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Presa por stalkear médico fez 500 ligações em um dia e criou 2.000 números

Artista plástica começou a perseguir médico em 2019, após uma consulta  - Reprodução / Redes Sociais
Artista plástica começou a perseguir médico em 2019, após uma consulta Imagem: Reprodução / Redes Sociais
do UOL

Do UOL, São Paulo

20/05/2024 12h57Atualizada em 20/05/2024 19h17

A mulher presa por passar cinco anos perseguindo um médico em Minas Gerais chegou a ligar para ele mais de 500 vezes em um só dia. Jovem alega que vivia relacionamento com o homem, que nega envolvimento.

O que aconteceu

Além das ligações, Kawara Welch Ramos de Medeiros, de 23 anos, enviou 1.300 mensagens. Ela também cadastrou mais de 2.000 números de telefone após ser bloqueada sucessivamente pelo médico.

A artista plástica tentava contato de inúmeras formas. Ela enviava emails, perseguia na rua, ia até o local de trabalho da vítima e até na casa dele, em Ituiutaba, no Triângulo Mineiro.

Kawara fez ameaças contra a família do médico. O filho, que na época tinha 8 anos, foi procurado. ''As ameaças eram no sentido de que se ele não falasse com ela, Kawara ia falar que eles tinham um caso e destruir o casamento dele'', explicou a advogada Danielle Medeiros.

Defesa do médico diz que os dois ''nunca tiveram nenhum tipo de relacionamento''. A artista foi atendida pelo médico em 2018, em Ituiutaba, e a partir de então passou a procurá-lo em todos os plantões médicos.

Defesa de Kawara alega relacionamento com o médico

O advogado afirma que havia um relacionamento amoroso entre os dois. ''Essa situação é comprovada por prints, provas testemunhais, que nunca foram valoradas corretamente pelo poder judiciário e pela autoridade policial'', garante Jean Fillipe Alves da Rocha.

Defesa afirmou ao UOL que ela descumpria as cautelares, mas ''não de forma unilateral''. ''Ele também vinha atrás dela, nutria nela a vontade, o desejo e a paixão de ainda viverem um relacionamento'', contou.

Não há como falar em crime, defende advogado. Sendo uma relação recíproca, não há que se falar em stalker. A defesa informou que vai ''buscar absolvição e a realidade dos fatos''.

Presa três vezes

Ela foi presa pela primeira vez em 2021. Após ser denunciada, a prisão ocorreu devido a perseguição e coação contra o homem, iniciadas em 2019.

Kawara agrediu a esposa do médico em 2023. A mulher foi arrancada do carro em frente a clínica do marido, e teve o celular e chave do carro roubados pela jovem. Ela foi presa em flagrante em janeiro daquele ano, mas foi solta após pagar fiança de R$ 3.600, devendo cumprir medidas cautelares.

Em março de 2023, foi decretada prisão novamente por descumprimento das cautelares. Ela, no entanto, estava foragida desde então, até ser presa no dia 2 de maio deste ano em uma universidade de Uberlândia, onde estudava nutrição.

O UOL tenta contato com a defesa de Kawara. Os advogados dela foram procurados, mas ainda não retornaram. O espaço fica aberto para manifestações.

No Brasil, 'stalking' pode levar à prisão

Lei que criminaliza o stalking (palavra para "perseguição", em inglês) foi sancionada em abril de 2021. A punição é de prisão em reclusão de seis meses a dois anos e multa. Pena pode ser aumentada se o crime for cometido contra criança, adolescente ou idoso, e contra mulher por razões da condição de sexo feminino.

O crime de stalking é definido como perseguir alguém, reiteradamente e por qualquer meio, ameaçando-lhe a integridade física ou psicológica, restringindo-lhe a capacidade de locomoção ou, de qualquer forma, invadindo ou perturbando sua esfera de liberdade ou privacidade
Artigo 147-A do Código Penal

O caráter mais importante da perseguição é a prática reiterada e obsessiva. Por exemplo: uma mulher recebe flores de um ex-namorado diversas vezes, sente-se incomodada e diz a ele que não gostaria mais de receber esse tipo de presente. O envio de flores, por si só, não é um crime. Mas o envio reiterado, que gera medo, angústia, a sensação de estar sendo vigiada e de não ter intimidade respeitada, pode se enquadrar no delito.

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