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Abin paralela buscou 'podres' de quem apurava rachadinhas de Flávio, diz PF

do UOL

Do UOL, em São Paulo

11/07/2024 15h09

A "Abin paralela" estruturada durante o governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) monitorou três auditores da Receita Federal que investigaram o suposto esquema de rachadinha do gabinete de Flávio Bolsonaro (PL) na Alerj.

O que aconteceu

Agente da PF pediu para militar cedido à Abin buscar "podres e relações políticas" dos servidores. O pedido foi feito pelo policial federal Marcelo Bormevet a Giancarlo Rodrigues em uma conversa no WhatsApp em novembro de 2020. O conteúdo das mensagens está em relatório da PF tornado público hoje pelo ministro Alexandre de Moraes, do STF.

Pedido incluiu orientação de monitoramento de familiares dos auditores da Receita. Em uma das mensagens, Bormevet disse que Giancarlo também poderia buscar informações sobre as esposas dos alvos e questionou se o militar conseguiria encontrar dívidas tributárias que eles eventualmente tivessem.

Bormevet pediu para Giancarlo reunir essas informações e "jogar num Word". Para PF, a ordem mostra que a "Abin paralela" atuava clandestinamente e com "caráter de extra-oficialidade".

A PF diz que a ordem para monitorar os auditores da PF veio de Alexandre Ramagem. À época, ele era chefe da Abin — hoje, ele é deputado federal pelo PL e pré-candidato à Prefeitura do Rio de Janeiro. Em depoimento à PF, Ramagem negou que qualquer relatório foi elaborado a seu pedido para beneficiar Flávio e disse que seu trabalho na Abin era relacionado à "coordenação".

A PF também achou áudio de reunião de Bolsonaro com Ramagem para blindar o filho. O arquivo foi encontrado no computador do ex-chefe da Abin. Segundo a corporação, essa gravação mostra que o ex-presidente deu aval a um plano apresentado por Ramagem para abrir procedimentos contra os auditores fiscais que investigaram Flávio.

Flávio Bolsonaro diz que "não existia" nenhuma relação dele com a Abin. "Minha defesa atacava questões processuais, portanto, nenhuma utilidade que a Abin pudesse ter. A divulgação desse tipo de documento, às vésperas das eleições, apenas tem o objetivo de prejudicar a candidatura de Alexandre Ramagem à prefeitura do Rio de Janeiro", afirmou o senador, em nota.

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