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Papa Francisco e Milei se abraçam no Vaticano

11/02/2024 03h46

Com um abraço e palavras afetuosas, o presidente argentino, Javier Milei, virou a página dos ataques que no passado dirigiu ao papa Francisco, ao encontrar-se com o pontífice pela primeira vez neste domingo (11) no Vaticano.

Diante de centenas de fiéis, o ultraliberal Milei curvou-se para cumprimentar e abraçar sua compatriota e sumo pontífice na Basílica de São Pedro, no final da missa de canonização da beata Maria Antonia de Paz y Figueroa, conhecida como Mama Antula (1730 -1799) e primeira santa argentina.

Antes da missa, os dois líderes conversaram em particular e trocaram gestos de carinho, segundo um vídeo postado nas redes sociais.

No vídeo, é possível ver Francisco, sentado em uma cadeira de rodas, brincando com o presidente argentino, que no passado chamou o papa de "imbecil" e "representante do mal".

"Você cortou o cabelo?", pergunta com humor o pontífice. "Me arrumei", responde Milei, conhecido entre seus simpatizantes como "o Peruca", e logo em seguida pergunta se pode dar um beijo. "Sim, filho, sim", responde sorridente Francisco, colocando sua mão sobre sua cabeça e agradecendo-lhe a visita ao Vaticano.

O pontífice também cumprimentou carinhosamente a chanceler Diana Mondino, que lhe deu outro beijo. E a Karina Milei, secretária-geral da Presidência e irmã do presidente argentino.

Foi uma das imagens do dia e o culminar de uma semana agitada para Milei, que viajou para Jerusalém, rezou emocionado no Muro das Lamentações, teve a sua primeira grande crise com o fracasso do seu mega pacote de reformas, fez inúmeros insultos aos seus detratores e ainda teve tempo de passear por Roma antes de ver o papa.

"É um momento histórico', disse à AFP Mariana Accietto, argentina natural de Córdoba e residente em Roma. "Esperamos que o presidente e o papa procurem melhorar a situação na Argentina", acrescentou esta mulher de 50 anos.

- Primeiro contato -

Este domingo foi um primeiro contato antes de uma audiência na manhã de segunda-feira no Vaticano, na qual Francisco e Javier Milei poderão falar longamente. No mesmo dia, o presidente argentino se reunirá com o seu homólogo italiano, Sergio Mattarella, e com a primeira-ministra Giorgia Meloni.

Com as imagens deste domingo, Francisco e Milei encenaram a paz após os insultos deste último ao pontífice, a quem ainda durante a campanha acusou de "ingerência política".

A audiência acontecerá em uma atmosfera carregada pelos ataques anteriores de Milei ao papa. O dirigente chegou a acusá-lo durante sua campanha, em setembro passado, de "interferência política".

Jorge Mario Bergoglio e o novo presidente, no entanto, encenaram a paz nos últimos meses, o primeiro com um telefonema de felicitações após a vitória eleitoral em novembro, e o segundo com uma carta-convite para visitar a Argentina.

Os dois partem de ideologias muito diferentes sobre a forma de enfrentar a pobreza, mal que atinge 40% da população da Argentina, onde a inflação fechou no ano passado acima de 200%.

Ao longo do seu papado, Francisco criticou os excessos e as desigualdades geradas pelo liberalismo, enquanto Milei, um economista ultraliberal de extrema direita que tomou posse em 10 de dezembro e governa em minoria, está empenhado em uma política privatizadora e desregulamentadora.

Uma linha que ele prometeu manter, apesar do fracasso do seu mega pacote de medidas econômicas e políticas conhecido como Lei Ônibus na câmara baixa na terça-feira.

- Uma visita pendente -

O papa Francisco, jesuíta e ex-arcebispo de Buenos Aires, não visita o seu país natal desde que foi eleito chefe da Igreja Católica em 2013, e o seu desejo de fazê-lo este ano será uma das grandes questões que pairarão sobre a reunião de segunda-feira.

Em entrevista ao Vatican News, o atual arcebispo de Buenos Aires, Jorge Ignacio García Cuerva, expressou sua impaciência em ver Francisco na Argentina, cuja visita seria "o encontro do pastor com seu povo".

Embora também tenha reconhecido as suspeitas políticas em torno de uma figura cujas declarações e omissões são acompanhadas de perto em seu país: "às vezes, nós, argentinos, não deixamos Bergoglio ser Francisco e o colocamos na lama de nossas discussões".

"Esperamos que o presidente o convença e teremos isso' este ano na Argentina, disse o ministro do Interior, Guillermo Francos, que acompanha Milei na visita a Roma e ao Vaticano, à rádio Mitre.

- Jesuitismo e direitos humanos -

María Antonia de Paz y Figueroa, recentemente canonizada depois de lhe ter sido atribuído um segundo milagre, era uma leiga consagrada que lutou para difundir os exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola justamente quando a Companhia de Jesus, da qual provém o papa, havia sido expulsa dos domínios da coroa hispânica pelo rei Carlos III.

Com o tempo ela também passou a ser considerada uma pioneira dos direitos humanos na Argentina, por sua defesa dos excluídos.

"Ela viajou milhares de quilômetros a pé, por desertos e estradas perigosas, para levar Deus. Hoje ela é para nós um modelo de fervor e de audácia apostólica", disse o papa em sua homilia, elogiando a nova santa.

avl/zm/aa/am

© Agence France-Presse

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