Controle no cérebro e ajuda de bactérias: o interior do 'carro do futuro'

No início do século XXI, a indústria previa uma chegada simultânea de carros elétricos e autônomos ao mercado. Os automóveis que dirigem sozinhos atrasaram, mas na próxima década já devem estar nas ruas - e, por isso, alguns designers já estudam como será a cabine de um veículo em que todos são passageiros.
Até já existem carros como o Mercedes-Benz EQS que, em alguns lugares, oferecem o nível 3 de automação veicular. Mas as mudanças serão drásticas quando houver os primeiros veículos de nível 4, que já são conduzidos 100% pelo computador em quase todas as condições climáticas.
A única diferença para o nível 5 é que, nesse, em qualquer condição o computador dá as ordens. No nível 4, "a instalação de pedais e volante não são obrigatórias", explica o SAE.
Até agora, a aposta são telas gigantes para ocupar o espaço do volante. A fornecedora chinesa Yangfeng é direto ao ponto e apresentou um conceito no qual uma televisão de tela curvada se encaixa no painel.
A ideia é que a fabricação e a manutenção dos componentes sejam o mais simples possível. Isso porque os carros autônomos, prevê-se, terão seu primeiro boom quando aplicativos como a Uber lançarem suas frotas com esses carros. A TV central se conecta aos celulares dos ocupantes, que podem acessar redes sociais e streamings, com headsets para cada banco.
A Mercedes-Benz estreará seus carros de nível 4 pelo topo do catálogo, então está mais preocupada com tecnologias extremas, que não são baratas. Uma delas é um controle remoto que lê pensamentos dos ocupantes para controlar uma tela de quase 80" do conceito Vision AVTR.
Não espere algo para "amanhã. Mas esse recurso já não é só ficção científica", explica a Mercedes, que baseia o sistema em equipamentos utilizados por neurocirurgiões.
Ainda que volante e pedais não sejam obrigatórios nesses carros, a BMW acredita que seus clientes escolherão dirigir de vez em quando. É por isso que os sucessores dos Série 3 e X3 mantêm esses equipamentos e aproveitam o para-brisa para ampliar as telas da cabine.
O sistema, chamado de Panoramic iDrive, estreia já nesse ano, em carros de nível 3 de automação. Ele traz uma central multimídia tradicional, mas a base do para-brisa é uma segunda tela com realidade aumentada. Isso significa que, entre outras funções, é possível que uma rota de GPS seja projetada exatamente sobre a faixa em que o motorista deve tomar, mesclando o mundo físico e o digital.
Em uma coisa, porém, as empresas são unânimes: é preciso economizar peso e diminuir o impacto ambiental das matérias-primas usadas na montagem de uma cabine.
A Mercedes também é ousada nesse aspecto, e investe em um sistema em que bactérias são modificadas geneticamente para sintetizar a proteína da seda, substituindo o inseto que produz o tecido nobre. As bactérias são cultivadas em laboratórios muito mais eficientes que o método artesanal. A seda gerada tem mesma qualidade, mas é mais leve que o produto tradicional.
Na outra ponta, dos carros mais baratos, a questão será de criatividade e recepção do consumidor. O Volvo EX30, vendido no Brasil, usa, por exemplo, revestimentos que vão de calças jeans a materiais de construção descartados, que são tratados e usados na cabine.
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