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Macron inaugura extensão de linha de metrô que vai do aeroporto de Orly a Paris em 25 minutos

24/06/2024 10h32

Ela é considerada fundamental para os Jogos Olímpicos de Paris 2024 e para o futuro do transporte na capital francesa. Após oito anos de obras, o presidente Emmanuel Macron inaugurou, nesta segunda-feira (24), a extensão da linha 14 do metrô, que agora liga o sul e o norte de Paris em tempo recorde. 

Maria Paula Carvalho, da RFI em Paris

O presidente Emmanuel Macron fez a viagem inaugural entre duas estações, no subúrbio ao norte de Paris. "São mais de 15 anos de concepção desse trabalho, que se apoia sobre décadas de estudos e comprometimento de diferentes níveis de governo, empresas públicas e privadas, que nos permitem hoje fazer esta inauguração", discursou o presidente.

"Obrigada a todos por esse engajamento coletivo. É isso que a República sabe fazer, reunir todas as forças da nação para mudar vidas de maneira muito concreta. E tenho a imensa honra, em nome de todos, de declarar aberta a Gare Saint-Denis-Pleyel", concluiu Macron.    

Com um custo de € 3,5 bilhões, esta linha automática deverá se tornar a mais movimentada de Paris, até meados de 2025, com um milhão de passageiros por dia. Além dos 260 mil moradores dos subúrbios ao sul da capital, a obra vai beneficiar os turistas que desembarcam no Aeroporto de Orly e que poderão viajar até a estação Châtelet, no coração de Paris, em apenas 25 minutos, pagando € 11,50 (R$ 67). Para quem tem o passe de transporte mensal (Navigo), o custo do trajeto já está incluído. 

Até hoje, o acesso ao aeroporto de Orly exigia um trecho pago à parte (ORLYVAL), entre o terminal aeroportuário e a estação Antony do trem metropolitano RER B. O tempo de viagem até Châtelet, usando esta opção de transporte, é de 45 minutos. Outras alternativas seriam  usar o ônibus ou o carro. 

A nova linha 14 cruzará Paris por 28 km e será a mais longa da rede de metrô da Île-de-France. Ela é considerada a "espinha dorsal" da rede de transportes dos Jogos Olímpicos, pois servirá a Vila dos Atletas de Saint-Denis, o Stade de France e o Centro Aquático Olímpico. Durante as competições, são esperados cerca de 700.000 passageiros por dia.   

Única obra de transportes acabada a tempo da Olimpíada  

A extensão da linha 14 é a única infraestrutura de transporte entregue a tempo para os Jogos Olímpicos, considerando o que havia sido prometido na candidatura de Paris para sediar o evento. O Charles de Gaulle Express, ligação entre o aeroporto de Roissy e Paris, sem escalas, em 20 minutos, deverá ficar para 2027, assim como os primeiros trechos das linhas 16 e 17 do projeto Grand Paris Express. 

Em entrevista à RFI, Jean-François Monteils, presidente do conselho de administração da Société des Grands Projets, diz que é hora de comemorar o cumprimento de uma etapa, mas também o início do Grand Paris Express.

"É uma conclusão, mas também um começo, já que esta é a primeira estação que inauguramos e entregamos ao público, a primeira de uma imensa rede que é o Paris Express", disse. "Assim como nas 68 novas estações que virão, nós teremos obras de arte que poderão ser admiradas pelos viajantes. Muitas histórias vão acontecer aqui e para nós, é uma grande emoção", finalizou. 

A nova estação inaugurada nesta segunda-feira conta com uma obra monumental de mais de 11.000 azulejos do artista plástico português Vhils, intitulada "Estratos urbanos". "Paris sempre foi um centro importante para a arte e já faz 15 anos que sou convidado para projetos aqui. Esta relação com a França é muito importante para mim", afirmou o artista em entrevista à RFI.        

A cerimônia de inauguração, esta manhã, contou com a presença do ex-presidente francês, Nicolas Sarkozy, da presidente da região Île de France, Valérie Pécresse, do primeiro-ministro francês, Gabriel Attal, e do diretor-geral da RATP, empresa responsável pelos transportes públicos de Paris, Jean Castex. 

Olimpíadas sem carro 

Paris é a primeira olimpíada na história a proibir o acesso de carro aos locais de competição. Porém, o transporte público continua a causar preocupação, enquanto diariamente os utilizadores já se deparam com uma rede que está frequentemente saturada e sujeita a incidentes. 

De acordo com previsões analisadas pela AFP, o metrô e o RER serão postos à prova durante os Jogos Olímpicos, com cerca de 140 estações das quase 450 de Paris e seus subúrbios que ficarão sobrecarregadas durante a quinzena olímpica. 

Além do grande movimento, os turistas que vierem para os Jogos Olímpicos vão pagar mais caro pelo transporte. A tarifa do metrô quase duplicará durante os meses de julho e agosto. O bilhete unitário de metrô, que custa atualmente € 2,10 (R$ 11,24 ), passará a custar € 4 (R$ 21,40) e o pacote de 10 passes passará de € 16,90 (R$ 90,42) a € 32 (R$ 171), de acordo com a Île-de-France Mobilités (IDFM), empresa responsável pelos transportes na região parisiense.

Já os pacotes mensais e anuais, normalmente destinados aos moradores da cidade, "não serão afetados por estes aumentos", que durarão de 20 de julho a 8 de setembro. 

Além de contar com a rede de metrôs e as linhas de ônibus de Paris, os organizadores dos Jogos Olímpicos contam ainda com 3.000 bicicletas adicionais para aluguel e os cerca de 400 quilômetros de ciclovias construídos para o evento. 

(Com AFP)

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