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Sakamoto: Marçal presta desserviço sobre suicídio para conquistar voto

do UOL

Colaboração para o UOL, em São Paulo

11/07/2024 12h32

O candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (PRTB) prestou um "enorme desserviço" sobre suicídio ao falar do ocorrido com o pai da candidata Tabata Amaral (PSB), criticou o colunista Leonardo Sakamoto no UOL News da manhã desta quinta-feira (11).

Marçal responsabilizou a família de Tabata pela morte do pai dela, em 2012. Ele foi questionado sobre ter mentido, em entrevista no último dia 4, que o pai de Tabata cometeu suicídio quando ela estudava em Harvard, nos Estados Unidos. Na verdade, a morte foi em 2012, quando a deputada tinha 18 anos e estava no Brasil.

Para ele, o fato de a deputada estar no país quando o caso ocorreu é ainda pior. "A família é responsável pelos seus. É papel de todo ser humano cuidar dos seus pais. Ninguém se mata do nada, ninguém entra no vício do nada. As pessoas que estão abandonadas nas ruas foram abandonadas pelas famílias", disse Marçal.

O candidato Pablo Marçal faz um enorme desserviço sobre o suicídio para conquistar voto e tirar voto de Tabata Amaral [...] Antes que uma guerra eleitoral seja estabelecida sobre esse tema, vale lembrar algo repetido por profissionais que atuam há muito anos no tema 'suicídio': o suicídio ou a sua ideação raramente têm uma única causa.
Leonardo Sakamoto, colunista do UOL

Mesmo que tivesse acontecido aquilo que ele falou, que a Tabata ficou fora do Brasil e abandonou o pai, o suicídio não tem uma única causa. Normalmente, eles contam com vários motivos e não são necessariamente fáceis de serem identificados. Depressão e uso de psicoativos são apenas parte da questão.

Segundo o colunista, Marçal perdeu a chance de jogar luz em uma questão sensível.

Por ser uma figura pública, Pablo Marçal deveria ter ajudado a iluminar a importância de estarmos atentos ao sofrimento dos que nos rodeiam, mantermos abertos canais de escuta e acolhimento, criarmos estruturas públicas para atender esse tipo de demanda, darmos centralidade à questão da saúde mental e, de jeito nenhum culpar os parentes, amigos e pessoas que estão em volta.

Se ele é o Super-Homem, se ele está acima do bem e do mal, se ele é capaz de ver através de paredes ou de chumbo grosso, a maior parte da população não é. Nem sempre a gente vê e capta as nuances do sofrimento humano. Surpreende quando amigos, colegas ou parentes tiram a própria vida.

Não é aceitável que um candidato da prefeitura da maior cidade da América do Sul coloque a culpa na família por conta do suicídio de uma pessoa. Neste caso, ele está dizendo que toda família que perdeu alguém por suicídio é responsável por aquela morte.

O que é responsabilidade? Como entrar na vida daquela família e ver o que ela fez ou deixou de fazer em nome daquilo? Fazer isso e aplicar isso dentro de uma disputa ideológica emulando o pior do bolsonarismo diz muito sobre o nível da degradação que chegamos como sociedade como política. Não estamos falando sobre o Pablo, estamos falando sobre suicídio.

Novo ataque a Tabata

Marçal afirmou que a deputada Tabata Amaral (PSB), também pré-candidata, "não aguenta o tranco" para ser prefeita de São Paulo. Questionado sobre ataques que fez à parlamentar no início do mês, Marçal declarou que ela "é uma garota e precisa amadurecer".

O pré-candidato subiu o tom quando foi questionado sobre declarações a respeito da pré-candidata. "É um assunto delicado. É um homem contra três mulheres", disse. Ele recuou sobre ter falado que ela não pode ser prefeita porque não é casada e não tem filho.

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