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Carla Bruni-Sarkozy é indiciada nas investigações de financiamento irregular da campanha de 2007 do marido

10/07/2024 07h00

A ex-primeira-dama da França Carla Bruni-Sarkozy foi indiciada nesta terça-feira (9) em uma investigação sobre a suspeita de financiamento irregular da campanha eleitoral de 2007 do marido, Nicolas Sarkozy, com dinheiro da Líbia, informou uma fonte da Justiça.

Depois do marido, em outubro, Carla Bruni-Sarkozy foi indiciada nas investigações em Paris sobre a retratação em 2020 do intermediário Ziad Takieddine, que acusava Nicolas Sarkozy de ter financiado sua campanha presidencial de 2007 com fundos líbios.

Desde maio de 2021, dois juízes investigam o que descrevem como um "caso de extrema gravidade". Eles suspeitam, entre outros, do intermediário Noël Dubus, de Michèle Marchand (conhecida como "Mimi"), assessora de imprensa de celebridades, e do falecido empresário Pierre Reynaud, de terem pago ou prometido recompensar Ziad Takieddine, para que ele retirasse suas declarações. A operação teria sido aprovada por Nicolas Sarkozy.

Ao final de um interrogatório perante os dois juízes de instrução financeira, a esposa do ex-presidente francês foi indiciada por "ocultação de suborno de uma testemunha (Ziad Takieddine)" e "participação em uma associação criminosa com o objetivo de cometer o crime de fraude em um julgamento de uma organização criminosa", no caso "para enganar os magistrados responsáveis pela investigação judicial relativa às suspeitas de financiamento líbio da campanha eleitoral", informou uma fonte judicial.

A cantora e modelo "foi colocada sob controle judicial (com) a proibição de entrar em contato com todos os envolvidos no processo, exceto com Nicolas Sarkozy", especificou a fonte.

Essa decisão, "pronunciada nos mesmos termos da decisão relativa ao seu marido (...), é apenas a consequência processual lógica e não é mais bem fundamentada, nem jurídica, nem factualmente", disseram seus advogados, Paul Mallet e Benoît Martinez, à agência AFP.

"Carla Bruni-Sarkozy está determinada a fazer valer seus direitos e contestar essa decisão infundada", acrescentaram.

No caso judicial aberto em 2021, Nicolas Sarkozy foi indiciado por receptação de suborno de testemunha e associação criminosa com o objetivo de preparar fraudes judiciais em organização criminosa.

Seus advogados apresentaram em abril um pedido para anular as acusações, seguido por uma solicitação de mudança da jurisdição da investigação.

O ex-chefe de Estado (2007 - 2012) é suspeito de ter avalizado manobras para obter, em novembro de 2020, uma retratação de Ziad Takieddine, principal testemunha de acusação no caso do financiamento de sua campanha presidencial em 2007 por fundos líbios, que será julgado em 2025.

Em uma entrevista em 2020 à BFMTV e Paris-Match em Beirute (Líbano), onde vive, o intermediário havia declarado que o ex-chefe de Estado não havia "recebido um centavo, em dinheiro ou não" do falecido ditador líbio Muammar Kadhafi.

Mais de dez pessoas foram indiciadas por terem participado, em momentos e níveis diversos, dessa operação que visava principalmente enganar a justiça francesa.

Os suspeitos incluem Michèle Marchand, conhecida como "Mimi", ex-assessora de imprensa de celebridades e amiga de Carla Bruni-Sarkozy, o intermediário Noël Dubus, já condenado por fraude, e o empresário David Layani.

"Estupidamente ingênua"

Carla Bruni já foi ouvida duas vezes pelos investigadores do Escritório Central de Combate à Corrupção e Infrações Financeiras e Fiscais (OCLCIFF), como testemunha em junho de 2023, e como suspeita no início de maio.

A esposa do ex-chefe de Estado é suspeita de ter solicitado no final de 2019 uma linha telefônica sigilosa, que teria sido usada pelo casal Sarkozy para receber mensagens de Mimi Marchand sobre o andamento da operação.

Perante os investigadores, em maio, ela negou possuir a linha telefônica e afirmou desconhecer a viagem de Mimi Marchand a Beirute em outubro de 2020 para se encontrar com Ziad Takieddine.

Uma das mensagens parece, no entanto, provar que a ex-primeira-dama havia sido informada previamente sobre a viagem de Mimi Marchand.

Confrontada com as perguntas dos investigadores sobre as incoerências de sua versão em relação a esse telefone oculto, a cantora teve dificuldade em encontrar respostas. "Com certeza. Eu entendo bem. Mas esse não é meu número". E acrescentou: "Estou tentando encontrar explicações."

Carla Bruni-Sarkozy, que era amiga de longa data de Mimi Marchand, a descreveu como uma pessoa "esperta, mas não necessariamente verdadeira" e "muito manipuladora".

Ela declarou se sentir "estupidamente ingênua" e "responsável pelo indiciamento" de seu marido.

"Sou eu que deveria (ser indiciada)", afirmou, apresentando-se como "o único contato" de seu marido com Mimi Marchand, que "usou o nome de (seu) marido e o (dela) (...) para ter mais influência entre seus amigos".

Essa foi a tese apresentada pelo ex-presidente perante dois juízes de instrução durante seu interrogatório em outubro. Ele se declarou envolvido injustamente neste caso por causa de um "pequeno grupo" de "trapaceiros" ávidos por dinheiro.

(com AFP)

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