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Jornalista acusa mascote do Inter de importunação e faz B.O após Gre-Nal

do UOL

Do UOL, em São Paulo

26/02/2024 04h00

A jornalista Gisele Kümpel, do Canal Monumental, afirmou que foi vítima de importunação por parte do mascote "Saci", do Inter, durante o Gre-Nal realizado ontem pelo Campeonato Gaúcho. Ela registrou um B.O (Boletim de Ocorrência) nas dependências do Beira-Rio, palco do duelo.

O que aconteceu

O problema, segundo Gisele, começou no 2° tempo e chegou ao ápice no gol de pênalti de Alan Patrick, marcado já nos minutos finais do duelo gaúcho.

Gisele contou ao UOL que recebeu um abraço e um beijo no rosto sem consentimento por parte do Saci, que ficou atrás de um dos gols do estádio — na mesma região de alguns repórteres de rádio.

Ela registrou um B.O após a partida dentro do estádio e disse que vai entrar com medida protetiva.

O que diz a jornalista?

Início do problema. "Eu estava ali atrás do gol onde ficou a torcida do Grêmio. Acho que no 1° tempo, o mascote nem estava do meu lado, mas no 2° tempo, ficou onde a gente estava. Ele ficou perto de mim porque eu estava bem perto do gol. Ele sempre fica ali atrás, às vezes caminha, dança, enfim, mas ele estava bem perto de mim. Em um determinado momento, eu estava com meu celular na mão. Eu uso um microfone do canal que trabalho que tem o logo do canal — que é azul, preto e branco, cores do Grêmio. Estava tranquila e sem fazer qualquer tipo de manifestação porque somos bem orientados."

Aproximação. "Em um primeiro momento, no meio do jogo, ele colocou a cabeça dele do lado da minha e ficou encostando para olhar meu celular e ver o que eu estava vendo. Eu estava sentada. Eu olhei para ele com a cara séria e ele saiu. Fiquei na minha. Depois, ele estava toda hora querendo chamar minha atenção de alguma forma. Teve uma hora que olhei para ele e ele fez gestos de colocar a mão no bolso, de deslizar com a mão no ar... eu não entendia, até porque nem estava concentrada nele, mas sim preocupada com o jogo. Eu não entendi. Nem sorri ou perguntei o que era, só ignorei."

Gol do Inter e contato físico. "Fiz um comentário com um colega que estava do meu lado. Falei: 'meu Deus, o mascote está me tirando do sério'. Neste momento, foi pênalti para o Inter. Quando houve isso, me deu um estalo para ficar longe. Até então, não tinha me incomodado a ponto de fazer um boletim de ocorrência, ele 'só' estava me importunando. Fui uns três metros para o lado esquerdo, na direção de outros repórteres. Fiquei a uns três metros de distância do mascote. Quando sai um gol do Inter, geralmente ele comemora com a torcida dele, mas ele não foi, ele começou a comemorar perto de mim. Quando ele viu que não olhei para ele — porque estava olhando para o campo e, portanto, de lado para ele —, ele simplesmente me abraçou."

Alan Patrick celebra gol em Inter x Grêmio; lance gerou problema envolvendo jornalista e mascote - RAUL PEREIRA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO - RAUL PEREIRA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO
Alan Patrick celebra gol em Inter x Grêmio; lance gerou problema envolvendo jornalista e mascote
Imagem: RAUL PEREIRA/FOTOARENA/FOTOARENA/ESTADÃO CONTEÚDO

Susto e crise. "A máscara dele, me parece, não é aquela que vai até o peito. A sensação que tive foi que ele deu uma levantadinha nela, mas não a ponto de eu conseguir enxergar, até porque foi muito rápido. Senti que deu uma levantadinha. Com uma mão, ele me abraçou por trás, e na outra eu senti o rosto, o suor dele e o estalo do beijo. Foi no rosto, não foi na boca, mas ele ficou alguns segundos abraçado como se eu pudesse dar tal liberdade. Eu fiquei séria e ele viu que não gostei. Eu entrei em um transe: 'o que está acontecendo? O que é isso?'. Quando me dei conta que ele invadiu minha privacidade, comecei a tremer, começou a me dar crise de ansiedade."

Sumiço. "Comecei a respirar e deu uma confusão com os jogadores — até perto de onde a gente estava. Caminhei um pouco para frente, já tinha desconectado da rádio que trabalho — nem consegui avisar eles. Só consegui pensar em mandar mensagem para a associação dos cronistas daqui. Falei: 'O que faço? Acabei de ter uma importunação sexual, um abraço e beijo sem consentimento'. Eles me orientaram. Pensei: 'vou levar esse cara junto pelo flagrante'. Aí, ele sumiu. Ele saiu antes de terminar o jogo."

Boletim. "Fui registrar o B.O, e a delegada disse que isso é importunação. Vou entrar com representação e medida protetiva na delegacia da mulher."

O que diz o boletim?

O documento afirma que a mulher alegou ter sido "abraçada e beijada à força" pelo mascote logo depois do gol de Alan Patrick.

O que diz o Inter?

"Sobre os fatos registrados no Juizado do Torcedor e Posto da Polícia Civil do Beira-Rio após o clássico deste domingo, o Internacional informa que, como habitual, disponibilizará imagens do seu circuito de monitoramento para a elucidação dos casos.

Tanto as ocorrências de arremessos de cadeiras oriundas da torcida visitante, que atingiram torcedores do Internacional, quanto a denúncia registrada por profissional da imprensa serão acompanhadas pelo Clube para a adoção das medidas cabíveis."

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