Powell retorna ao Congresso com dados que mostram um salto na inflação em janeiro
Por Howard Schneider
WASHINGTON (Reuters) - O chair do Federal Reserve, Jerome Powell, repetiu nesta quarta-feira durante audiência no Congresso, convocada logo após dados mostrarem que os preços ao consumidor dos Estados Unidos subiram mais rápido do que o esperado em janeiro, que o banco central não tem pressa em cortar a taxa de juros.
"Estamos perto, mas não chegamos lá em relação à inflação. O dado de inflação de hoje... diz a mesma coisa", disse Powell ao Comitê de Serviços Financeiros da Câmara. "Fizemos um grande progresso... mas ainda não chegamos lá".
"Queremos manter a política monetária restritiva por enquanto", disse Powell em referência aos planos do Fed de manter sua taxa de juros de referência até que esteja claro que a inflação cairá para a meta de 2% do banco central.
O aumento dos preços de moradia, alimentos e energia, com uma alta acentuada também dos automóveis usados, fez com que o índice de preços ao consumidor subisse a uma taxa anual de 3% em janeiro, contra 2,9% no mês anterior.
A variação ficou um pouco acima das expectativas dos analistas e provavelmente reforçará a relutância do Fed em reduzir ainda mais a taxa de juros, já que as autoridades aguardam sinais de que as pressões dos preços na economia continuarão a diminuir.
Sob questionamento dos parlamentares, Powell reiterou que concorda que o Fed estava atrasado quando começou a aumentar a taxa de juros quando a inflação subiu em 2021, mas "não sei quanta diferença isso teria feito", dado o eventual ritmo de aumento dos juros e a subsequente queda da inflação.
Uma próxima revisão da estratégia de política monetária do Fed, no entanto, examinará a experiência dos últimos anos e "estaremos abertos a críticas e faremos ajustes discretos e apropriados", disse ele.
A inflação ao consumidor já subiu por quatro meses seguidos, o que levou operadores a apostarem que o Fed não cortará novamente a taxa básica de juros até setembro, e agora esperam que essa seja a única redução este ano.
Nas mídias sociais, o presidente Donald Trump pediu novamente que juros mais baixos andem "de mãos dadas" com aumentos de tarifas que ele impôs e está planejando, um comentário repetido que o secretário do Tesouro, Scott Bessent, disse que se referia aos rendimentos dos títulos de longo prazo, e não à política monetária do Fed.
Mas as taxas de longo prazo também subiram com as notícias sobre a inflação, com o rendimento do Treasury de 10 anos subindo cerca de 10 pontos-base, para 4,6%.
No depoimento ao painel da Câmara, Powell repetiu a mesma declaração de abertura feita em uma audiência na terça-feira perante o Comitê Bancário do Senado.
A inflação tem sido a principal preocupação do banco central desde que começou a subir em 2021 para os níveis mais altos desde a década de 1980 e levou o Fed a aprovar uma série rápida de aumentos dos juros.
Desde então, a inflação voltou a se aproximar da meta de 2% do banco central. Porém, depois de começar a reduzir os juros no ano passado, o Fed passou a ficar em modo de espera, com as autoridades dizendo que estão preparadas para permanecer assim até que a inflação retome seu declínio e elas tenham mais clareza sobre a direção da economia sob o novo governo Trump.
"Não precisamos ter pressa", disse Powell ao Comitê Bancário do Senado na audiência de terça-feira.