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Meio milhão de palestinos fogem de Rafah ante ameaça de ofensiva israelense

Palestinianos transportam os seus pertences enquanto se preparam para fugir de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 13 de maio de 2024 - -/AFP
Palestinianos transportam os seus pertences enquanto se preparam para fugir de Rafah, no sul da Faixa de Gaza, em 13 de maio de 2024 Imagem: -/AFP

15/05/2024 06h41

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, afirmou nesta quarta-feira (15) que uma catástrofe humanitária foi evitada em Rafah e anunciou que 500.000 pessoas foram retiradas da cidade do sul da Faixa de Gaza, bombardeada por Israel e ameaçada de sofrer uma grande ofensiva terrestre.

O anúncio coincide com o dia em que os palestinos lembram a "Nakba", "Catástrofe" que a criação do Estado de Israel significou para eles em 1948. Durante a "Nakba", cerca de 760 mil palestinos fugiram ou foram expulsos de suas casas, segundo dados da ONU, para se refugiarem em países vizinhos ou no que viriam a ser a Cisjordânia e a Faixa de Gaza. 

"Setenta e seis anos depois da Nakba, os palestinos seguem sendo deslocados à força", apontou a agência da ONU para os refugiados palestinos (UNRWA), que divulgou um balanço superior de pessoas que fugiram de Rafah, de 600 mil.

Muitos na Faixa de Gaza acumulam vários deslocamentos forçados em busca de refúgio no território, onde, segundo a ONU, "não há lugar seguro".

Netanyahu prometeu destruir o Hamas após o ataque de 7 de outubro. Para alcançar seu objetivo, está determinado a lançar uma grande operação em Rafah, cidade no extremo sul do território onde vivem centenas de milhares de palestinos em zonas superlotadas, a grande maioria deslocados, e onde estariam, segundo o primeiro-ministro israelense, os últimos batalhões do Hamas. 

Essa invasão preocupa a comunidade internacional, a começar pelos Estados Unidos, principal aliado de Israel, por suas consequências para a população civil.

- 'Desacordo' sobre Rafah -

No último dia 6, o Exército de Israel ordenou que os civis deixassem setores do leste de Rafah, onde fez incursões terrestres. "Quase meio milhão de pessoas já evacuaram a zona de combate de Rafah. A catástrofe humanitária de que se fala não ocorreu e não ocorrerá", disse Netanyahu. 

O líder israelense também pressionou o Egito para a reabertura da passagem fronteiriça de Rafah e sugeriu que aquele país mantinha a população de Gaza refém por se negar a trabalhar com Israel para a entrada de ajuda.

As declarações foram feitas um dia depois de o Egito, o primeiro país árabe a celebrar um acordo de paz com Israel e mediador do cessar-fogo e das conversas sobre reféns, ter acusado Israel de negar sua responsabilidade na crise humanitária na Faixa de Gaza.

A União Europeia pediu hoje a Israel para "cessar imediatamente" sua operação em Rafah, devido ao risco de "prejudicar gravemente" sua relação bilateral.

Embora o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, tenha ameaçado há poucos dias limitar a ajuda militar americana a Israel para a sua ofensiva em Rafah, o Executivo notificou na terça-feira o Congresso de que irá proceder à entrega de armas a Israel, disseram fontes próximas à AFP. 

Em uma entrevista à rede americana CNBC, Netanyahu reconheceu um "desentendimento" com o seu aliado americano "sobre Rafah". "Mas devemos fazer o que devemos fazer", acrescentou. 

Washington também pediu que Israel trabalhe em um plano pós-guerra para a Faixa de Gaza e apoiou uma solução de dois Estados, à qual Netanyahu e seus aliados de extrema direita se opõem fortemente. 

O ministro da Defesa israelense, Yoav Gallant, disse hoje que "Israel não deve ter um controle civil sobre a Faixa de Gaza" depois da guerra. O líder do Hamas, Ismail Haniyeh, disse que "caberá ao movimento e a todas as facções nacionais palestinas decidir sobre a forma de governo em Gaza" após o conflito.

- Combates intensos -

A guerra foi desencadeada pelo ataque de comandos do Hamas ao sul de Israel em 7 de outubro que deixou mais de 1.170 mortos, a maioria civis, segundo um relatório da AFP baseado em dados oficiais israelenses. 

Mais de 250 pessoas foram sequestradas durante o ataque e 128 permanecem cativas em Gaza, das quais 36 teriam morrido, segundo o Exército. 

Depois de mais de sete meses de guerra, 35.233 pessoas morreram em Gaza devido à ofensiva de Israel, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do Hamas. 

Jornalistas da AFP e  testemunhas relataram hoje ataques aéreos, bombardeios de artilharia e combates durante a noite e a manhã em Rafah, Jabaliya (norte) e no bairro de Zeitun, em Gaza. 

Além dos bombardeios e dos combates, a população de Gaza sofre com a severa escassez. Segundo o Catar, a ajuda humanitária não chega aos habitantes do território palestino desde 9 de maio.

O Reino Unido anunciou nesta quarta-feira a saída do Chipre de um carregamento marítimo de cerca de 100 toneladas de ajuda para a Faixa de Gaza, que chegará a um porto artificial construído pelo Exército americano que começará a operar em breve.

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© Agence France-Presse

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