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Ronilso Pacheco: Ninguém está seguro no Rio de Janeiro se é negro

do UOL

Colaboração para o UOL em Juiz de Fora

10/07/2024 15h01

A fala do governador Cláudio Castro (PL) em defesa de policiais que apontaram uma arma para três jovens filhos de diplomatas em Ipanema, região nobre do Rio de Janeiro, mostra que ser negro no estado no do Rio de Janeiro é sinônimo de insegurança. A avaliação é do colunista Ronilso Pacheco, no UOL News desta quarta-feira (10).

Castro criticou ontem (9) a postura do Itamaraty após a abordagem, considerada racista. "Eles (Itamaraty) preferiram botar nota pública antes de saber o que aconteceu. Acho até que isso é uma coisa que a gente tem que tomar cuidado, porque atacar a polícia antes de saber o que aconteceu é muito fácil", disse o governador.

Na visão de Ronilso, tanto a fala do governador quanto a ação da Polícia Militar seguem uma lógica racista, que estrutura a cultura da PM como um todo.

"O governador está correto na medida em que ele é coerente com uma política que é pautada por uma estrutura racista muito forte que é a da Polícia Militar, que é da política de segurança. Se a gente fica batendo no policial, dá sempre a ideia de que o policial toma uma decisão sozinho, e não que não tem uma estrutura por trás, uma ordem, uma formação, uma cultura policial".

"O policial está correto no sentido de que está seguindo a norma de uma cultura de formação na qual está inserido. Então, o governador, embora não tenha essa reflexão, ele está dando uma resposta que reforça a ideia de que estamos falando de uma cultura. Uma cultura que é extremamente racista, de uma cultura que é forjada por um preconceito muito forte"

"Ninguém está seguro se é negro no Rio de Janeiro. Isso é um dilema muito sério. Mas que um jovem negro, mesmo sendo filho de um diplomata, não pode andar na Zona Sul, porque ele continua sendo negro e pode ser abordado como morador em situação de rua é abordado e ninguém liga. Então, essa é uma chaga para o governo brasileiro, para o governo do Rio".

"E isso vai sendo uma chaga e tristemente só vai ser desconfortável na medida em que ele abordar, ou atingir, mais jovens negros que, por acaso, sejam de classe média. Sejam de um nível de circulação de uma influência que possa causar um constrangimento internacional ao Brasil, como foi o caso desses diplomatas" - Ronilso Pacheco, colunista do UOL.

Tales: Reação a desastre no RS, viagens e ataques ao BC impulsionaram Lula

A melhora nos índices de aprovação do governo Lula ocorreu por múltiplos fatores, como a resposta ao desastre no Rio Grande do Sul, as viagens para inauguração de obras pelo Brasil e os ataques contra a política monetária do Banco Central, disse o colunista Tales Faria no UOL News desta quarta (10).

A pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta mostrou que a avaliação positiva do governo subiu de 33% para 36%, em comparação com o levantamento de maio. A avaliação negativa caiu de 33% para 30% no levantamento.

O presidente está viajando. Mas, tem aí ecos da atuação do Lula nas enchentes do Rio Grande do Sul. Ele agiu naquele caso, as pesquisas de opinião da época, mostraram que as atitudes do governo foram corretas e isso está ecoando agora, na visão que a população está tendo do presidente

Além das viagens, da articulação com os políticos do Centrão, aquelas viagens melhoraram a articulação do Lula com os políticos do Centrão, especialmente no Nordeste. E essa articulação faz com que melhore também a avaliação nos locais, porque esses políticos têm força junto à opinião pública local Tales Faria, colunista do UOL

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