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Ataque israelense mata sete funcionários de ONG que distribuía comida em Gaza

Carcaça do carro usado pelo grupo de ajuda mundial World Central Kitchen, com sede nos EUA, que foi atingido por um ataque israelense no dia anterior em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza - -/AFP
Carcaça do carro usado pelo grupo de ajuda mundial World Central Kitchen, com sede nos EUA, que foi atingido por um ataque israelense no dia anterior em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza Imagem: -/AFP

02/04/2024 06h22Atualizada em 02/04/2024 14h44

Sete colaboradores da ONG americana World Central Kitchen (WCK), que distribui alimentos na Faixa de Gaza, morreram em um bombardeio israelense na segunda-feira (1°) na Faixa de Gaza. Israel indicou que abriu uma investigação para apurar o caso.

"A World Central Kitchen está devastada", indicou a ONG em comunicado, denunciando "uma tragédia". A organização fundada pelo chef americano-espanhol José Andrés indicou que as vítimas eram originárias de Austrália, Polônia e Reino Unido. Entre os mortos, há também um cidadão com dupla cidadania americana e canadense e um palestino. A nacionalidade de uma sétima vítima ainda não foi revelada.

O comunicado indica que as pessoas morreram "enquanto trabalhavam para apoiar nossa ação humanitária de entrega de alimentos em Gaza". A WCK decidiu "suspender suas operações na região".

Desde o início da guerra entre Israel e o grupo Hamas, em 7 de outubro de 2023, a ONG participou de diversas operações de distribuição de refeições. Em março, a WCK integrou uma imensa ação de envio e entrega de ajuda humanitária por meio de um navio que saiu do Chipre e atracou em um porto improvisado no enclave palestino. A iniciativa permitiu a chegada de dezenas de toneladas de mantimentos no território onde a população passa fome.

Pessoas se reúnem em torno da carcaça de um carro usado pelo grupo de ajuda mundial World Central Kitchen, com sede nos EUA, que foi atingido por um ataque israelense no dia anterior em Deir al-Balah, no centro da Faixa de Gaza, em 2 de abril de 2024 - -/AFP - -/AFP
Imagem: -/AFP

Comunidade internacional reage

Os Estados Unidos, principais aliados de Israel, disseram ter ficado "profundamente perturbados" com o ataque. "Os trabalhadores humanitários devem ser protegidos, pois fornecem uma ajuda que os palestinos precisam desesperadamente. Exigimos que Israel investigue imediatamente o que aconteceu", indicou na rede social X Adrienne Watson, porta-voz do Conselho de Segurança Nacional dos Estados Unidos.

O primeiro-ministro da Austrália, Anthony Albanese, confirmou que uma australiana, Lalzawmi "Zomi" Frankcom, está entre as vítimas. "É completamente inaceitável. A Austrália exige que todas as pessoas envolvidas nas mortes dos trabalhadores humanitários sejam responsabilizadas", afirmou o premiê.

O governo polonês pediu explicações a Israel sobre o incidente. O chefe da diplomacia europeia, Josep Borrell, também condenou o ataque. "Apesar de todos os pedidos para proteger civis e trabalhadores humanitários, continuamos a ver inocentes sendo mortos", publicou na rede social X.

O Ministério da Saúde palestino, administrado pelo grupo Hamas, afirmou ter registrado cinco mortos "em um bombardeio israelense contra um veículo da WCK" em um hospital de Deir el-Balah, no centro da Faixa de Gaza. Um comunicado indicou que a vítima de nacionalidade palestina trabalhava como motorista e tradutor do grupo.

As Forças Armadas israelenses indicaram que estão investigando "o trágico incidente" com o objetivo de "compreender as circunstâncias". O governo de Israel afirma que "trabalha em estreita colaboração com a WCK".

70 mortos em 24 horas

Nas últimas 24 horas, ao menos 70 pessoas morreram em operações das Forças Armadas israelenses na Faixa de Gaza. Neste período, o Ministério da Saúde palestino afirma ter registrado "dezenas" de bombardeios no enclave.

No norte do território, equipes médicas vasculham os escombros do hospital Al-Shifa em busca de sobreviventes de um vasto ataque do Exército de Israel no local. Tel Aviv afirma ter eliminado mais de 200 terroristas e detido cerca de 900 pessoas no local.

Segundo a agência de Defesa Civil de Gaza, dirigida pelo Hamas, 300 pessoas morreram no hospital durante a operação. Médicos afirmam terem recolhido cerca de 20 corpos, entre eles alguns que parecem ter sido atropelados por veículos militares.

(Com informações da AFP)

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