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Reação a ataque iraniano divide Israel, que teme agravar conflito e desagradar EUA

Israel intercepta míssil lançado pelo Irã  - Jamal Awad/Xinhua
Israel intercepta míssil lançado pelo Irã Imagem: Jamal Awad/Xinhua

Henry Galsky;

Correspondente da RFI em Israel

15/04/2024 08h35

O primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, reunirá novamente seu gabinete de guerra às 14h (11h no horário de Brasília) desta segunda-feira (15) para discutir uma possível resposta ao ataque de drones e mísseis do Irã no fim de semana.  

O gabinete de guerra, formado por Benjamin Netanyahu, o ministro da Defesa Yoav Gallant, o ex-ministro da Defesa Benny Gantz e vários observadores, reuniu-se no domingo à noite, segundo fontes diplomáticas. O Exército israelense também anunciou a reabertura das escolas na maior parte do país na segunda-feira.

Após o ataque do Irã, Israel permaneceu um país dividido, mas por razões diferentes. De um lado, a população respirou aliviada pelo sistema de defesa ter funcionado e pelas forças do país, em conjunto com aliados internacionais, terem conseguido evitar consequências mais graves para os israelenses. Mas a população também se pergunta o que vem pela frente.

A intenção inicial do primeiro-ministro Benjamin Netanyahu seria reagir rapidamente ao ataque iraniano. Mas, ele parece ter mudado de ideia após uma conversa pelo telefone com o presidente americano, Joe Biden, que ligou para o premiê durante a ofensiva de Teerã.

Segundo a rede NBC, dos Estados Unidos, Biden deixou claro que não iria apoiar um eventual contra-ataque israelense e buscou convencer Netanyahu a diminuir a tensão na região.

Biden teria dito que os danos a Israel foram mínimos diante da grande quantidade de disparos efetuados pela República Islâmica. Em Israel, uma base da força área no sul do país foi parcialmente atingida, mas já opera normalmente e uma menina de sete anos ficou gravemente por estilhaços de um míssil.

Biden fez questão de parabenizar Netanyahu pelo sucesso na defesa do país e pelo fato de a coalizão internacional ter conseguido impedir que os 331 projéteis atingissem seus alvos.

Aliança de países ao lado de Israel

Israel recebeu ajuda direta de Estados Unidos, França, Grã-Bretanha e Jordânia. Mas outros países da região também contribuíram, deixando claro que todos temem o Irã mais do que rejeitam Israel.

Além disso, os israelenses agora contam com uma série de manifestações internacionais de apoio, em contraste com o que vinha acontecendo até agora. A dramática situação humanitária em Gaza e a falta de perspectivas para o encerramento da guerra aumentaram o isolamento de Israel.

Após o ataque do Irã, este quadro se alterou. O G7, grupo dos sete países mais industrializados do mundo, emitiu um comunicado conjunto condenando de forma unânime a República Islâmica. "Com as suas ações, o Irã pode provocar uma escalada regional incontrolável. Isso deve ser evitado", diz o texto.

A resposta de Israel

Durante o ataque iraniano, dois membros do gabinete de guerra sugeriram uma resposta imediata. Benny Gantz, ex-ministro da Defesa, e Gadi Eisenkot, membro observador do gabinete, queriam que Israel atuasse naquele momento contra o Irã, segundo a imprensa israelense. A posição de ambos foi contestada por Yoav Gallant, ministro da Defesa, e Herzi Halevi, chefe do Estado-Maior do Exército.

Segundo informações obtidas pela RFI, o objetivo é encontrar uma resposta que faça o Irã pagar pelo ataque, mas sem agravar a disputa, transformando em uma guerra regional.

Outra informação obtida pela RFI é de que uma das possibilidades é a adoção de medidas contra o programa nuclear iraniano, como Israel já fez no passado. Mesmo sem admitir, Israel realizou operações secretas que incluíram a captura de documentos sigilosos no Irã, o assassinato de cientistas envolvidos no programa nuclear e até a elaboração de vírus de computador para atrasar o processo.

Neste momento o corpo político israelense entende ter recuperado ao menos de forma parcial a legitimidade que havia perdido durante a guerra em Gaza. Inclusive com os aliados norte-americanos. O presidente Isaac Herzog disse que "chegou a hora do mundo encarar este 'império do mal' em Teerã e deixar claro que isso o ataque não pode passar em branco, é inaceitável".

A exposição do Irã parece ser uma das bandeiras que surgem na sequência do ataque. Benny Gantz, ministro do gabinete de guerra, tem conversado com lideranças estrangeiras e diz querer formar uma coalizão internacional contra o Irã. Esta também é a posição do ministro da Defesa, Yoav Gallant. A forma como o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu entende a situação ainda não está clara.

População insegura

A ansiedade de acompanhar ao vivo a grande quantidade de mísseis e drones lançados contra o país marcou o início da semana em Israel. Em meio a muitos questionamentos em torno das falhas do 7 de outubro, a população se sente desorientada.

O temor de uma guerra contra o Irã levou os israelenses aos supermercados em busca de comida. A associação dos operadores de cartões de crédito registrou um aumento de 8,5% nos gastos na manhã seguinte aos ataques em relação ao mesmo dia da semana anterior.

Por mais que os israelenses estejam acostumados a operações militares, a geração atual não viveu as guerras com os países árabes e não conhece a realidade de um confronto contra um estado soberano.

Diante das incertezas deste momento histórico, uma convocação aumentou o temor da população: a Estrela de Davi Vermelha, o equivalente israelense ao SAMU brasileiro, abriu dois novos postos de coleta de sangue nas duas maiores cidades do país, Jerusalém e Tel Aviv.

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