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Marçal promete não usar, mas PRTB não tem dinheiro do fundo partidário

do UOL

Eduardo Baszczyn

Colaboração para o UOL, em São Paulo

10/07/2024 16h42

O pré-candidato do PRTB à Prefeitura de São Paulo, Pablo Marçal, disse que não pretende usar o fundo partidário para financiamento de sua campanha, mas o seu partido, por ser pequeno, ficou de fora da distribuição do fundo este ano. Portanto, o pré-candidato não teria mesmo como usá-lo.

O que aconteceu

Marçal participou de sabatina promovida pelo UOL e pelo jornal Folha de S.Paulo.

Questionado sobre como vai financiar sua campanha à prefeitura da capital paulista, Marçal afirmou que não precisa do fundo partidário. "Eu nem vou usar isso. Eu fico até com pena de quem precisa de fundo partidário. O que eu mais tenho é gente querendo doar na campanha, e eu falo 'calma, não precisa disso'. Eu não quero dever a ninguém", disse.

O PRTB, porém, é um dos partidos que não receberam recursos do fundo este ano, de acordo com o TSE (Tribunal Superior Eleitoral). Para ter acesso ao dinheiro, as legendas precisam obter um desempenho mínimo nas eleições, e o PRTB ficou abaixo do necessário.

Existe outro fundo que também é usado pelos partidos e está mais ligado ao financiamento de campanhas, o fundo eleitoral. Para as eleições deste ano, os partidos terão R$ 4,9 bilhões no total. O partido de Marçal fica com 0,7% desse valor, ou R$ 3,42 milhões, para custear todas as campanhas da legenda país afora. Para efeito de comparação, o MDB de Nunes tem R$ 330,41 milhões, e o PSOL de Boulos tem R$126,89 milhões.

O fundo eleitoral foi criado em 2017, após o STF (Supremo Tribunal Federal) proibir as doações de pessoas jurídicas às campanhas eleitorais e determinar que o Tesouro Nacional financiaria os partidos.

Marçal também classificou o salário que pode receber como prefeito, caso seja eleito, como irrelevante. O pré-candidato disse que recebe mais apenas com as redes sociais.

"Se eu abrir o Instagram aqui e falar qualquer coisa, eu acho que ganho esse salário a cada 30 segundos. Tanto faz pra mim isso; se o povo pedir, eu dou. Isso é irrelevante para mim"

Ao ser lembrado de que o ex-governador de São Paulo João Doria doava seu salário quando era prefeito da cidade, Marçal acrescentou que, então, não faria o mesmo apenas para evitar seguir o exemplo. "O Doria é da turma do [prefeito] Ricardo Nunes. Então se ele fez isso, já não vou fazer, em homenagem a não seguir o caminho deles", disse.

Quem é Pablo Marçal

Empresário e influenciador, Marçal deverá concorrer pela segunda vez a um cargo público. Em 2022, ele tentou disputar a Presidência da República pelo Pros, mas o partido cancelou a candidatura e apoiou o presidente Lula (PT). Marçal, então, concorreu a deputado federal por São Paulo e teve 243 mil votos, mas o registro foi negado pela Justiça Eleitoral.

Marçal foi anunciado no final de maio como pré-candidato a prefeito pelo PRTB. Desde que se colocou na disputa, ele já se reuniu com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, mas negou ter pedido apoio dele. Na mesma semana, Marçal teve um embate no Congresso com o deputado Guilherme Boulos (Psol-SP), adversário dele na corrida pela prefeitura de São Paulo.

O empresário apareceu empatado em 3º lugar na pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada no dia 8. O candidato do PRTB marcou 10%, empatado tecnicamente com José Luiz Datena (PSDB), com 11%, Tabata Amaral (PSB), com 7%, e Marina Helena (Novo), com 5%. Ficaram à frente deles o prefeito Ricardo Nunes (MDB), com 24%, e Boulos (PSOL), com 23%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Próximas sabatinas

O UOL e o jornal Folha de S.Paulo promovem sabatinas com pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo. Na sexta (12), às 10h, será a vez do deputado Guilherme Boulos (PSOL). No dia 15, o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que tenta a reeleição, participa da sabatina às 10h. José Luiz Datena (PSDB) é o entrevistado do dia 16, também às 10h.

Ao todo, o UOL e a Folha vão promover sabatinas com candidatos à prefeitura de 17 cidades do país. Já aconteceram as entrevistas com Fuad Noman (PSD) e Rogério Correia (PT), em Belo Horizonte; Bruno Reis (União) e Kleber Rosa (PSOL), em Salvador; com João Campos (PSB), Gilson Machado (PL) e Daniel Coelho (PSD), no Recife.

Ainda acontecerão as sabatinas com candidatos a 13 prefeituras: Rio de Janeiro, Maceió, Manaus, Fortaleza, Curitiba, Guarulhos, São Bernardo, Santo André, Osasco, Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto e São José dos Campos.

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