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Javier Milei toma posse na Argentina prometendo choque de austeridade

10/12/2023 15h47

Diante de uma multidão de apoiadores reunidos em frente ao Parlamento argentino, o ultraliberal Javier Milei prestou juramento e anunciou, neste domingo (10), que a situação econômica do país iria "piorar" no curto prazo para melhorar depois.

"Não há alternativa a um ajuste fiscal, não há alternativa a um choque" em questões orçamentais, porque "não há dinheiro! ", disse Javier Milei no seu primeiro pronunciamento após a posse.

"Sabemos que a situação vai piorar no curto prazo. Mas depois veremos os frutos dos nossos esforços", acrescentou num discurso ofensivo, prometendo "tomar todas as decisões necessárias para resolver o problema causado por 100 anos de desperdício da classe política", "a pior herança" já recebida por um governo.

À sua frente, apoiadores com bandeiras, vestindo camisas da seleção argentina de futebol, aplaudiam as suas intervenções, gritando "Libertad, Libertad" e "Motosierra!" (motosserra), em referência à ferramenta que Milei brandia em campanha, para simbolizar os cortes que virão.

Ao meio-dia (horário local), Javier Milei, de 53 anos, tornou-se o décimo segundo presidente da Argentina desde a redemocratização do país, há 40 anos, jurando perante os parlamentares honrar o cargo e vestindo a faixa presidencial azul e branca.

Diversos líderes de extrema direita e políticos estrangeiros acompanharam a cerimônia, como o ex-presidente Jair Bolsonaro, o primeiro-ministro húngaro Viktor Orbán e o chefe do partido espanhol Vox, Santiago Abascal. Também estiveram presentes o rei da Espanha Felipe VI, o uruguaio Luis Lacalle Pou, o chileno Gabriel Boric, o paraguaio Santiago Peña, além do ucraniano Volodymyr Zelensky, abraçado longamente por Milei na escadaria do Parlamento.

Ajustes dolorosos

Eleito deputado em 2021, o economista conhecido há anos como um polemista, popular nas televisões, varreu os blocos peronista (centro-esquerda) e de direita, que se alternavam no poder durante 20 anos, com uma mensagem clara. Em 19 de novembro, obteve uma vitória retumbante no segundo turno das eleições presidenciais contra o ministro centrista da Economia, Sergio Massa, com 55,6% dos votos.

Terceira maior economia da América Latina, mas atolada numa inflação crônica, de 143% ao ano, numa dívida estrutural e numa pobreza de 40%, a Argentina se prepara para ajustes dolorosos. Javier Milei indicou que convocaria uma sessão extraordinária do Parlamento nos próximos dias para apresentar um primeiro bloco de leis. Permanece a incerteza sobre as suas primeiras medidas concretas: desvalorização do peso notoriamente sobrevalorizado? Primeiros cortes orçamentais, especialmente em obras públicas? Restrição ou mesmo proibição da emissão monetária?

O chefe de Estado reafirmou este domingo que o primeiro objetivo concreto será uma redução de 5% do PIB no déficit orçamentário, que "recairá sobre o Estado e não sobre o setor privado".

No entanto, certas posições controversas tomadas durante a sua campanha permanecem fora das discussões por enquanto: a sua oposição à legalização do aborto, em 2021, e a sua negação das alterações climáticas como uma "responsabilidade do homem".

Zelensky quer apoio da América Latina

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, parabenizou o recém-eleito presidente argentino na posse em Buenos Aires, onde também se reuniu com os líderes do Equador, Paraguai e Uruguai.

Zelensky espera reunir apoio para o seu país, que enfrenta uma invasão das forças russas, durante esta primeira viagem à América Latina desde o início da guerra.

"Este é um novo começo para a Argentina e espero que o presidente Milei e todo o povo argentino surpreendam o mundo com o seu sucesso", disse Zelensky nas redes sociais após participar na cerimônia de posse.

"Também estou confiante de que a cooperação bilateral entre a Ucrânia e a Argentina continuará a se expandir", destacou o presidente ucraniano.

(Com informações da AFP)

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