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'Vendedora nata': Quem era a fundadora do Magazine Luiza, que morreu aos 97 anos

A empresária Luiza Trajano Donato, que morreu na madrugada de hoje - Acervo Pessoal
A empresária Luiza Trajano Donato, que morreu na madrugada de hoje Imagem: Acervo Pessoal

Do Estadão Conteúdo, em São Paulo

12/02/2024 15h49Atualizada em 14/02/2024 15h16

Luiza Trajano Donato, a fundadora do Magazine Luiza, que começou em Franca, no interior do Estado de São Paulo e hoje é uma das maiores varejistas do País, se considerava acima de tudo uma "vendedora nata" e dava a receita de como ser ter sucesso na profissão.

"Eu, modéstia à parte, me considero uma vendedora nata. A gente vende sendo franca com o cliente", afirmou Luiza ao Estadão em novembro de 2005, quase 20 anos atrás, em uma das raras ocasiões em que concedeu entrevista à imprensa.

Na época, Luiza planejava a chegada da rede na capital paulista, uma das paixões da empresária. Luiza, que, quando na ativa, sempre foi responsável pela expansão da companhia, dizia que não era possível chegar à capital com meia dúzia de lojas.

A entrada da varejista no principal mercado do País, tinha que ser triunfal, com "oba-oba", como dizia ela. O que, de fato aconteceu. A rede abriu 50 lojas num único dia na cidade de São Paulo.

Discreta e simples no seu dia a dia, ela era uma comerciante à moda antiga: chamava cliente de freguês e no início da empresa vendeu muito de porta em porta, com o seu marido, também falecido, Pelegrino José Donato, com quem fundou a rede em 1957.

"A gente trabalhava a semana inteira na loja e no sábado, depois das 13 horas, viajava de caminhonete para as usinas da região de Franca, onde vendíamos centenas de aparelhos de TV pelo catálogo, produto que era novidade nos anos 1950. O Pelegrino até instalava as antenas. Todo o fim do mês nós íamos receber o pagamento", contou.

De família de comerciantes, como pai e irmãos do ramo de secos e olhados, Luiza desde cedo tomou gosto pelas compras. Aos 17 anos, começou a trabalhar como compradora do armazém do irmão.

Pela habilidade na função, foi convidada a trabalhar para uma loja importante, chamada Higino Caleiro, que vendia de tudo. "Meu irmão disse que era para eu aceitar o convite porque trabalhar nessa loja era como se fosse para o Banco do Brasil. Fiquei 11 anos lá", contou.

Foi num lance de compra que ela conheceu o futuro marido, então representante comercial de uma rede de móveis. Luiza se casou com Pelegrino, saiu da loja e passou a acompanhá-lo nas viagens, também representando empresas.

O começo do Magalu

Na época, havia em Franca uma loja chamada Cristaleira, especializada em presentes e que estava à venda. A loja ficava na praça da igreja matriz. Luiza comprou a empresa, promoveu um concurso na cidade para a escolha do novo nome da varejista. Luiza contou que recebeu mais de 800 cartas e o nome que venceu foi Magazine Luiza. Assim nasceu o Magalu.

Apesar de ter cursado só até a quarta série do antigo curso primário, ela dava aulas de como administrar a empresa de origem familiar. Segundo Luiza, se um parente fizesse algo errado, ele não podia continuar na companhia e ressaltava que as regras "eram iguais para todos".

Luiza não teve filhos, mas 26 sobrinhos. E os olhos da fundadora sempre brilhavam quando falava da sobrinha e afilhada Luiza Helena Trajano, hoje presidente do conselho de administração do Magalu e sócia da companhia.

"Ela é a filha que eu não tive, é uma 'senhora' comerciante e tem o meu nome, para variar", afirmou. Segundo a fundadora, foi sob o comando da sobrinha, Luiza Helena, que a empresa ganhou modernidade e uma marca registrada.

Hoje o Magalu é uma das maiores varejistas do País, com faturamento de R$ 44,7 bilhões em 2022, mais de mil lojas físicas, segundo dados do ranking da Sociedade Brasiliera de Varejo e Consumo (SBVC) e todo um ecossistema de vendas online que inclui marketplace.

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