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Marçal mira apoio do União, renova ataque a Tabata e defende Bolsonaro

O pré-candidato à Prefeitura de São Paulo Pablo Marçal (PRTB) afirmou, durante a sabatina promovida pelo UOL e o jornal Folha de S.Paulo, que deverá ter apoio do União Brasil para concorrer ao cargo. Ele também voltou a atacar a adversária Tabata Amaral (PSB) e disse que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) é alvo de "fake news" no caso das joias que o ex-mandatário tentou vender no exterior.

O que aconteceu

Marçal disse que "provavelmente" terá apoio do União Brasil, mas que a aliança ainda não foi selada porque "está caro demais". Perguntado sobre qual seria o preço desse apoio, porém, o pré-candidato não esclareceu. Primeiro, afirmou que "eles estão pedindo a minha alma" e, em seguida, disse que não poderia revelar.

O pré-candidato indicou que pode apoiar Ronaldo Caiado (União) à Presidência em 2026. Ele disse que é amigo do governador de Goiás, que é postulante ao Planalto em 2026, mas que só deverá apoiá-lo se o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) continuar inelegível e não puder concorrer.

A colunista do UOL Raquel Landim revelou que Marçal se encontrou novamente com o presidente do União Brasil. Marçal encontrou Antônio Rueda para discutir uma possível aliança na disputa para a Prefeitura de São Paulo.

Quando eu falei para vocês que está caro, tá caro por quê? Porque, se eu cresço um pouco mais, vai ficar mais barato o que eles estão me pedindo. E o que eles estão me pedindo, a gente toda hora está sentando para resolver isso, e não dá para revelar agora
Pablo Marçal (PRTB), durante a sabatina, sobre o possível apoio do União Brasil

Defesa de Bolsonaro

Marçal afirmou que a Polícia Federal produziu "fake news" contra Bolsonaro no caso das joias sauditas. O pré-candidato a prefeito declarou que a PF fez uma "ilação" na investigação que descobriu a tentativa do ex-mandatário de vender joias recebidas quando era presidente. Marçal criticou o indiciamento de Bolsonaro por associação criminosa e, questionado se não acredita na PF, retrucou: "Eu acredito em Deus".

O pré-candidato citou o erro da Polícia Federal sobre o valor das joias. Inicialmente, a PF divulgou que as peças valeriam R$ 25 milhões, mas depois corrigiu o valor para R$ 6,8 milhões. "Vocês [mídia] têm que divulgar que a PF divulga fake news. Qualquer pessoa que dê declaração está criando notícia falsa", disse. A PF divulgou a primeira estimativa, e depois voltou atrás se corrigindo.

Marçal negou ter pedido apoio de Bolsonaro para sua candidatura. O pré-candidato, que visitou o ex-presidente em Brasília em junho, afirmou não precisar dele como cabo eleitoral.

Sobre o Bolsonaro, tem uma pesquisa do Datafolha que fala que 63% da cidade de São Paulo não vai votar por indicação de padrinho político. O próprio Bolsonaro não tinha um padrinho político [em 2018], o que eu quero é o povo. Eu preciso conquistar o povo. Esse ônus é meu
Pablo Marçal (PRTB), durante a sabatina

Novo ataque a Tabata

Marçal afirmou que a deputada Tabata Amaral (PSB), também pré-candidata, "não aguenta o tranco" para ser prefeita de São Paulo. Questionado sobre ataques que fez à parlamentar no início do mês, Marçal declarou que ela "é uma garota e precisa amadurecer".

O pré-candidato subiu o tom quando foi questionado sobre declarações a respeito da pré-candidata. "É um assunto delicado. É um homem contra três mulheres", disse. Ele recuou sobre ter falado que ela não pode ser prefeita porque não é casada e não tem filho.

Marçal responsabilizou a família de Tabata pela morte do pai dela, em 2012. Ele foi questionado sobre ter mentido, em entrevista no último dia 4, que o pai de Tabata cometeu suicídio quando ela estudava em Harvard, nos Estados Unidos. Na verdade, a morte foi em 2012, quando a deputada tinha 18 anos e estava no Brasil.

"Ninguém se mata do nada", disse Marçal. Para ele, o fato de a deputada estar no país quando o caso ocorreu é "pior ainda". "A família é responsável pelos seus. É papel de todo ser humano cuidar dos seus pais. Ninguém se mata do nada, ninguém entra no vício do nada. As pessoas que estão abandonadas nas ruas foram abandonadas pelas famílias", disse.

A Tabata foi um pouco injusta comigo. Eu chamei ela no WhatsApp para conversar [após a declaração de que ela não poderia ser prefeita por não ser casada]. Depois ela criou ilação de que eu sou estelionatário, isso é crime. Ela forçou a barra
Pablo Marçal (PRTB), sobre os ataques à deputada Tabata Amaral (PSB)

Fundo partidário

Marçal afirmou que não usará o fundo partidário em sua campanha. Ele declarou que fica "até com pena" de quem precisa do recurso público e que também tem recusado doações de pessoas físicas. "Eu fico até com pena de quem precisa de fundo partidário. O que eu mais tenho é gente querendo doar na campanha e eu falo 'calma, não precisa disso'. Eu não quero dever a ninguém", declarou.

O pré-candidato também classificou como "irrelevante" o salário de prefeito. O influenciador disse que o valor é mais baixo do que o salário de um piloto de helicóptero dele, e que recebe mais do que isso apenas com as redes sociais.

"Se eu abrir o Instagram aqui e falar qualquer coisa, eu acho que ganho esse salário a cada 30 segundos. Tanto faz pra mim isso; se o povo pedir, eu dou. Isso é irrelevante para mim"

Teleférico e curso de mentoria

Marçal sugeriu a implantação de teleféricos como uma solução para aliviar o trânsito de São Paulo. Ele aventou a implantação desses equipamentos ao redor da cidade e também citou a ideia de criar bolsões para automóveis.

O pré-candidato também indicou que quer aplicar seus cursos de mentoria à população, se a lei permitir. Segundo ele, a ideia é ensinar as pessoas a serem investidoras e empreendedoras.

Marçal afirmou ainda que se viu obrigado a entrar na corrida por não haver "gente à altura". Questionado sobre as críticas que faz ao "sistema", ele declarou que considera o sistema "o modus operandi que toca a política", e que vai buscar uma gestão para "tirar o povo de verdade da miséria".

Eu não quero entrar no sistema. Eu quero colocar pessoas que não se curvam a esse tipo de sistema. O sistema não é a lei, é o modus operandi que o político toca a política. São tantas alianças que ninguém deixa gente boa disputar. Se tivesse gente à altura, com mentalidade, querendo tirar o povo de verdade da miséria, não com proselitismo, com barganhas eleitoreiras, eu jamais ia mexer com isso
Pablo Marçal (PRTB), durante a sabatina

Marçal chegou para a sabatina com um grupo de assessores e seguranças. Assim como de costume em outras entrevistas à imprensa, sua equipe gravou trechos e os transmitiu em suas redes sociais minutos após a sabatina ser finalizada.

Quem é Pablo Marçal

Empresário e influenciador, Marçal deverá concorrer pela segunda vez a um cargo público. Em 2022, ele tentou disputar a Presidência da República pelo Pros, mas o partido cancelou a candidatura e apoiou o presidente Lula (PT). Marçal, então, concorreu a deputado federal por São Paulo e teve 243 mil votos, mas o registro foi negado pela Justiça Eleitoral.

Marçal foi anunciado no final de maio como pré-candidato a prefeito pelo PRTB. Desde que se colocou na disputa, ele já se reuniu com o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), em Brasília, mas negou ter pedido apoio dele. Na mesma semana, Marçal teve um embate no Congresso com o deputado Guilherme Boulos (Psol-SP), adversário dele na corrida pela prefeitura de São Paulo.

O empresário apareceu empatado em 3º lugar na pesquisa mais recente do Datafolha, divulgada no dia 8. O candidato do PRTB marcou 10%, empatado tecnicamente com José Luiz Datena (PSDB), com 11%, Tabata Amaral (PSB), com 7%, e Marina Helena (Novo), com 5%. Ficaram à frente deles o prefeito Ricardo Nunes (MDB), com 24%, e Boulos (PSOL), com 23%. A margem de erro da pesquisa é de três pontos percentuais para mais ou para menos.

Próximas sabatinas

O UOL e o jornal Folha de S.Paulo promovem sabatinas com pré-candidatos à Prefeitura de São Paulo. Na sexta (12), às 10h, será a vez do deputado Guilherme Boulos (PSOL). No dia 15, o prefeito Ricardo Nunes (MDB), que tenta a reeleição, participa da sabatina às 10h. José Luiz Datena (PSDB) é o entrevistado do dia 16, também às 10h.

Ao todo, o UOL e a Folha vão promover sabatinas com candidatos à prefeitura de 17 cidades do país. Já aconteceram as sabatinas com Fuad Noman (PSD) e Rogério Correia (PT), em Belo Horizonte; Bruno Reis (União) e Kleber Rosa (PSOL), em Salvador; com João Campos (PSB), Gilson Machado (PL) e Daniel Coelho (PSD), no Recife.

Ainda acontecerão as sabatinas com candidatos a 13 prefeituras: Rio de Janeiro, Maceió, Manaus, Fortaleza, Curitiba, Guarulhos, São Bernardo, Santo André, Osasco, Campinas, Sorocaba, Ribeirão Preto e São José dos Campos.

Errata: este conteúdo foi atualizado
Diferentemente do que informava a matéria, Marina Helena é do Novo, e não da Rede. O texto foi corrigido.

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