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Manifestações convocadas pela ultradireita são proibidas na França por temores de violência

02/12/2023 13h25

Manifestações convocadas pela ultradireita neste sábado (2) no sul da França foram proibidas pela polícia, devido ao "risco real de perturbações da ordem pública". Em Paris, cerca de 200 pessoas convocadas por um grupo radical desfilaram na noite de sexta-feira (1º). 

"Existe um risco real de perturbações da ordem pública ou mesmo de confrontos entre duas manifestações", justifica Thierry Devimeux, chefe de polícia da região da Drôme, 600 km ao sul de Paris, onde duas manifestações foram proibidas no sábado.

Os protestos estão relacionadas à morte do jovem Thomas, um estudante do ensino médio, de 16 anos, morto durante uma briga em uma festa, na noite de 18 de novembro, no município de Crépol, na Drôme. 

Segundo o Devimeux, em entrevista para a Franceinfo neste sábado, são ativistas de ultradireita "que convocam protestos com pessoas que podem vir de diferentes regiões da França". Ele pediu calma e respeito pelo "tempo de luto que ainda não acabou", referindo-se à morte do jovem. 

As manifestações foram proibidas na França, de acordo com o ministro do Interior francês, Gérald Darmanin, para evitar que aconteça como em Dublim, na Irlanda, onde protestos violentos contra imigrantes, após a morte de um jovem, acabaram em tumultos, incêndios e saques de lojas. 

Manifestação em Paris

Uma manifestação convocada pelo Natifs (Nativos), um pequeno grupo de ultradireita, em homenagem ao jovem morto reuniu cerca de 200 pessoas na noite de sexta-feira na Praça do Panteão, em Paris. O protesto pôde ser realizado após a suspensão de uma ordem da Secretária de Segurança Pública.

Os manifestantes gritavam slogans como "justiça para Thomas" e "Franceses, acordem, vocês estão em casa", sob forte vigilância policial, de acordo com a AFP.

"Estou escandalizado com a manifestação em Paris. O secretário de Segurança Pública, por minhas instruções, proibiu, os tribunais autorizaram", reagiu Gérald Darmanin, na noite de sexta-feira, na Assembleia Nacional francesa, ao final do exame em comissão da lei de imigração.

O secretário de Segurança Pública de Paris, Laurent Nuñez, anunciou, ainda na noite de quarta-feira (29), sua decisão de proibir a manifestação, que podia gerar perturbações da ordem pública "incitando ao ódio e à violência".

Mas um tribunal de Paris suspendeu o decreto municipal na noite de sexta-feira, alegando que se tratava de um "grave ataque à liberdade de manifestação", já que o objetivo do protesto era "homenagear Thomas". 

Questionado pela AFP, o porta-voz dos Natifs, Antoine, que não quis revelar o sobrenome, garantiu que o objetivo da manifestação era "reunir as pessoas que ficaram chocadas" com a morte de Thomas "e denunciar a frouxidão jurídica", o que não permite "dissuadir os atacantes de começar de novo".

A concentração na capital francesa transcorreu sem violência e se dispersou pouco depois das 20h locais, de acordo com a agência de notícias.

(Com informações da AFP)   

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