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Milei alerta Congresso argentino que governará 'com ou sem' apoio político

01.mar.24 - O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa na sessão de abertura da 142ª legislatura, no Congresso Nacional, em Buenos Aires - Agustin Marcarian/REUTERS
01.mar.24 - O presidente da Argentina, Javier Milei, discursa na sessão de abertura da 142ª legislatura, no Congresso Nacional, em Buenos Aires Imagem: Agustin Marcarian/REUTERS

01/03/2024 22h32Atualizada em 02/03/2024 07h13

O presidente da Argentina, Javier Milei, disse nesta sexta-feira (1º) perante o Congresso que seguirá adiante com suas reformas ultraliberais "com ou sem o apoio da liderança política", em seu discurso de abertura das sessões legislativas.

"Nossas convicções são inabaláveis, vamos ordenar as contas públicas com ou sem a ajuda do restante da liderança política", disse o presidente, ao garantir que, se o Congresso voltar a rejeitar suas reformas, ele usará "todos os recursos legais do poder executivo nacional" para implementá-las.

"Se estão buscando conflito, conflito terão", acrescentou.

"Quando encontramos um obstáculo, não vamos recuar, vamos continuar acelerando", disse o presidente entre aplausos.

Milei resumiu as medidas tomadas em seus 82 primeiros dias de governo, nos quais implementou ajustes fiscais draconianos. Além do aumento acelerado nos preços de alimentos e medicamentos, houve a retirada de subsídios nos serviços públicos, o que causou um ajuste abrupto nas tarifas. Por exemplo, em Buenos Aires, a passagem de transporte público aumentou 250% de um dia para o outro.

Aos argentinos, que sofrem com uma inflação de mais de 250% ao ano e uma taxa de pobreza que atinge mais de 50% da população, "peço paciência e confiança", disse o presidente.

"Ainda falta um tempo para que possamos ver os resultados do saneamento econômico e das reformas que estamos implementando", afirmou Milei. "Ainda não vimos todos os efeitos do desastre que herdamos, mas estamos convencidos de que estamos no caminho certo, porque pela primeira vez na história estamos atacando o problema pela raiz: o déficit fiscal, e não pelos seus sintomas".

Também ofereceu-se para se reunir com a classe política, governadores provinciais, líderes partidários e ex-presidentes para forjar um novo "contrato social" para o país, baseado em dez princípios eminentemente liberais: propriedade privada "inviolável", "equilíbrio fiscal inegociável" e "reforma trabalhista moderna".

Ele chamou isso de "Pacto de Maio" e propôs assiná-lo simbolicamente em Córdoba (norte) em 25 de maio, aniversário da revolução de 1810, que levou à independência da Argentina em 1816.

O discurso ocorreu em meio a um forte esquema de segurança, enquanto centenas de pessoas protestavam diante do Congresso em repúdio às medidas de ajuste.

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