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Espionagem na Abin: amigo dos Bolsonaro, Ramagem foi de delegado a deputado

Ramagem em foto com Bolsonaro e bandeira do Brasil no ombro - Reprodução Instagram
Ramagem em foto com Bolsonaro e bandeira do Brasil no ombro Imagem: Reprodução Instagram
do UOL

Do UOL*, em São Paulo

11/07/2024 14h06Atualizada em 11/07/2024 14h06

Alexandre Ramagem (PL-RJ) é um dos investigados na ação da Polícia Federal que prendeu preventivamente quatro pessoas, na manhã de hoje (11), na quarta fase da Operação Última Milha, que apura desvios na Abin (Agência Brasileira de Inteligência) sob o governo Bolsonaro e a atuação do chamado "gabinete do ódio".

A PF também mira ex-integrantes da Abin durante a gestão do ex-diretor Alexandre Ramagem, aliado dos Bolsonaro, atual deputado federal pelo PL-RJ e pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro.

Quem é Alexandre Ramagem?

Hoje deputado, Ramagem era delegado da PF quando se aliou ao então candidato Jair Bolsonaro (PL). Ramagem se aproximou da família ainda na campanha de 2018, quando virou chefe da segurança pessoal de Bolsonaro depois da facada que o então candidato levou durante um evento eleitoral em Juiz de Fora (MG).

Ramagem desempenhou a função de delegado até 2019, no início do mandato de Bolsonaro. No começo daquele ano, foi nomeado superintendente da PF do Ceará, mas deixou a carreira para assessorar a Presidência República.

Em abril daquele ano, Bolsonaro tentou nomeá-lo chefe da Polícia Federal, mas foi impedido pelo STF. A tentativa de nomeação culminou com o pedido de demissão do então ministro da Justiça Sergio Moro, que afirmou que Bolsonaro queria interferir na Polícia Federal. Em sua decisão, o ministro do STF Alexandre de Moraes escreveu que a PF não é "órgão de inteligência da Presidência da República".

Em junho, Ramagem foi o escolhido para chefiar a Abin. "Grande parte do destino da nossa nação e das decisões que eu venha a tomar partirão das mãos dele [Ramagem]", discursou Bolsonaro na ocasião. Ramagem ficou na agência até 2022.

Ramagem virou amigo da família Bolsonaro. Ele passou o Réveillon de 2020 ao lado o vereador Carlos Bolsonaro (PL-RJ), então responsável pelas redes sociais do presidente e pela disseminação de notícias falsas em seu "gabinete do ódio". Ramagem chegou a usar verba de seu gabinete de deputado para contratar uma empresa de comunicação chefiada por ex-integrantes do grupo, revelou o jornal O Estado de S. Paulo.

Ele foi eleito no ano passado com 59.170 votos na primeira eleição que disputou. Ramagem declarou patrimônio de R$ 428 mil, incluindo um carro de luxo. Ele recebe como deputado um salário R$ 41 mil por mês, além R$ 6,7 mil de auxílio moradia.

alexandre ramagem - Marcos Oliveira/Agência Senado - Marcos Oliveira/Agência Senado
Alexandre Ramagem ainda comom diretor-geral da Abin
Imagem: Marcos Oliveira/Agência Senado

Sua bandeira no Congresso é a segurança pública. Ele é um dos vice-líderes do PL na Câmara e membro do Conselho de Ética e da Comissão de Segurança Pública e Combate ao Crime Organizado.

Até a operação de hoje, Ramagem era cotado para disputar a Prefeitura do Rio este ano. Seu nome virou opção para Bolsonaro depois que o favorito para a disputa, o ex-ministro da Defesa Walter Braga Netto, ficou inelegível junto com o ex-presidente em decisão do TSE no final de outubro último.

Ainda em outubro, a Abin foi alvo de uma operação da Polícia Federal. A ação prendeu dois servidores do órgão e visitou 25 endereços em oito estados e Brasília.

A suspeita era que as estruturas da Abin foram usadas para 33 mil rastreamentos ilegais. Alguns dos alvos foram autoridades, como o ministro Alexandre de Moraes. Na ocasião, Ramagem disse nas redes sociais que a operação foi possível graças ao "início de trabalhos de austeridade" no governo Bolsonaro.

A operação de hoje

Segundo apuração da coluna de Aguirre Talento no UOL, foram presos:

  • Mateus Sposito, que foi assessor no Ministério das Comunicações no governo Bolsonaro e é suspeito de também atuar para o "gabinete do ódio";
  • Richards Pozzer, que divulgava notícias falsas em suas redes sociais e chegou a publicar ataques contra senadores da CPI da Covid;
  • O policial federal Marcelo Bormevet, que foi levado para a Abin por Ramagem para comandar um órgão de inteligência;
  • O militar do Exército Giancarlo Gomes Rodrigues, que trabalhava na Abin subordinado a Bormevet.

Há ainda um quinto mandado de prisão, que até o momento não foi cumprido. Ele é para Rogério Beraldo de Almeida, influenciador que, assim como Pozzer, divulgava notícias falsas em suas redes sociais repassadas pelos agentes da Abin, conforme as investigações.

Também são cumpridos sete mandados de busca e apreensão. Os mandados foram expedidos pelo ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) Alexandre de Moraes, relator da investigação.

O ex-assessor do Palácio do Planalto José Matheus Sales, apontado como um dos principais integrantes do "gabinete do ódio", foi alvo de busca e apreensão.

A PF também cumpriu buscas na residência de um assessor legislativo, Daniel Ribeiro Lemos, que trabalha para um deputado do PL. Ele é suspeito de auxiliar na estrutura do "gabinete do ódio".

Nesta fase da operação, a PF apura suspeitas de que a Abin atuou clandestinamente para divulgar notícias falsas sobre membros dos Três Poderes e jornalistas, além de acessar ilegalmente computadores, aparelhos de telefonia e a infraestrutura de telecomunicações para monitorar pessoas e agentes públicos.

*Com Agência Estado e informações de matéria de janeiro de 2024 e da coluna de Aguirre Talento

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