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Tensão Venezuela-Guiana coloca em potencial risco interesses nacionais do Brasil, diz comandante da Marinha

O comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen - Reprodução
O comandante da Marinha, Marcos Sampaio Olsen Imagem: Reprodução

08/12/2023 16h35Atualizada em 08/12/2023 16h44

Por Ricardo Brito

BRASÍLIA (Reuters) - O comandante da Marinha, almirante de esquadra Marcos Sampaio Olsen, afirmou nesta sexta-feira que a Força acompanha a "escalada de tensão" entre Venezuela e Guiana pelo controle do território de Essequibo, e disse que a situação envolvendo os países vizinhos coloca em potencial risco os interesses nacionais e deve ser encarada como possível ameaça à manutenção da paz e cooperação no entorno estratégico do país.

"A situação de crise nos países vizinhos coloca em potencial risco os interesses nacionais e deve ser encarada como possível ameaça à manutenção da paz e cooperação no entorno estratégico do Estado brasileiro", disse Olsen em declaração enviada à Reuters em resposta a pedido de comentário sobre a tensão entre os vizinhos do norte do Brasil.

O comandante disse ainda que a Marinha permanece em condições de emprego, estando pronta para apoiar a política externa do país, além de monitorar e proteger as infraestruturas críticas e os recursos encontrados em águas da jurisdição brasileira, em linha com as perspectivas dos ministérios das Relações Exteriores e da Defesa.

A Marinha, no entanto, não respondeu qual efetivo de militares e de equipamentos dispõe para desempenhar esse tipo de atividade.

A manifestação da Marinha ocorre dias após o Ministério da Defesa e o Exército anunciarem que estavam reforçando posições militares na região da fronteira do Brasil com a Venezuela e a Guiana.

A tensão escalou depois que, no domingo, a população venezuelana aprovou em um referendo convocado pelo presidente Nicolás Maduro a anexação da região guianense do Essequibo, rica em minerais e petróleo.

Também nesta sexta-feira, o Centro de Comunicação Social do Exército informou que uma brigada que fica em Roraima, com efetivo de quase dois mil militares, "intensificou sua ação de presença naquela faixa de fronteira visando atender, por meio da Operação Roraima, à missão de vigilância e proteção do território nacional".

"Nesse contexto, foi antecipado um reforço de tropas e meios de emprego militar na cidade de Pacaraima, onde se localiza o 3º Pelotão Especial de Fronteira, com a finalidade de participar da referida operação", destacou.

A única estrada que liga a Venezuela ao Essequibo atravessa por 400 quilômetros o território brasileiro em Roraima, e o Brasil já avisou que não permitirá a entrada de militares venezuelanos.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que se reúne nesta sexta-feira à tarde com o ministro da Defesa, José Múcio Monteiro, para tratar do assunto, tem sido enfático nas críticas contra uma eventual ação militar perpetrada pelas forças da Venezuela.

Na abertura de uma reunião da cúpula do Mercosul na quinta-feira no Rio de Janeiro, Lula disse que o bloco não pode ficar alheio a essa disputa e que está acompanhando com crescente preocupação o tema. Os países do bloco divulgaram uma declaração sobre a situação afirmando que ações unilaterais devem ser evitadas pois adicionam tensão, e cobraram Venezuela e Guiana a buscar o diálogo e uma solução pacífica.

"Os Estados Partes do Mercosul manifestam sua profunda preocupação com a elevação das tensões entre a República Bolivariana da Venezuela e a República Cooperativa da Guiana. A América Latina deve ser um território de paz e, no presente caso, trabalhar com todas as ferramentas de sua longa tradição de diálogo", disse o bloco sul-americano. Também assinaram a declaração Chile, Colômbia, Equador e Peru.

(Edição de Pedro Fonseca)

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