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Faltando pouco mais de um mês para as Olimpíadas de Paris, poluição do Sena segue acima do limite

21/06/2024 13h03

Um mês e meio antes das competições olímpicas que serão realizadas no Sena, o rio que corta Paris apresenta níveis de poluição muito acima dos padrões regulamentares. Segundo as autoridades, a culpa é do tempo fechado, das chuvas que não cessam e que devem continuar, de acordo com as previsões.

As chuvas e tempestades dos últimos dias em Île-de-France deixaram pouco espaço para suspense. O boletim sobre a qualidade da água do rio, publicado nesta sexta-feira (21) pelas autoridades locais, trouxe a confirmação: o Sena continua impróprio para banho.

De acordo com os gráficos divulgados online, o nível de concentração de coliformes fecais foi superior a mil unidades /100 ml, limite utilizado pelas federações internacionais de triatlo e natação em águas abertas para autorizar a realização de provas.

 A causa: "tempo muito chuvoso" levando ao "aumento do fluxo do rio, o que não permite uma boa qualidade da água", explica a prefeitura de Paris.

Clima desfavorável

"Chuva, fluxo elevado, pouca incidência solar, temperaturas abaixo dos padrões sazonais" formam um "contexto hidrológico e meteorológico desfavorável" o que explica o motivo de "a qualidade da água continuar ruim", destacam.

O plano de despoluição teve o investimento de €1,4 bilhões para tornar o Sena e o seu principal afluente, o Marne, próprios para nadar. Mas o responsável regional, Marc Guillaume, assumiu, durante uma coletiva de imprensa, que o plano não terá sucesso se a qualidade da água não melhorar.

As amostras divulgadas nesta sexta-feira "não correspondem aos padrões que teremos neste verão", disse então.

"Assim que tivermos boas condições, o plano de investimento poderá ter efeito", garantiu ele, "confiante de que as provas serão mantidas no final de julho e início de agosto no Sena", completou.

O tempo está se esgotando para os organizadores e a previsão do tempo para as próximas duas semanas não dá motivos para otimismo, com tempo geralmente chuvoso até 5 de julho, segundo a Météo France.

Subindo repentinamente na sexta-feira, o fluxo do rio representa não só um problema para a qualidade da água, mas também para a segurança dos eventos. Isso impacta ainda a cerimônia de abertura, no dia 26 de julho, um desfile náutico inédito no Sena, cujo ensaio geral será realizado na segunda-feira (24).

O último ensaio parcial, finalmente organizado na última segunda-feira, foi adiado por vários meses.

"Se tivermos um fluxo muito forte, isso representa um sério problema para a cerimônia de abertura", disse o hidrólogo Jean-Marie Mouchel.

Procurado, o Comitê Organizador disse não ter "nenhuma preocupação específica".

Plano B

Estrela dessas Olimpíadas, o Sena sediará a cerimônia de abertura e também as provas de triatlo (30 e 31 de julho, 5 de agosto), maratona aquática (8 e 9 de agosto) e triatlo paralímpico (1° e 2 de setembro).

Entretanto, o suspense sobre a realização das provas olímpicas permanece desde os eventos-teste de agosto de 2023, que tiveram de ser cancelados devido à qualidade da água.

O plano B consiste em adiar as provas por alguns dias, mas não mudar de local.

A prefeita de Paris, Anne Hidalgo, anunciou na quarta-feira que nadaria no Sena para dar o exemplo "depois de 14 de julho, no dia 15, 16 ou 17". A data original, 23 de junho, foi abandonada devido ao mau tempo e às eleições antecipadas.

Em caso de chuva forte, a água não tratada - uma mistura de chuva e esgoto - acaba sendo lançada no rio, fenômeno que as obras de retenção inauguradas pouco antes dos Jogos pretendem prevenir.

O reservatório de Austerlitz também funcionou pela primeira vez na terça-feira durante uma grande tempestade, recebendo 40 mil m3 de água para uma capacidade de 50 mil m3, indicaram as autoridades regionais.

(Com AFP)

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