vacinas sem corrupção ou privilégios. Antes do final do ano, o Governo do Peru Livre vacinará toda a população acima de 18 anos", afirma o texto. "Haverá negociações com todos os países e laboratórios, sem preconceitos ideológicos, para garantir a rápida aquisição de vacinas e conseguir a transferência da biotecnologia para começar a realizar o desejo de produzir vacinas no país", acrescenta.

ECONOMIA E SEGUNDA REFORMA AGRÁRIA.

O plano afirma ainda que enquanto a reativação econômica ocorrer, haverá um aumento do investimento social. "O Estado fortalecerá seu papel regulador dentro de uma abordagem de economia mista, o que incluirá a regulamentação mais ativa dos monopólios e oligopólios, assim como o incentivo à iniciativa privada, com reconhecimento para os empresários nacionais", promete.

Também houve um comprometimento de que o Estado dará créditos para os setores mais vulneráveis, o fortalecimento do investimento público e do emprego. Outros itens citados foram o apoio direto para a economia familiar. "A concorrência desleal das importações que afetam a indústria nacional e a campesinato será interrompida", completou.

Além disso, Castillo implementará uma reforma agrária que incluirá, segundo o texto, o desenvolvimento rural agrário e participativo como uma decisão política importante para a gestão da agricultura com uma abordagem territorial e a partir de baixo.

Outras propostas são a contribuição justa das empresas com o que chamou de "lucros excessivos", mas sem dar detalhes, a construção de uma rede nacional de gasodutos, o retorno "seguro e oportuno" para a educação presencial e a convocação de um referendo para determinar se deve ser elaborada uma nova Constituição para substituir a atual, em vigor desde 1993.

Castillo prometeu que, se ele foi eleito presidente, em 28 de julho, ele colocará a "primeira pedra de um país soberano com segurança jurídica, onde todos poderão viver em paz, com liberdade e justiça social".

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