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Destruição e desolação após a retirada das tropas israelenses de Shujaiya em Gaza

11/07/2024 08h43

Shujaiya está "em ruínas", diz Sabrin Abu Asr, que fugiu deste bairro da Cidade de Gaza quando o Exército israelense iniciou a sua operação militar contra o movimento islamista palestino Hamas, em 27 de junho. 

A ofensiva nesta zona do leste da Cidade de Gaza terminou na quarta-feira e deixou para trás um cenário de destruição, escombros e poeira. 

Nesta quinta, horas depois da retirada do Exército, a Defesa Civil da Faixa de Gaza afirmou ter encontrado os corpos de "cerca de 60 mártires" sob os escombros.

Agora, "85% dos prédios [do bairro] são inabitáveis", relatou o porta-voz da Defesa Civil, Mahmud Basal. Sem contar todas as estruturas que foram "demolidas", transformando Shujaiya em uma "zona de desastre".

Os poucos edifícios que restam não têm fachadas, enquanto os restantes foram reduzidos a montes de pedra, metal retorcido e concreto pulverizado. Não há mais vestígios de vida. 

Os moradores que retornaram ao bairro após a saída das tropas israelenses observam os danos e voltam à estrada com seus poucos pertences sob os ombros. Os mais sortudos os colocam em uma bicicleta ou em uma carroça puxada por um burro. 

"O bairro de Shujaiya está em ruínas. Estamos devastados", disse à AFP Abu Asr, uma moradora de Gaza que saiu a pé com uma lata debaixo do braço.

"A nossa angústia deve ser sentida pelos outros. Alguém tem que sentir empatia pela população de Gaza", afirma, com gestos desesperados. 

O Exército israelense anunciou na quarta-feira o "fim" da ofensiva em Shujaiya, palco de violentos combates durante duas semanas, que obrigaram dezenas de milhares de pessoas a fugir. 

As Forças Armadas asseguram que a operação permitiu o desmantelamento de oito túneis e a morte de "dezenas de terroristas".

- "Destruição imensa" -

Entre dois edifícios destruídos encontra-se agora um veículo blindado, abandonado pelo Exército israelense após a sua retirada. Um grupo de palestinos tenta recuperar o que puder do veículo incendiado, que não tem mais porta nem teto. 

Perto do veículo blindado está Mohamad Nairi, com as mãos e a camisa cobertas de poeira. "Quando voltamos para Shujaiya, vimos uma destruição imensa, além do que podemos descrever. Todas as casas foram destruídas", diz ele. 

Apesar da retirada das tropas, os combates não cessaram e deslocaram-se para o resto da cidade, que o Exército pediu para evacuar na quarta-feira. 

A guerra em Gaza eclodiu em 7 de outubro, quando comandos islamistas mataram 1.195 pessoas, a maioria civis, e sequestraram 251 no sul de Israel, segundo um balanço da AFP baseado em dados oficiais israelenses. 

O Exército israelense calcula que 116 pessoas permanecem em cativeiro em Gaza, 42 das quais teriam morrido. 

Em resposta, Israel prometeu "aniquilar" o Hamas e lançou uma ofensiva em Gaza que já matou 38.345 pessoas, a maioria civis, segundo o Ministério da Saúde do território, governado pelo Hamas desde 2007.

bur-sha/crb/feb/sag/zm/aa/fp/ic

© Agence France-Presse

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