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Biden ganha apoio entre congressistas democratas mas rebelião persiste

09/07/2024 13h11

O presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, ganhou o apoio de importantes congressistas democratas na terça-feira (9), mas a rebelião interna persiste e o partido ainda não alcançou um consenso sobre manter o presidente de 81 anos como candidato nas eleições de novembro.

O líder da minoria democrata na Câmara dos Representantes, Hakeem Jeffries, se encontrou com colegas preocupados que o caos provocado pelo debate com o ex-presidente republicano Donald Trump, no qual Biden perdeu o fio do que estava dizendo várias vezes e parecia confuso, coloque em risco as eleições.

Um congressista, que falou sob condição de anonimato com a imprensa dos Estados Unidos, descreveu a reunião como "intensa". Outro disse que havia um sentimento "quase unânime" de que Biden deveria passar o bastão nesta corrida.

No entanto, na reunião plenária do partido realizada mais tarde, houve indícios de que Biden ganhou terreno. Vários parlamentares declararam sua lealdade ao presidente.

Jerry Nadler, democrata de maior patente no Comitê Judiciário da Câmara, o apoiou, apesar de relatos da imprensa indicarem que ele recentemente sugeriu que o presidente deveria abrir caminho para outro candidato.

"Ele disse que vai continuar [na corrida], ele é nosso candidato e todos vamos apoiá-lo, espero que todos apoiemos", disse a jornalistas.

Biden comprometeu-se a cumprir um segundo mandato completo se for reeleito, afirmou sua porta-voz, Karine Jean-Pierre, nesta terça. Acrescentou que ele recebeu o apoio de grupos de legisladores afro-americanos e hispânicos, bem como de parlamentares da ala progressista como Alexandra Ocasio-Cortez.

"No momento, o presidente Biden é o candidato e apoiamos o candidato democrata que derrotará Donald Trump. É um fato", declarou o congressista Peter Aguilar após a reunião dos democratas da Câmara.

Até agora, a maioria dos democratas tem respaldado publicamente Biden, mas o partido permanece dividido desde o debate, que foi assistido ao vivo por cerca de 51 milhões de americanos.

Mikie Shrrill se tornou a sétima congressista democrata a pedir abertamente a Biden que não tente a reeleição.

"Simplesmente ele tem que renunciar", afirmou o democrata Mike Quigley, da Câmara dos Representantes, à CNN.

A crise tem causado agitação no partido quando faltam menos de quatro meses para as eleições.

"Não acho que já estive em um ambiente político mais complicado em minha vida", reconheceu o senador John Hickenlooper.

- "A pura verdade" -

Biden reafirmou na segunda-feira que está determinado a permanecer na corrida e desafiou os democratas insatisfeitos a se candidatarem durante a convenção do partido em agosto.

O presidente mais velho na história dos Estados Unidos afirmou que seu mau desempenho no debate, durante o qual ficou de boca aberta várias vezes, foi devido a uma "má noite" causada por um resfriado e pelo jet lag de viagens internacionais.

A Casa Branca também atuou para contra-atacar alguns boatos. Seu médico pessoal afirmou na segunda-feira que Biden foi examinado por um especialista em doença de Parkinson apenas como parte de exames neurológicos de rotina durante seu exame médico anual.

À tarde, Biden se dirigiu aos líderes da Otan reunidos em uma cúpula em Washington, em um discurso fluido acompanhado por perto tanto a nível nacional como pelos aliados internacionais, que temem a volta do isolacionista Trump.

Lendo de um teleprompter, Biden discursou energicamente sobre o "momento da história" atual.

Até agora, os esforços de Biden não conseguiram convencer o conselho editorial do jornal The New York Times. Em um artigo crítico, o conselho argumentou que os democratas "precisam dizer a ele a pura verdade".

"Eles precisam dizer que seu desafio ameaça dar a vitória ao Sr. Trump. Eles precisam dizer que ele está se ridicularizando e colocando em perigo seu legado", insistiu o editorial do jornal.

Biden está atrás nas pesquisas e a atenção da mídia agora se concentra em suas fraquezas, em vez de em seu rival, Trump, alvo de condenações judiciais e que ainda tem vários processos em aberto.

O próprio republicano, de 78 anos, rompeu dias de silêncio desde o debate e declarou ao canalFox News na segunda-feira que acredita que Biden resistirá à pressão e permanecerá na disputa.

Na terça-feira à noite, no entanto, o republicano deixou a moderação de lado e chamou Biden de líder "corrupto, incompetente e com problemas cognitivos", diante de centenas de seguidores em seu clube de golfe em Doral, perto de Miami (Flórida).

"Como vocês sabem, todos eles são co-conspiradores no complô sinistro para enganar a população americana sobre as capacidades cognitivas do homem que está no Salão Oval", afirmou em seu primeiro ataque direto ao presidente desde o debate.

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© Agence France-Presse

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